
Sabe quando só diante do mar é possível dizer algo sobre sereias? Devo ter escutado alguma voz, algum som, algum eco do seu canto. Aqui, ou lá... Não sei.. Posso ter esquecido o lápis de duas pontas e uma folha dobrada em quatro (me lembra analise comportamental) eu não estenderia, não nesta tarde, o meu corpo ao acalento de uma rede, para fugir, não do perigo das sereias, mas de uma possível analise precipitada...
Nunca escrevo em pé, a não ser quando a insônia reivindica. Uma rede elastece o meu pensamento.
É um modo de misturar razão com sonho. A utopia do ontem...
O sonho.. Ah, pra mim é horizontal! Todavia a idéia sempre é vertical. Quando cumpro a proposta e uso dez dedos no computador, utilizo uma espécie de bóia, um acento anatômico, recomendado pela medicina para os sedentários, não propriamente para evitar escaras, porém para não sentir, fisicamente e sentimentalmente, as conseqüências apontadas por outro alguém...
Para escrever ou viajar, já que atravesso o meu tempo, olho um pouco a tristeza. O fim do dia está meio chuvoso e o mar é mais um som do que uma cor. Ou cor no som e vice versa...
Deve ser menos difícil imaginar uma sereia com um ser híbrido...
Essa proeza inusitada mata, eu sei! Não quero argumentar que o silêncio seja o som sem som, a voz insonora, a palma de uma mão só...
Prefiro imaginá-lo feito um vidro, uma lente de contato sobre o olho do mar. O próprio céu, quem sabe?Quase cinzento, ou debruçando o extinto azul no verde extinto...
Posso ser só força, só sabedoria, só voz... Um único eco dos meus átomos.
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