quinta-feira, abril 09, 2009

Volta sem cheiro de mar.


Sabe quando só diante do mar é possível dizer algo sobre sereias? Devo ter escutado alguma voz, algum som, algum eco do seu canto. Aqui, ou lá... Não sei.. Posso ter esquecido o lápis de duas pontas e uma folha dobrada em quatro (me lembra analise comportamental) eu não estenderia, não nesta tarde, o meu corpo ao acalento de uma rede, para fugir, não do perigo das sereias, mas de uma possível analise precipitada...
Nunca escrevo em pé, a não ser quando a insônia reivindica. Uma rede elastece o meu pensamento.
É um modo de misturar razão com sonho. A utopia do ontem...
O sonho.. Ah, pra mim é horizontal! Todavia a idéia sempre é vertical. Quando cumpro a proposta e uso dez dedos no computador, utilizo uma espécie de bóia, um acento anatômico, recomendado pela medicina para os sedentários, não propriamente para evitar escaras, porém para não sentir, fisicamente e sentimentalmente, as conseqüências apontadas por outro alguém...
Para escrever ou viajar, já que atravesso o meu tempo, olho um pouco a tristeza. O fim do dia está meio chuvoso e o mar é mais um som do que uma cor. Ou cor no som e vice versa...
Deve ser menos difícil imaginar uma sereia com um ser híbrido...
Essa proeza inusitada mata, eu sei! Não quero argumentar que o silêncio seja o som sem som, a voz insonora, a palma de uma mão só...
Prefiro imaginá-lo feito um vidro, uma lente de contato sobre o olho do mar. O próprio céu, quem sabe?Quase cinzento, ou debruçando o extinto azul no verde extinto...
Posso ser só força, só sabedoria, só voz... Um único eco dos meus átomos.

quarta-feira, abril 08, 2009


A intensidade das horas nao me permite subtrair pedaços de alegria, nem de tristeza. Tudo guarda o seu lugar no palco da vida. No claustro mediativo do quarto de estudo, recobro emoções. Saudo a menor parte que integra a totalidade do meu rosto. Entre o fervor das lembranças e a fotografia do presente, habita-me a intensidade das experiências acumuladas.
Tempos cruzados, emoções igualmente cruzadas...uma ida de volta de recordações.
De olhos abertos, coração mexido e um instante novo.

Memórias de uma viagem


Recolhida no quarto de estudos, começo a divagar sobre os acontecimentos dos anos que foram passando.
Tantos afazeres!Uma série de compromissos inadiáveis, fui e voltei, logo ali...João Pessoa. Encantou-me com sua receptividade amorosa, lá estive dois dias, que me fizeram recrudescer os afetos pela cidade.Os sentimentos um tanto exteriorizados. Encantei-me prematuramente, deixando um enorme vazio. As nuvens ainda acinzentadas no horizonte crepuscular ainda choravam a perda irreparável.
Andei pelas ruas, apreciei a orla marítima. No caminho de regresso, a vigiar a natureza, percebi o quanto me enternece a miragem da terra; Então me descubro cada vez mais apegada aos estímulos atávicos. E, no entanto, sou tão urbana!Mas há em mim uma menina que não conheceu a vida rural, ainda que dela se nutra razão das fantasias do inconsciente. Escutei histórias que me fixaram em outras 'glebas', existem saudades que se desvelam ao sopro das 'antigüidades'. Enquanto o carro deslizava, as lembranças me invadiam, uma forma de refrigério para um corpo cansado. A manhã estava linda...
Anos transcorreram; seria a mesma pessoa a de ontem e a de hoje? Ou tudo não passava de uma imaginação fecunda? Realidade ou ficção? Pouco importa. O fato é que em mim moram mundos opostos, “eus” diferentes. Ainda bem que sou capaz de me transformar a cada dia, de vivenciar fragmentos escondidos em algum lugar, de recolher os pedaços que andam por aí; A multiplicidade me faz una, basta-me um caleidoscópio com vários ângulos. Preciso estimular a harmoniosa convivência entre meus personagens; Afinal, conheço-me tão pouco! Talvez o desejo de mudança alimente a devoção pelos longes. Tudo é novo e me induz a aplaudir a cerimônia do agora, a que já se esvaiu a que vem a ser...
Jamais suportaria traços inflexíveis. Crio veredas, estou sempre pronta para enriquecer o cenário da festa. Junto aos cálices; celebro o momento. Em cada taça, há um tempo que tem seu tempo.

