quarta-feira, abril 22, 2009


Quando a luz se apaga e o silêncio se faz notar pela penumbra da rua; quando os pássaros arribavam em respeito ao prenúncio da noite; quando os homens e mulheres retiravam as cadeiras da calçada após a prosa espontânea de final de dia; quando o ônibus diminuía a sua marcha, quase parando; quando a atmosfera recebia a aragem do agreste; quando os postigos das janelas cerravam a claridade última; quando o vizinho agradecia o 'boa noite' do amigo; quando os carros se faziam ausentes nas ruas habitadas; quando o corpo parecia reclamar do descanso do dia; quando a cozinha limpa aguardava o amanhã.
Eu me entrego aos volteios da noite insone.
Nunca sei o que fazer nessas horas. Da janela, avisto os passos se findando, a noite em plena invasão; ela jamais seguira a paciência do aguardo dos minutos, o futuro. Li a página de um livro, atirei-me no chão, já repousando em estado inerte as folhas escritas.
Sequer conseguia concentrar na leitura dos parágrafos iniciais.
Andei pelo corredor. O pensamento evocando visagens outras, delírios...
Se os anos de um querer a mais roubassem do tempo as horas que lhe foram subtraídas; se a pele ressequida se transmudasse na juventude frustrada, sem avanços, nem recuos... estática. Se o encontro com a ela durasse até hoje; se aquele 'amor' não parecesse estar dissolvido com a ‘pseudo morte’ precoce. Se a vida retomasse o seu princípio, eu não temeria as horas vagarosas. Essa chuva, as mãos geladas nas costas que causava arrepios... é, 210 dias.
Mas os minutos se arrastam. E já foram tão rápidos, céleres, enganadores na implacável cronologia!Tudo mudará. Eu fico agoniada a cada pegada percorrida, vou, venho... Perco-me nas lembranças intensas.
Sombras permanentes nas paredes, algumas fotos, outros fantasmas que habitam o porão da lembrança.
Esses pensamentos me amedontram. Conheço a trajetória de um sentir.. Choro lágrimas ocultas, tenho consciência do vagar da noite insone.
Eu vou voltar, tudo vai voltar!

terça-feira, abril 21, 2009

Conveniências idiotas


Estou coberta de reminiscências. Martirizando-me com esses devaneios. Sem o coração posso ser quase tudo. Esse sol que expira noite é só noite quando chora.
Minha vida passou a ser uma linha entre o direito e a liberdade, o saber e o humanismo, a coragem de dizer a verdade e a crença. Eu sairia da reta se eu dissesse que sinto a sua falta.
Em silêncio e inteira te fazendo companhia, te ofereço a minha mão e estou ao alcance da tua alma. Estais ao alcance do meu corpo. Calma! Posso nos ver...
Corpo e alma, Reflexos e ecos, fragmentos e pedaços inteiros: amor
Sentimentos ínvios para esse corpo vil.

sábado, abril 18, 2009


Quase todos passam uma boa parte do tempo tentando esconder quem são. Por vezes enterrando a 'essência' tão fundo, que é necessário lembrar de que ela está lá. E, às vezes, só querem esquecer quem são de verdade. É, para você, os segredos da minha vida são inexistentes. É bom perceber que estou flutuando na minha superfície, sem medo. As cicatrizes que hoje enxergo, é uma forma de perceber o quanto o passado foi doloroso e real. Com sensação de que estou curada, largo os meus medos e entrego, definitivamente aquilo que guardei de todos...
Percebendo que isso me ajuda a progredir, é a forma mais perfeita que o futuro poderia se firmar para mim. Meu silêncio nunca me causou arrependimento, eu esperei o meu tempo. Sinto-me aliviada por saber que tenho a você dessa forma. Um eu paralelo, todavia bem mais puro. De tanto arder o contato com pessoas que tinham status importante por puro descuido meu, me vi pó e cinza. É muito satisfatório saber que o tempo foi generoso comigo, ao pôr na minha vida, o que eu esperei por muito tempo.
Para me preocupar, para sentir a inacreditável reciprocidade...
Essa amizade que se faz unânime a cada dia.
Contar os medos que mais me atormentaram, pode ser bobagem (ok, é fácil filosofar quando o outro que ta fodido).
Mas que seja! Eu sinto que o vazio que se fazia presente constantemente, não teve mais vez. Franqueza, sensatez, confiança...
Tenho mesmo que agradecer por tudo o que proporciona, pelo bem que me faz, pela paz que me trouxe de volta...
Eu tive medo da escuridão, mas eu não queria uma simples luz.Eu só não queria sentir que estou só.

