Um frio estranho espalhou-se pelo corpo, as mãos afagavam os labios silenciosos, alguma coisa precisava ser dita. O que falar? A cena voltava nos minimos detalhes, frases cortadas, desprezo, ódio, raiva. E agora o vazio invadia, tal qual um saco plastico cheio de ar que acabara de ser alfinetado. Havia apenas vulnerabilidades, nada mais. O medo embaçava as ideias, não queria voltar. Como enfrentar as ruinas de um sentimento tão vivo quanto o sangue que pulsa nas suas veias?
O amor pode unificar, o ódio mais ainda, todavia, ligaçoes de odio possuem mais intensidade, as de amor, talvez uma essência da eternidade. Talvez uma força motriz, fluindo como um todo em elos indestrutíveis, em ciclos intermináveis.Em alguns momentos, cheguei ao ápice do egoísmo, até que levei tudo para o abismo.A vida vai tecendo a teia, nos deixa proximos de alguns, afastando de outros. Pode nos levar a compreensão de algumas verdades não ditas.
Morri!
Dividi-me em duas partes, faço questão de habitar o inferno particular e sorrindo, posso esconder dos 'meus' demônios, as minhas verdades.
É, o dia nasceu melancólico, o céu meio turvo, mas não chovera.
Pior do que a tua voz que cala, é o meu silêncio que fala.
"Eu, filho do carbono e do amoníaco, Monstro de escuridão e rutilância, Sofro, desde a epigênesis da infância, A influência má dos signos do zodíaco. Profundíssimamente hipocondríaco, Este ambiente me causa repugnância... Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia Que se escapa da boca de um cardíaco..."
quarta-feira, julho 29, 2009
quarta-feira, julho 22, 2009
O virtuoso invade os sentidos, numa simbiose entre a arte e o jeito de amar a rotina. Jeito singular, um tanto nietzschiano: todos os momentos devem ser transformados em obra de arte.
A vida está aqui a palpitar, a latejar, a pulsar em veias inquietas, buliçosas.
Já carrego uma biografia longa.Páginas e páginas de um diário não escrito;calmamente me assegura a garantia do instante.
No recanto de paz, percebo os gestos sinceros, os laços visíveis, alguma amizade reforçada por uma cadeia ascendente.
Nada de novo nas narrativas. E, no entanto, o lacre das "antiguidades" confirmava pactos anteriores...
Minutos eternizantes e eternizados que nao se esvaem com a voragem do calendário.
A memória encarrega de armazenar o que de belo se conserva na trajetória existencial; As ternas sensações vão se superpondo nas gavetas perras do inconsciente.
Então, sinto-me mais rica de lembranças.
A vida está aqui a palpitar, a latejar, a pulsar em veias inquietas, buliçosas.
Já carrego uma biografia longa.Páginas e páginas de um diário não escrito;calmamente me assegura a garantia do instante.
No recanto de paz, percebo os gestos sinceros, os laços visíveis, alguma amizade reforçada por uma cadeia ascendente.
Nada de novo nas narrativas. E, no entanto, o lacre das "antiguidades" confirmava pactos anteriores...
Minutos eternizantes e eternizados que nao se esvaem com a voragem do calendário.
A memória encarrega de armazenar o que de belo se conserva na trajetória existencial; As ternas sensações vão se superpondo nas gavetas perras do inconsciente.
Então, sinto-me mais rica de lembranças.
quarta-feira, julho 01, 2009
Estou sempre em briga com o tempo. Os ponteiros do relógio disparam na direção conhecida, a mesma, a meeesma; a circularidade não se modifica, os segundos são absolutamente únicos, as minhas pegadas não escoltam o ritmo frenético. Há um descompasso entre o tempo e a cadência que se move. Sou devagar. Tenho necessidade de refletir sobre o mínimo acontecimento, não gosto de me aturdir com os barulhos exteriores, nem com as festanças retumbantes, nem com o vozerio alheio; meus embalos são lentos, vagarosos, sumarentos, gota a gota. Talvez esta seja a razão de uma vida em permanente susto. De repente, o instante se esvai...vão-se as intenções de uma nova tecelagem. E, eu, pasma diante da célere roleta. Porque o mundo me assusta?
Lembro-me que em criança os olhos se arregalavam com freqüência. Foi não foi, o ar de admiração me tomava. Pronunciava uma tempestade de interjeições fora de lugar. Estive à margem de episódios comuns, corriqueiros, até prosaicos, tão cotidianos que ninguém se alterava, rosto algum se aborrecia diante de partituras desafinadas; Afinal, faziam parte da rotina e, no entanto, a mim me pareciam estranhas.
Insatisfeita com acenos desatinados.
De pouco serviram, entretanto, os meus espantos.
A acelerada competição entre os homens me apavora. A vaidade, a inveja e a soberba me afastam dos 'palcos iluminados'.
Indignação é grito de desabafo, toda vida, ninguém escuta.
E o medo medra, o corpo fala; Reage; Não é assim, como será?
Retraio-me.
Continuo pasma, atônita...paralisada.
Sentir transformou-se num verbo que não conjugo a toda hora.
Não importa a latitude nem a distância geográfica. Venho de longe: emoções nem sempre me paramentam, quero-me assim, vendo, ouvindo, perscrutanto, deixando que os volteios me emudeçam; Vou e volto; Conheço alguns esconderijos; Refugio-me ou sigo: Os atalhos me ajudam...
Há ruas estreitas e largas.
