sábado, abril 04, 2009

Tu queres, tu fazes e outras bobagens.


De repente, em cada roda de papo, em cada esquina, cada mesa de bar ou ante-sala de consultório, pelo menos um “Zé alguém”.
A gramática, que no conceito clássico nada mais é que a sistematização dos fatos de uma língua, de um momento para o outro passou a ser o mote de todas as análises. De uma para outra hora, a cidade foi tomada por cultores das normas eruditas. Pura hipocrisia ou exibicionismo desvairado.
A presença inútil de tremas, hífens e algumas letrinhas, nada altera a vida dos cidadãos. Que falta fazem dois pontinhos? Os tracinhos, mais reveladores de ignorância que aglutinadores de expressões? E a oficial volta dos Y, K e W, que jamais deixaram de ser usados?
De certo que as alterações tão comentadas atingiram se foi o caso, a ortografia, a própria língua, pouco ou quase nada o seu estudo. A analfabeta gramatical que sempre fui, permanecerei. Com cautela, não faz mal a ninguém, continuarei a cometer meus textos, driblando as vacilações sempre que possível.
Difícil é enfrentar ou conviver com a barbárie que assola mais intensamente a conversação da juventude, embora não só dela. E isso dói o ouvido. E o ouvido, é tudo, ou quase, nesse caso. Não é estranhável, pois, que se fale com o ouvido. Atentos a ele. Afinal, é corriqueira a existência de pessoas que não sabendo “música”, tocam de ouvido.
Menos mal, se bem que igualmente execrável é a importância de vocábulos inusuais em nossa linguagem e, acima de tudo, erroneamente, utilizados, tipo RG e CIC.
Se não cuidarmos em tempo, daqui a pouco estaremos adotando o nefando holerite.
Não é demais notar que mesmo praticantes do “tu faz, tu gosta”, por vezes escreve corretamente. É conhecida a observação de que escreve bem aquele que escreve o mais próximo do que fala.
Seria bom, mas imagino os desastres por aí....
Pega bem e se evita a constatação de Macunaíma de que o brasileiro branco fala uma língua e escreve outra.
Neste caso, sou conservadora. Eu cuido, afinal, que ‘tu fazes, tu queres’. Progresso, não é?

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