(L)muito, muito.

quarta-feira, abril 15, 2009

Claustro


Percebo que quando entro no meu quarto de estudo, me torno atemporal.
Talvez eu esteja certíssima, conheço-me bem o suficiente para apreender a ciranda da minha introspecção.
Em meio aos livros, anotações e impressões pessoais, permito que os pensamentos transcendam sem limites cronológicos ou espaciais.
Dá-me uma sensação de um distanciamento dos fatos comuns pela “escória”, então, esqueço os ruídos do mundo exterior, encasulo-me, sou alguém em permanente solilóquio.
Quero atingir latitudes inesperadas, no ambiente côncavo, meu pequeno-grande claustro, um quadrilátero.
Há em mim, tendências conventuais. Gosto da solidão opcional, do silêncio que me convida ao mergulho vertical, capaz de juntar cacos e fotografar no caleidoscópio da vida.
Não me amedrontam os duendes que adejam sobre a cabeça de um ato de soberania. Tudo que invento é real. E bem sei da capacidade de imaginar. A melhor forma de saber-me parte da humanidade. Não quero amarras nem grilhões que venham a sufocar os gritos de alerta. As pulsações dizem da vontade de ser livre. A cada instante, sinto o balando do ir e vir, as circularidades acontecem, os pontos de interrogação se agigantam, as exclamações, as vírgulas, e, sobretudo o parágrafo inacabado inserem-se na minha biografia.
Não quero pensamentos finalizados; que a linguagem receba sempre a renovação dos momentos: do ontem, da forma que fui; agora, a receber os eflúvios do passado; amanhã, a recriar-me sob a influência de dias atemporais.
Há uma quietude que me agrada na gruta do “oráculo”. Na poltrona, leio Freud.
Suas palavras me confortam porque nelas existe o afago das memórias. Memórias involuntárias que visitam a alma sem pedir licença, chegando de repente, instalando-se, tornando-se companheiras inseparáveis.
Todos nós conservamos nossas metafóricas estradas, afuniladas, largas...
As circunstâncias elaboram o trajeto... Eu sou eu e minha circunstância e se não salvo à ela, não salvo à mim.
Alcançar metas do destino depende do ritmo e da perseverança. Há atalhos que apresenta o andar, outros atrasam a cadência dos passos. É uma questão de escolhas ou de impulsos individuais. Não basta querer ou lembrar. Urge a obstinação no reviver ou num viver diferente.
As bussolas orientam, jamais legitimam as decisões.
Não há fronteiras no meu claustro porque o pensamento atravessa qualquer demarcação. Leio, releio sonho; Situo-me em lugar algum. Nada de limitações.
Estou absolutamente desnuda de qualquer idéia preconcebida. Há uma fera indomada dentro de mim. E, no entanto, sou a mais pacifica das criaturas, aclamo os lençóis.
Qual o tamanho do meu universo? Que importa a materialidade do contorno se ele cabe dentro do meu imo e não há brechas indecisas na imaginação. As asas me servem para sobrevoar mares e territórios, continentes e oceanos, lugarejos ou aldeias. Sou universal e atemporal.
O relógio do corredor tilinta horas, minutos e segundos. E eu sequer o escuto na minha viagem existencial.

segunda-feira, abril 13, 2009

Pacto implícito rompido


Ao descerrar minhas já pesadas pálpebras, observei que estava encarcerada num quarto frio, escuro, com janelas e portas fechadas. Não há saída nem entrada. Estou encaixotada num cômodo 'vazio'. Já não posso mais falar...Os trompetes e as cornetas da natureza, os trovões revoltados, que anunciavam a presença do meu pai, silenciaram-se.
Sinto meu corpo estático, em êxtase, vulnerável. Todavia esse temor também tem um outro lado, não menos devastador porque só nessas condições que sinto o meu pai mais vivo do que nunca, doando seu amor.
Pareco consumida por alguma perturbação ou temor...
Mas o que há para temer? Só há eu nesta cela.
Pai ausente, filho doente(?)

domingo, abril 12, 2009


"Uma andorinha só não faz primavera, nao faz verão"
Aristóteles quis dizer, sobretudo, que por mais significativo seja o ato, para que o mesmo produza efeitos concretos, faz-se necessária, além da pluralidade de sua autoria, uma execução permanente no tempo.Nenhum ato isolado, portanto, sem que haja convivência ou assunção pela sociedade diz seus propósitos e uma execução permanente, terá qualquer capacidade transformadora. Uma preocupação, além de autoral, temporal...do filósofo.
Tal expressão com o caminhar do tempo, foi se aperfeiçoando...e hoje, aqui, acolá, é comum escutá-la com o singelo sentido de que uma pessoa só nao é capaz de resolver os problemas impostos...
Essa dependência fodida.E eu aqui, um parafuso solto na máquina do mundo.

Se nao souber os próximos lances desse jogo de xadrez, meu amigo...check mate!

sábado, abril 11, 2009


Tem dias que tudo é dúvida na vida.Tem dias em que a vida duvida da nossa existência. A vida insiste em ser duvidosa. A dúvida insiste em tornar nossas vidas. É preciso construir os meios que nos transformam, destruindo as duvidas que imobilizam.
Eu preciso do sorriso profundo, que vem da alma, que clareia o obscuro.
O teu sorriso. O que ele fala? Sorri para o mundo, ou para ti...
O que traz o teu sorriso? O mar, o céu, o vento?E entre muitas gargalhadas, sorri para o tempo.

Enquanto houver coragem..."start over, start over"