quarta-feira, março 11, 2009

A presença da tua ausência



Em cada fase da vida, as nossas perguntas têm um sentido, mas eu tenho comigo todas as idades.
Só terei a ultima ilusão quando eu achar que perdi todas
As histórias de amor podem não ter futuro, mas têm sempre passado. É por isso que as pessoas se agarram a tudo o que as remete de volta ao que perderam. Os modernismos não podiam mesmo durar. Nem mesmo as revoluções. Ninguém vai construir uma casa à baixa do abismo (...)
Não há pressa em declinar o sol ameno e semi luminoso da tarde prolongada. Aos poucos, desvanece e se esfuma sem deixar traumas ou rupturas. Um adeus que convida a lagrima; Quase sereno ou, pelo menos reconfortado na doce previsão do retorno.
Coração apertado, quase sem fôlego, para ela, as despedidas representam usurpações inesperadas. Enquanto a natureza retém gestos de fina sensibilidade, eu esqueço o direito de enternecer-se.E o descabido e incrédulo orgulho se apossa ao modo de severa tirania. Vã soberba de um anódino poder.
Ah, como tudo é efêmero!
O instante que escrevo já se foi. O futuro que já é passado, o futuro, o futuro...
As pombas repousam sobre o meu ombro e batem as asas na intermitência do vôo. Desenham a moldura da instabilidade. Imobilizada pelo excesso de pensares, transito em celas inconfessáveis.
Viver sem fundamentos, só porque tens um dia de graça. O que mais busca?Haverá resposta para o meu circulo imaginário?
Ninguém me ouve, tampouco me acusa de desejos transgressores. Todos os dias, invariavelmente todo os dias, abrigo-me sobre o “esconderijo”. Em voz baixa, confesso o indizível. O exercício do inaudível monólogo cobre-me de forças para perceber o peso das indefinições.Nada é.
Tudo se resume à interjeições, inconsistência...
De concreto, só a poltrona branca, que se mantém inerte e até hoje insubstituível.
A saudade arranha. Há sulcos que multiplicam e alegrias que declinam.
Esqueço que as flores brotam, que leio sobre Demócrito...e que a poltrona branca, encontro-a dentro de mim. Para quê fugir? Rendo-me ao solilóquio. Mas as juras não foram em vão, um dia eu voltarei...

A saudade me diz onde devo estar.

4 comentários:

  1. Mi lembrou Clarice Lispector..
    Lindo!

    Poxa floor, vc escreve mtoo bein!

    *__*

    By:Bianca_

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  2. Parabéns Bruna!
    Nossa jovem escritora pernambucana com grande futuro.
    Belíssimo!

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  3. Parabéns!
    MUUUITO BOM..
    Continue assim :D

    .....
    http://alexandremouro.blogspot.com

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  4. Às vezes, mas apenas às vezes, penso que o ser humano deveria ser eterno. Eterno de tal forma a lembrar-se não apenas do passado, do passante, mas também do futuro.

    Às vezes penso que devemos nos refugiar num momento entre o limite do que se foi e do que ainda não chegou. Um ponto diferente do agora... que também se foi. Penso que devemos nos refugiar, deuses-máximos, numa aura absurda, num corpo-tinta, num momento-verbo... Páginas de nós mesmos...

    À esta sua página particular, página dia-a-dia, só tenho elogios.

    Gostei muito de seu estilo... Do modo como 'se lembra do futuro'...

    Beijos!

    Magno
    http://selvabrasil.blogspot.com

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