quarta-feira, abril 08, 2009

Memórias de uma viagem


Recolhida no quarto de estudos, começo a divagar sobre os acontecimentos dos anos que foram passando.
Tantos afazeres!Uma série de compromissos inadiáveis, fui e voltei, logo ali...João Pessoa. Encantou-me com sua receptividade amorosa, lá estive dois dias, que me fizeram recrudescer os afetos pela cidade.Os sentimentos um tanto exteriorizados. Encantei-me prematuramente, deixando um enorme vazio. As nuvens ainda acinzentadas no horizonte crepuscular ainda choravam a perda irreparável.
Andei pelas ruas, apreciei a orla marítima. No caminho de regresso, a vigiar a natureza, percebi o quanto me enternece a miragem da terra; Então me descubro cada vez mais apegada aos estímulos atávicos. E, no entanto, sou tão urbana!Mas há em mim uma menina que não conheceu a vida rural, ainda que dela se nutra razão das fantasias do inconsciente. Escutei histórias que me fixaram em outras 'glebas', existem saudades que se desvelam ao sopro das 'antigüidades'. Enquanto o carro deslizava, as lembranças me invadiam, uma forma de refrigério para um corpo cansado. A manhã estava linda...
Anos transcorreram; seria a mesma pessoa a de ontem e a de hoje? Ou tudo não passava de uma imaginação fecunda? Realidade ou ficção? Pouco importa. O fato é que em mim moram mundos opostos, “eus” diferentes. Ainda bem que sou capaz de me transformar a cada dia, de vivenciar fragmentos escondidos em algum lugar, de recolher os pedaços que andam por aí; A multiplicidade me faz una, basta-me um caleidoscópio com vários ângulos. Preciso estimular a harmoniosa convivência entre meus personagens; Afinal, conheço-me tão pouco! Talvez o desejo de mudança alimente a devoção pelos longes. Tudo é novo e me induz a aplaudir a cerimônia do agora, a que já se esvaiu a que vem a ser...
Jamais suportaria traços inflexíveis. Crio veredas, estou sempre pronta para enriquecer o cenário da festa. Junto aos cálices; celebro o momento. Em cada taça, há um tempo que tem seu tempo.

segunda-feira, abril 06, 2009

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Estamos a viver, neste momento, a fase mais ativa dos feromônios dos influentes. Acontece em todas as realidades ou espaços geográficos. É tempo, portanto, de alimento da criatividade. Falo, naturalmente, do pequeno amor. O grande já possui imaginação em abundância.
Confusão com todo esse sentimentalismo. Com fusão de ternura e racionalismo.Só corro se for apaixonada, socorro esse coração dilacerado.

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Enfim, só!

♪Creep

sábado, abril 04, 2009

Tu queres, tu fazes e outras bobagens.


De repente, em cada roda de papo, em cada esquina, cada mesa de bar ou ante-sala de consultório, pelo menos um “Zé alguém”.
A gramática, que no conceito clássico nada mais é que a sistematização dos fatos de uma língua, de um momento para o outro passou a ser o mote de todas as análises. De uma para outra hora, a cidade foi tomada por cultores das normas eruditas. Pura hipocrisia ou exibicionismo desvairado.
A presença inútil de tremas, hífens e algumas letrinhas, nada altera a vida dos cidadãos. Que falta fazem dois pontinhos? Os tracinhos, mais reveladores de ignorância que aglutinadores de expressões? E a oficial volta dos Y, K e W, que jamais deixaram de ser usados?
De certo que as alterações tão comentadas atingiram se foi o caso, a ortografia, a própria língua, pouco ou quase nada o seu estudo. A analfabeta gramatical que sempre fui, permanecerei. Com cautela, não faz mal a ninguém, continuarei a cometer meus textos, driblando as vacilações sempre que possível.
Difícil é enfrentar ou conviver com a barbárie que assola mais intensamente a conversação da juventude, embora não só dela. E isso dói o ouvido. E o ouvido, é tudo, ou quase, nesse caso. Não é estranhável, pois, que se fale com o ouvido. Atentos a ele. Afinal, é corriqueira a existência de pessoas que não sabendo “música”, tocam de ouvido.
Menos mal, se bem que igualmente execrável é a importância de vocábulos inusuais em nossa linguagem e, acima de tudo, erroneamente, utilizados, tipo RG e CIC.
Se não cuidarmos em tempo, daqui a pouco estaremos adotando o nefando holerite.
Não é demais notar que mesmo praticantes do “tu faz, tu gosta”, por vezes escreve corretamente. É conhecida a observação de que escreve bem aquele que escreve o mais próximo do que fala.
Seria bom, mas imagino os desastres por aí....
Pega bem e se evita a constatação de Macunaíma de que o brasileiro branco fala uma língua e escreve outra.
Neste caso, sou conservadora. Eu cuido, afinal, que ‘tu fazes, tu queres’. Progresso, não é?

