Ando cansada de assistir ao que não quero, de saber-me uma ilha deserta em meio à vasta multidão. De perceber que o mundo avança sem bússola, alheio aos sentimentos de cada um. Vejo demais e ouço o que dói. O burburinho cresce em insuportáveis decibéis. Fujo pela primeira porta: vou para um lado, para o ouro, estonteio-me, o corredor acaba desaguando no mesmo destino: a banalidade das emoções. Ninguém detém o ritmo avançado do fracasso ético, os fatos bailam à nossa frente, retratando mensagens artificiais e postiças. O sentido crítico vem desaparecendo ao longo dos anos, os recuos diante dos padrões vigentes esmorecem. O medo atravessa a garganta dos homens. O que não falta, entretanto, são os fantoches por toda a parte, prontos para atacar a solidificação de um modelo vulgar, sem menor requinte de elegância. Cenas mambembes, inexpressivas, pobre de grandeza se repetem: mediocridade impera. A análise criteriosa da vida desapareceu. Esqueceram a honradez e a nobreza de atitudes. O que fazer?
Respiro fundo. Sinto coração partido, fragmentado. Guardo as lágrimas nos olhos, mas recolho-as; afinal, a festa não pode ser interrompida e o concerto de uma orquestra toca ruídos assimétricos. Pois é, a rotina perdeu a magnitude do afeto e os dias se sucedem desordenados. O importante é galgar o pódio da vitória, nada mais. Sentimentos? Que bobagem! Romantismo?Palavra em desuso. Apenas o reflexo de um sucesso arrogante. Aí sim, a glória se confunde com meras ilusões momentâneas. Trago um enorme cansaço que se mistura à sensação de impotência. As frases voam na dispersão de rostos desatentos. O fôlego do meu sopro é brando para acompanhar a velocidade dos acontecimentos; E...”tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo”, como diria Drummond, para enfrentar a avalanche de insignificâncias. Quão pouco para reverter um tempo de homens amputados. O vidro quebrou, há cacos espalhados pelo chão, com jeito a trilha se refaz... mas é preciso pisar em ovos. Ao compasso de inesperados volteios, intensa circularidade assegura minha errância.Não posso nem desejo mudar. Jamais aplaudirei atitudes histriônicas, nem excesso de exibicionismos, nem palcos soberbamente iluminados. Opto pela penumbra dos gestos conscientes, verticais, abissais.Que o pensamento me traga a lucidez da discrição, a prudência das cores leves, a virtuose do silêncio. Não aprecio riscos fáceis, tampouco a versatilidade dos áulicos. Entrego-me à introspecção do humilde. Os jorros de vulgaridade mortificam-me, apunhalam-me a alma, anulando-me por inteira.Busco a simplicidade do autêntico, a pureza dos sentimentos, o cálido aperto de mãos entre amigos que se querem bem. E brado: chega de falsos protocolos, de fingidas etiquetas, de intervalos no mundo. A vida não permite ensaios, apenas pensamentos pro ativos; existe em tempo real, aquele que se vive. Não adianta adiar o “espetáculo”. Ou nasce, cresce e fenece. Abandonar a essência das coisas em nome das banalidades correntes equivale a macular a própria historia essa biografia individual ou coletiva, comprova a nossa existência. Os ponteiros dos relógios ontológicos jamais se atrasam. Urge, portanto, que a dignidade represente o único e poderoso valor da imanente aos espíritos superiores.
Estou cansada de ruínas morais de fragmentos de afeto. É hora de reconstruir o mundo, com pressa e sem tergiversações, pois não há o que esperar. Coloco o primeiro tijolo...
"Eu, filho do carbono e do amoníaco, Monstro de escuridão e rutilância, Sofro, desde a epigênesis da infância, A influência má dos signos do zodíaco. Profundíssimamente hipocondríaco, Este ambiente me causa repugnância... Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia Que se escapa da boca de um cardíaco..."
quarta-feira, outubro 28, 2009
sexta-feira, outubro 23, 2009
Os ponteiros se movem no bojo circular do relógio antigo. Há um ritmo lento, gradual, persistente. Tento apreender os átimos de segundo; Enrosco-me em agudas subjetivações. Fecho as pálpebras. Ouço o imponderável. Faz de conta que o "tiquetaque" é um brinquedo de infância, uma melodia adicional que se junta às artes da criança em épocas de assombração. Invento uma nova cena. De olhos vedados, recrio espaços e tempos em pura simultaneidade, Nunca me arrependo das faxinas interiores. Os ponteiros, plenos de adereços barrocos, avançam. O instante se esvai alheio à minha determinação, quero tocá-lo, sou impotente diante da tua feroz indiferença. Por enquanto, o tempo equivale ao menor intervalo do pensamento. Estou a meio de uma circularidade irrefutável. A terra parece com o relógio, ambos detêm o poder de orbitar em si mesmos. Passageiros invisíveis que me amedontram (soberanos, autônomos, déspotas). Há um movimento a extrapolar os sentidos, e não adianta perseguir um mandala que não é abstração, embora os meus pobres recursos sejam tão frágeis que não o identifiquem. As semelhanças se irmanam; os pirilampos acendem e apagam; a mariposa é atraída pela luz, seu pó é atraído pelas minhas mãos e a as minhas mãos levadas aos olhos. Será? Whatever!
