quinta-feira, abril 02, 2009

Fantástico


Parece que não vai parar. A sucessão de escândalos que enche de constrangimento o Senado Federal. E pasma de indignação a oposição pública. Não é pouca coisa.
Esse Cenário de falta de ética lembra o Realismo fantástico. Há três conceitos bem distinguidos por um professor búlgaro: o estranho, o fantástico e o maravilhoso. Se ocorrem fatos que são explicados pela realidade e esta permanece intacta, sem modificação, estática, estamos diante do estranho. Se novas leis naturais se sobrepõem à realidade e em conseqüência surgem fatos sobrenaturais, ficamos de frente para o maravilhoso. E se há dúvidas quanto à existência da natureza de fatos que acontecem na realidade, causando incredulidade, então temos o fantástico.
Após tufo quanto ficamos conhecendo do que ocorreu e ocorre no Senado Federal, a pergunta é inevitável e fatal: estamos diante do estranho, estamos imersos no maravilhoso ou ficamos paralisados no fantástico? Certamente nos defrontamos com o estranho. Porque se trata de realidade que permanece intocada beneficiando grupos fechados individualistas. Também não confrontamos com o maravilhoso se a realidade for vista na perspectiva sobrenatural dos que se promovem (na penumbra) APROPRIAÇÃO DE BENS PÚBLICOS. Mas estamos principalmente diante do fantástico. Porque se trata de uma realidade indizível. São fatos que, te tão amorais, passam incredulidade ao cidadão comum que cumpre a lei. É um universo diferente do mundo ordinário, envolto em sua fantasia.
A América Latina é berço, na literatura mundial, do realismo fantástico. A realidade é transformada em invenções extraordinárias fora do alcance dos fazeres factuais. Fruto da imaginação de alguns romancistas. O Brasil senatorial, em seu inefável devaneio, está à altura das melhores peças de realismo fantástico.

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Minha necessidade de falar de amor foi a puta que pariu, espero que volte um dia, quem sabe.

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