Não me canso de perder-me. Nunca sei onde estou e para onde vou.
Carrego um enigmático traçado dentro de mim, recolho mapas quase arqueológicos, ainda que não perceba as rotas de orientação.
No meu estado de permanente espanto, vivo em busca de alguma coisa que nem sei bem o que é.
Apraz-me esta errática sensação. Prossigo para alcançar operdido, nunca o encontro.
O 'afã' de querer dá sentindo à vida.
Ninguém pode aceitar o desejo enfraquecido, dele depende a corrente sangüínea da vontade.
As veias latejam pulsões antigas e esquecidas.
Todo amanhecer aponta para horizontes que nem sempre alcançamos, mas a bússola serve de norte paraaproximar ou afastaros passos do dia-a-dia. Pela manhã, a alvorada; À noite, o crepusculo. Ao meio...a construção do tempo.
Se tivesse que escrever a minha historia, necessitaria dos fios da meada daquilo que não fiz; São as interrupçoes que me preocupam, as rupturas também. Arrependo-me de algumas desistências; Abdicar representa um fracasso irreversível.
Enquanto retornar revela a força de uma hercúlea coragem. Quem disse que voltar é retrocesso? Pode ser uma grande saída. Às vezes, a única. Quantas vezes me perdi no caminho de volta? Inúmeras...
E, assim, pasma!
O tempo é a minha matéria. Não sou capaz de mensurá-lo porque o relógio se adianta para alguém da lerda senda, entretanto urge distribuí-lo com eqüilíbrio, pdaços iguais ou diferentes, a depender da intensidade dos apelos.
Tenho tantas dívidas afetivas que nem me sinto apta a saldá-las.
Ora, debruço-me sobre uma, ora, sobre outra; E, no vagar das horas, resolvo o que há de mais importante.
O ócio fortalece o pensamento, agasalhando divagações imprescindívéis ao inventário da vida. Buscando, buscando...deparo-me com vários sobressaltos.
Não pretendo transmudar-me numa coisa oca, protegida por falsas armadilhas. Prefiro continuar hesitante. A tergiversar, sem definições.
Lembro-me que em criança os olhos se arregalavam com freqüência. Foi não foi, o ar de admiração me tomava. Pronunciava uma tempestade de interjeições fora de lugar. Estive à margem de episódios comuns, corriqueiros, até prosaicos, tão cotidianos que ninguém se alterava, rosto algum se aborrecia diante de partituras desafinadas; Afinal, faziam parte da rotina e, no entanto, a mim me pareciam estranhas.
Insatisfeita com acenos desatinados.
De pouco serviram, entretanto, os meus espantos.
A acelerada competição entre os homens me apavora. A vaidade, a inveja e a soberba me afastam dos 'palcos iluminados'.
Indignação é grito de desabafo, toda vida, ninguém escuta.
E o medo medra, o corpo fala; Reage; Não é assim, como será?
Retraio-me.
Continuo pasma, atônita...paralisada.
Sentir transformou-se num verbo que não conjugo a toda hora.
Não importa a latitude nem a distância geográfica. Venho de longe: emoções nem sempre me paramentam, quero-me assim, vendo, ouvindo, perscrutanto, deixando que os volteios me emudeçam; Vou e volto; Conheço alguns esconderijos; Refugio-me ou sigo: Os atalhos me ajudam...
Há ruas estreitas e largas.
Não me canso de perder-me. Nunca sei onde estou e para onde vou.
Carrego um enigmático traçado dentro de mim, recolho mapas quase arqueológicos, ainda que não perceba as rotas de orientação.
No meu estado de permanente espanto, vivo em busca de alguma coisa que nem sei bem o que é.
Apraz-me esta errática sensação. Prossigo para alcançar operdido, nunca o encontro.
O 'afã' de querer dá sentindo à vida.
Ninguém pode aceitar o desejo enfraquecido, dele depende a corrente sangüínea da vontade.
As veias latejam pulsões antigas e esquecidas.
Todo amanhecer aponta para horizontes que nem sempre alcançamos, mas a bússola serve de norte paraaproximar ou afastaros passos do dia-a-dia. Pela manhã, a alvorada; À noite, o crepusculo. Ao meio...a construção do tempo.
Se tivesse que escrever a minha historia, necessitaria dos fios da meada daquilo que não fiz; São as interrupçoes que me preocupam, as rupturas também. Arrependo-me de algumas desistências; Abdicar representa um fracasso irreversível.
Enquanto retornar revela a força de uma hercúlea coragem. Quem disse que voltar é retrocesso? Pode ser uma grande saída. Às vezes, a única. Quantas vezes me perdi no caminho de volta? Inúmeras...
E, assim, pasma!
O tempo é a minha matéria. Não sou capaz de mensurá-lo porque o relógio se adianta para alguém da lerda senda, entretanto urge distribuí-lo com eqüilíbrio, pdaços iguais ou diferentes, a depender da intensidade dos apelos.
Tenho tantas dívidas afetivas que nem me sinto apta a saldá-las.
Ora, debruço-me sobre uma, ora, sobre outra; E, no vagar das horas, resolvo o que há de mais importante.
O ócio fortalece o pensamento, agasalhando divagações imprescindívéis ao inventário da vida. Buscando, buscando...deparo-me com vários sobressaltos.
Não pretendo transmudar-me numa coisa oca, protegida por falsas armadilhas. Prefiro continuar hesitante. A tergiversar, sem definições.
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