O que me serve de bussola. O instante me devora, sequer confirma o lacre da existência. Estou certa de que o relógio representa a ancestralidade que me deu origem. Quantos já o vigiaram?Ele vem de longe, muito longe, com o peso da herança consangüínea e a carga de um legado que desemboca na regularidade do pêndulo. Oscilo. Nunca sei em que fio de aço hei de andar no circo onde sou a trapezista dos nobres espetáculos. Equiblibro-me com dificuldade. O perigo me atrai, por isso recuso a rede de proteção. Deslizo sob olhos, apresentações suicidas.
O raciocínio escapa aos meandros da lucidez. Melhor não aderir à efemeridade do instante, deixar que a vida seja longe das recorrentes indagações. De que me servirão respostas vazias? Há muitas vozes clamando por amor, ainda que os abraços nao acompanhem a força do afeto. Estou cansada de repreender os meus sentimentos. Jamais perderei a esperança de ver o mundo se renovando através dos olhares em troca. Sou intensa. Não me agradam fragmentos de ternura, aspiro às totalidades. Procuro a completude dos que têm sede de vida. Quero a fonte jorrando águas de purificação, o céu transbordando azuis iria dos, o horizonte se fazendo cada vez mais longínquo. Alguma coisa há de ser inatingível para assegurar a pujança do mistério. A saudade invoca os sentimentos mais profundos. Amo os pequenos nadas, acato-me às vontades pequenas. Estou me entregando de uma forma voraz, mas às vezes não faz mal. Quantas vezes me sinto em carne viva? O relógio me cala. Sou a contingência de uma humanidade anônima. Como decifrar o enigma da esfinge? Mas o mundo se fez sozinho, independente da angústia temporal. Eu gasto os meus olhos acompanhando o balando do pêndulo....
Que horas são?
É, me perdi.
O que me serve de bussola. O instante me devora, sequer confirma o lacre da existência. Estou certa de que o relógio representa a ancestralidade que me deu origem. Quantos já o vigiaram?Ele vem de longe, muito longe, com o peso da herança consangüínea e a carga de um legado que desemboca na regularidade do pêndulo. Oscilo. Nunca sei em que fio de aço hei de andar no circo onde sou a trapezista dos nobres espetáculos. Equiblibro-me com dificuldade. O perigo me atrai, por isso recuso a rede de proteção. Deslizo sob olhos, apresentações suicidas.
O raciocínio escapa aos meandros da lucidez. Melhor não aderir à efemeridade do instante, deixar que a vida seja longe das recorrentes indagações. De que me servirão respostas vazias? Há muitas vozes clamando por amor, ainda que os abraços nao acompanhem a força do afeto. Estou cansada de repreender os meus sentimentos. Jamais perderei a esperança de ver o mundo se renovando através dos olhares em troca. Sou intensa. Não me agradam fragmentos de ternura, aspiro às totalidades. Procuro a completude dos que têm sede de vida. Quero a fonte jorrando águas de purificação, o céu transbordando azuis iria dos, o horizonte se fazendo cada vez mais longínquo. Alguma coisa há de ser inatingível para assegurar a pujança do mistério. A saudade invoca os sentimentos mais profundos. Amo os pequenos nadas, acato-me às vontades pequenas. Estou me entregando de uma forma voraz, mas às vezes não faz mal. Quantas vezes me sinto em carne viva? O relógio me cala. Sou a contingência de uma humanidade anônima. Como decifrar o enigma da esfinge? Mas o mundo se fez sozinho, independente da angústia temporal. Eu gasto os meus olhos acompanhando o balando do pêndulo....
Que horas são?
É, me perdi.
segunda-feira, outubro 05, 2009
Como as pessoas são paupérrimas espiritualmente quando estão tentando parecer normais.
O medo da rejeição, que já começa naquela bênção chamada família, é fortalecido nas escolas, nas religiões, etc.
Com isso, você se afasta do seu "EU" e sofre de solidão.
E quando bater aquela puta tristeza, nenhum puto poderá tirá-la de dentro de você.
É tão gratificante perceber que há pessoas que fazem que sejamos nós mesmos sem medo, sem máscaras, sem rótulos... E que se fodam os que acham que estamos errados.
Eles não têm é a ousadia, a coragem de ser eles mesmos.Um bando de infelizes querendo nos passar a receita da dor, da desgraça, de todo o lixo que eles chamam de normalidade.
"Não existe vento favorável para o marinheiro que não sabe aonde ir"
http://www.youtube.com/watch?v=sP4mhUZoPyk
O medo da rejeição, que já começa naquela bênção chamada família, é fortalecido nas escolas, nas religiões, etc.
Com isso, você se afasta do seu "EU" e sofre de solidão.
E quando bater aquela puta tristeza, nenhum puto poderá tirá-la de dentro de você.
É tão gratificante perceber que há pessoas que fazem que sejamos nós mesmos sem medo, sem máscaras, sem rótulos... E que se fodam os que acham que estamos errados.
Eles não têm é a ousadia, a coragem de ser eles mesmos.Um bando de infelizes querendo nos passar a receita da dor, da desgraça, de todo o lixo que eles chamam de normalidade.
"Não existe vento favorável para o marinheiro que não sabe aonde ir"
http://www.youtube.com/watch?v=sP4mhUZoPyk
Assinar:
Comentários (Atom)