segunda-feira, abril 06, 2009

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Estamos a viver, neste momento, a fase mais ativa dos feromônios dos influentes. Acontece em todas as realidades ou espaços geográficos. É tempo, portanto, de alimento da criatividade. Falo, naturalmente, do pequeno amor. O grande já possui imaginação em abundância.
Confusão com todo esse sentimentalismo. Com fusão de ternura e racionalismo.Só corro se for apaixonada, socorro esse coração dilacerado.

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Enfim, só!

♪Creep

sábado, abril 04, 2009

Tu queres, tu fazes e outras bobagens.


De repente, em cada roda de papo, em cada esquina, cada mesa de bar ou ante-sala de consultório, pelo menos um “Zé alguém”.
A gramática, que no conceito clássico nada mais é que a sistematização dos fatos de uma língua, de um momento para o outro passou a ser o mote de todas as análises. De uma para outra hora, a cidade foi tomada por cultores das normas eruditas. Pura hipocrisia ou exibicionismo desvairado.
A presença inútil de tremas, hífens e algumas letrinhas, nada altera a vida dos cidadãos. Que falta fazem dois pontinhos? Os tracinhos, mais reveladores de ignorância que aglutinadores de expressões? E a oficial volta dos Y, K e W, que jamais deixaram de ser usados?
De certo que as alterações tão comentadas atingiram se foi o caso, a ortografia, a própria língua, pouco ou quase nada o seu estudo. A analfabeta gramatical que sempre fui, permanecerei. Com cautela, não faz mal a ninguém, continuarei a cometer meus textos, driblando as vacilações sempre que possível.
Difícil é enfrentar ou conviver com a barbárie que assola mais intensamente a conversação da juventude, embora não só dela. E isso dói o ouvido. E o ouvido, é tudo, ou quase, nesse caso. Não é estranhável, pois, que se fale com o ouvido. Atentos a ele. Afinal, é corriqueira a existência de pessoas que não sabendo “música”, tocam de ouvido.
Menos mal, se bem que igualmente execrável é a importância de vocábulos inusuais em nossa linguagem e, acima de tudo, erroneamente, utilizados, tipo RG e CIC.
Se não cuidarmos em tempo, daqui a pouco estaremos adotando o nefando holerite.
Não é demais notar que mesmo praticantes do “tu faz, tu gosta”, por vezes escreve corretamente. É conhecida a observação de que escreve bem aquele que escreve o mais próximo do que fala.
Seria bom, mas imagino os desastres por aí....
Pega bem e se evita a constatação de Macunaíma de que o brasileiro branco fala uma língua e escreve outra.
Neste caso, sou conservadora. Eu cuido, afinal, que ‘tu fazes, tu queres’. Progresso, não é?

sexta-feira, abril 03, 2009


Percebo em minha volta.Percebo seus olhos molhados,avermelhados,todavia as lágrimas insistem em não cair.Fita o turbilhão das avenidas cheias do nada e pergunto para que tudo aquilo, qual o sentido daquilo?
Demônios antigos me atormentam, o mundo gira no ritmo da minha mente.Não encontro uma resposta, mas divago horas no vácuo da pergunta.Começo a tremer e a tentar balbuciar algumas palavras inúteis.Olho em volta, num pedido de socorro...quando vão parar para pensar e ver?Não se sabe, sabe-se apenas que permanece lá, quase todos os dias, durante anos.Anos a fio, almejando a resposta, refletindo em meio ao turbilhão.

Se estiver esperando que eu complete frases para que tenham sentido, suma! O sentido está no seu outro lado, na sua capacidade de compreensão.

quinta-feira, abril 02, 2009

Quase parou,


...mas és metade do inteiro que eu sinto.Eterno retorno, sempre voltas...sempre estou aqui.
Para você, por você, por nós; interte! Para outros, tabernáculo.
Entre um grito mudo e um olhar súplice, muitas vezes sinto o seu sorriso nascer úmido e ir, aos poucos...mas deixando a certeza de que voltarás.
Sim, o nosso tempo!
♥