sexta-feira, abril 03, 2009


Percebo em minha volta.Percebo seus olhos molhados,avermelhados,todavia as lágrimas insistem em não cair.Fita o turbilhão das avenidas cheias do nada e pergunto para que tudo aquilo, qual o sentido daquilo?
Demônios antigos me atormentam, o mundo gira no ritmo da minha mente.Não encontro uma resposta, mas divago horas no vácuo da pergunta.Começo a tremer e a tentar balbuciar algumas palavras inúteis.Olho em volta, num pedido de socorro...quando vão parar para pensar e ver?Não se sabe, sabe-se apenas que permanece lá, quase todos os dias, durante anos.Anos a fio, almejando a resposta, refletindo em meio ao turbilhão.

Se estiver esperando que eu complete frases para que tenham sentido, suma! O sentido está no seu outro lado, na sua capacidade de compreensão.

quinta-feira, abril 02, 2009

Quase parou,


...mas és metade do inteiro que eu sinto.Eterno retorno, sempre voltas...sempre estou aqui.
Para você, por você, por nós; interte! Para outros, tabernáculo.
Entre um grito mudo e um olhar súplice, muitas vezes sinto o seu sorriso nascer úmido e ir, aos poucos...mas deixando a certeza de que voltarás.
Sim, o nosso tempo!
♥

02/03


"Se você ponderou as suas últimas atitudes não há motivos para se sentir culpado: você fez o melhor que podia. O importante é estar de acordo com o que você sabe e acredita. Siga em frente tendo sempre claro que, independente de tudo, as consequencias serão ao seu favor."

Meu signo é foda*-*
Tay, pisciana só por hoje. (?)

Fantástico


Parece que não vai parar. A sucessão de escândalos que enche de constrangimento o Senado Federal. E pasma de indignação a oposição pública. Não é pouca coisa.
Esse Cenário de falta de ética lembra o Realismo fantástico. Há três conceitos bem distinguidos por um professor búlgaro: o estranho, o fantástico e o maravilhoso. Se ocorrem fatos que são explicados pela realidade e esta permanece intacta, sem modificação, estática, estamos diante do estranho. Se novas leis naturais se sobrepõem à realidade e em conseqüência surgem fatos sobrenaturais, ficamos de frente para o maravilhoso. E se há dúvidas quanto à existência da natureza de fatos que acontecem na realidade, causando incredulidade, então temos o fantástico.
Após tufo quanto ficamos conhecendo do que ocorreu e ocorre no Senado Federal, a pergunta é inevitável e fatal: estamos diante do estranho, estamos imersos no maravilhoso ou ficamos paralisados no fantástico? Certamente nos defrontamos com o estranho. Porque se trata de realidade que permanece intocada beneficiando grupos fechados individualistas. Também não confrontamos com o maravilhoso se a realidade for vista na perspectiva sobrenatural dos que se promovem (na penumbra) APROPRIAÇÃO DE BENS PÚBLICOS. Mas estamos principalmente diante do fantástico. Porque se trata de uma realidade indizível. São fatos que, te tão amorais, passam incredulidade ao cidadão comum que cumpre a lei. É um universo diferente do mundo ordinário, envolto em sua fantasia.
A América Latina é berço, na literatura mundial, do realismo fantástico. A realidade é transformada em invenções extraordinárias fora do alcance dos fazeres factuais. Fruto da imaginação de alguns romancistas. O Brasil senatorial, em seu inefável devaneio, está à altura das melhores peças de realismo fantástico.

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Minha necessidade de falar de amor foi a puta que pariu, espero que volte um dia, quem sabe.