quarta-feira, junho 17, 2009

Silêncios, o silêncio!


Movida a ritmos ou falta deles. Gosto de andar por aí, despida de qualquer compromisso, olhar o mar, sentir aquele cheiro, apreciar a lua, apontar para as estrelas, pisar em areia virgem. Mas gosto, sobretudo, de recolher-me ao claustro, vigiar a chama da vela acesa, transformando-se, transformando-me..., deixar que pensamentos me invadam; Então sou pura imaginação, sequer sei o que se passa fora do meu quadrilátero de aconchego. Ouço música, permito inventar-me do jeito que eu quero.
Sobre a fina epiderme, assalta-me uma sensação de felicidade quase orgânica. Estou livre do mundo exterior ou ligada a ele pelo universo dos sentidos.
Fabrico e refabrico os desejos perdidos lá atrás.O prazer pelo silêncio é imenso, pela mansidão das palavras não ditas, por lábios que sibilam o inaudível. A essência não precisa ser pronunciada. Escuto-me, digo-me tantas vezes o que não devo, que calo-me em susto. Ouço as palpitações, um turbilhão interior agasalha o espírito, confortando-me. Conheço um mínimo da minha alma, que seja! E, no entanto, como ela me engana com as suas imprevistas ciladas. Antes assim...as linearidades não favorecem o crescimento individual. Estou convicta que as pulsações representam a semente de qualquer maturidade. Multiplico-me em sentido côncavo e, a cada movimento intimista, converto-me em um baobá de raízes seculares.
Neste momento, perscruto o relógio: são onze horas da noite e vinte e um minutos, chove, o vento uiva pela fresta da janela, os homens dormem, as árvores balançam, faz frio. O corpo, o meu, alberga-se em tecido mais espesso, encolhido ao seu canto, já rogou por amparo, mas existem apenas os ruídos da natureza, os ecos sonoros da chuva e do vento que acalantam o silêncio que me habita. Nada macula o estado de recolhimento.
Entre a menina andeja que visita a cidade, deambulando por ruas e mais ruas, indo e voltando, vigiando os lugares mais ermos, e a menina que esconde intencionalmente entre quatro paredes, em absoluto repouso do dia, pausa necessária à existência, luz apagada, somente a vela mostrando a chama ardente, mutação, fogo vibrante, não se apontam divisões, sim laços interativos.É preciso fugir para regressar ao epicentro do ser. Vontades díspares enriquecem o advir.Há o partir e o chegar. Na balança pendular, constato, entretanto, a forte propensão à condição de...sei lá!
Sou outra em retraimento. O oxigênio da quietude aumenta as forças, renovo-me, acato os fantasmas que me acalmam, nenhuma estranheza emerge desse estágio letárgico. E a alma no êxtase da serenidade.

Porque gosto tanto da reclusão? Por temperamento, cativam-me visões profundas, assíduas, indagnações, uma espécie de vivência introspectiva, o imo à procura de grutas ocultas, secretas, desérticas. Nunca almejei atender aos anseios, há que se manter uma parte de si encoberta pela fumaça dos mistérios, alguns mais próximos, outros mais distantes, todos pertencentes ao mesmo tronco identitário. Não quero simplificações!Tampouco acreditar em retratos apressados, nem sei definir-me.
Bastam-me os elos enredados entre si, como uma teia de aranha bem tecida.Só, no silência monástico, guardo-me em fortalezas que ainda entrontro em pilares destroçados.
A muralha não é de pedra, mas é de uma invisível "solidão" que se constói. Edifico dia após dia a malha de bilros, clarividências, desenhos indecifráveis ( O dadaísmo me salva nessas horas, ok).
Nem sempre o resultado é compatível com a esperança depositada na laboriosa fabricação. Todo trabalho de construção interior possui valor em si mesmo.
Que esforço desprendo para ser completamente inteira. Esforço talvez inútil. Por isso, caminho em estradas e estradas, acabo me refugiando em prolongados 'retiros', ora mais meditativa que andeja, ou vice-versa.
De qualquer forma, o pensamento me acompanha na agudeza da introspecção, no que é percebido pelo sentimento, no que o coração fisga com mais vigor. Faço da minha vida um exercício perene de autoconhecimento. E eu nunca sei quem sou.


