
Em todos os segmentos da nossa realidade, foram sendo quebrados os espelhos que refletiam a imagem ideal. Não foram construídos outros personagens a partir dos quais tínhamos como referência nos nossos projetos de vida. E eu não conheço momento na história, sem que tivéssemos referenciais a serem seguidos.
Procuro, em diferentes e amplos campos, algo que seja incomum em todos esses 'nomes' que são usados como referenciais, que construíram e que ainda constroem os nossos sonhos mais utópicos, talvez...
Que não se sentiram satisfeitos em viver a história, nem narrá-la: construí-la. Ai não resta qualquer duvida. Pessoas que alinham as suas condutas pela coerência, e principalmente, pela ética.
Posso acrescentar outro sentimento à minha 'comoção' e à indignação: a tal frustração, talvez. Quem sabe, em muitos casos, a terceira, como causa das primeiras. Ou seria conseqüência?Sei lá!
Depositei as minhas melhores expectativas nas 'novas' referências que foram aparecendo no decorrer desses últimos anos...
Mas elas, infelizmente, não pautaram as condutas pela coerência e muito menos pela sensatez. E eu não sei por que me decepciono ainda com coisas corriqueiras... Fico subestimando a capacidade de algum ser me decepcionar, burrice.
Se desejar outra realidade, a do "ser", e se quiser manter os valores preciosos, é preciso, urgentemente, haja uma recuperação dos fundamentos básicos: coerência e sensatez.
Como pode se formar um caráter de uma geração futura, se a família, que deveria exercer o papel de proteção, mata?
Se a escola que deveria ter um papel enorme na educação, destrói por muitas vezes? Se a igreja vende indulgências?
Se o resultado do 'suor', não é repartido?Como construir um íntegro cidadão, se, desde muito cedo, ele pode perceber que os escolhidos para prover, coletivamente, a proteção, educação, saúde, própria cidadania, tiram o que é de todos, para proveito individual? Que diferente do que deveria, ele também pode ser dar conta que a vida pode ser construída com a contribuição de cada ser, para beneficiar todos? Que acontece, exatamente, o contrário?
Francamente e infelizmente, aquela duvida que eu alimentei por tanto tempo, se era noticiário que influenciava a novela, ou se era o contrario...a duvida tendeu a dissipação.
Fico cada vez mais convicta de que a realidade alimenta a ficção. São tão poucos os dramaturgos em relação aos tantos personagens da vida, mudar o enredo das novelas bastaria. Mas qualquer mudança não parece fácil.
A realidade não se muda trocando, ou camuflando a noticia.
E o noticiário, nos últimos anos, se o assunto é com relação às nossas referências, não tem sido alvíssaras. O que mais se vê são desvios de coerência, ética, sensatez...
Maus exemplos, pobres valores, péssimos referenciais...
Para a geração de hoje, e as que ainda virão, vivam na plenitude da cidadania, não há que se criar novas leis. Uma lei pode ser legalização de um costume. Mas se os costumes de possivelmente elaborou as leis, são maus, o que esperar da lei já existente?
E porque eu to falando disso? Quase ninguém se importa, mas continuam a dizer que o inferno é aqui.
É o 'senado fantástico'...
Que as portas dessa mudança, sejam forçadas de fora para dentro.
Que as histórias tomem rédeas. Que transformem o sal em mel. Se não colocarem em pratica os bons valores, os maus vão se perpetuar. Por vezes, transformados em lei. E aí, nem mesmo as outras gerações terão boas referências.
É a aristocracia camuflada de democracia, enfim...
Hoje, passando mais tempo em frente a televisão, do que na escola. Mais tempos na internet, do que nas salas de aula...
O ser humano, no seu período de formação, ‘plugou-se’ no mundo, paralelamente se auto-encarcerando entre quatro paredes. Desenvolveu linguagens frias e novas, confiando no lado das emoções, ou na falta delas... E quem não conhece nem corpo, nem alma.
Tornou-se um solitário na multidão.
Eu sei bem como é, e obrigada por não pensar.
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