"Tenho fases como a lua, dases de andar escondida, fases de vir pra rua"

quinta-feira, junho 04, 2009

Em tempos aparentemente intensos a místicas transcendências, cujo obsessivo racionalismo fere no nascedouro o próprio conceito de sobrenatural. Onde estão, onde estais?
Como a neve (ou açúcar), dissolveu-se. Já não ousam abrir as portas do visível vir e habitar, ou pelo menos passear aqui, dentro de mim. É como se vivos e mortos, cada um com o seu lado, já não soubessem se imaginar: uns e outros atrelados à radicalidade do ser e do não ser ou ao visgo da 'esterilidade', não da duvida, mas das certezas que impedem a 'poesia' de um convívio.
É no discurso do mundo invisível que vai se tornar visível quando eu permitir, que insiste em negar os relógios. Que as assombrações tragam aos meus olhos a poesia e a sabedoria de escolha.

quarta-feira, maio 27, 2009

Sempre na mente, de vez em quando corre na face. Talvez um sonho, um pensamento...sei lá. Outra vida.O sangue, as lágrimas...gota a gota vão desenhando no tempo o que nunca pude viver.Os gritos chegam a me emudecer, os sorrisos doloridos, entristecer.A dor do sentir, do nao viver cega.Como quem sofre pelo que o coração nao nega.O orvalho que a face goteja.Orvalho vertente da pupila que se mantém inerte, riscando um sorriso na mascara de cera.

domingo, maio 24, 2009


Esse sentimento pode até ter vindo de poesia, a tudo acrescenta alegria, enquanto só me esvazia.Despercebida, contudo, julgo que tudo isso tenha conteúdo para poder analisar a miúdo.De tanto racionalizar, vou adquirindo o medo de amar, medo do amor. Mas me deixo levar pelas duvidas que ainda pairam.Perco-me em teorias infundadas, quase sempre sem sal, frias... assim paro os meus longos dias.Criatura cheia de conjecturas,todavia carente de ternuras.
O que me fará se um dia me sobrar 'saber' ?Se eu não puder embeber a minha alma na de outro ser?

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The Fray - Never say Never♪
Não consigo ser quem fui, não consigo fazer com que sejas quem foste!Não posso mudar o passado.Essas coisas não passam de lembranças cheias de afetos, mas nenhum afeto solto.
Esse futuro pode ser ilusório, mesmo que já tenhamos planejado o bastante,não seremos o futuro que viamos ontem...As coisas sofreram e sofrerão mudanças, os valores podem até mudar.Será que ainda sentiremos desejo, amor...?
É, não sei!
Presente, só mais uma ilusão.É dificil aprender que as coisas vão e vem, vão e ficam...causa tanta angústia esse medo de perda. Preciso compreender que ganho quando perco. As coisas, o tempo, as pessoas passam por mim e eu por elas, mas nada, nada nos une senão as ilusões que um dia foram partilhadas.
Hoje, eu posso ter soluções, amanhã, apenas os soluços!

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E não, isso não é uma confissão de um ser derrotado... nao cuspiria meu âmago assim. Vez ou outra ele passeia na superfície, mas nem sempre tem vez. Não aqui, aos olhos de um qualquer.
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Sonata Arctica - Paid in Full♪

sexta-feira, maio 22, 2009

Dentro do léxico etimológico semântico, posso sem medo, usar a sintaxe morfológica, subentendo a conotação de algo pirético e efêmero.Nitidamente contemplo uma cosmovisão sob uma égide nilística e exacerbada de um ser 'idílio'... Uma relação profunda, todavia com pouca importância somada.


Marisa Monte - Não é fácil♪
A noite parece não querer ter fim, as dores sentem necessidade de estarem acentuadas mesmo quando tudo é claro. Preciso saber o que é certo e agir em consonância com essa crença. Mas sem hipocrisia! A ânsia e a avidez por mudanças nesses mecanismos sentimentais. Inovando a brilhante idéia 'pactuária' de sentimentalismo, repensando sobre a competência de quem diz não sentir. Não me envergonhando de mudar de idéia uma vez, de pensar talvez. Ou então restará o silêncio da incapacidade.
Não é tão seguro investir, mas é preciso esquecer as antigas lições, mudar os velhos conceitos, apostando numa reciclagem sentimental. Abolindo os atrasos que engulo indigestos por meses, promissores de esperanças nunca realizadas!
Devolve o que ainda está contigo, mas que me pertence...o que tu nao cuidaste, nem nunca irás cuidar. Devolve o amor latente ao corpo vazio.
Deixe-me com o aparente morango com sabor de limão;ainda há quem não queria viver em vão.