
Sei que você vivia morto de vivo, anda vivo de morto, Severino. Porém, mais fiel do que um cão, ou a sombra de um cão ‘o seu fantasma’. E por falar em cão, qual diria Vinicius da saudade, sei que você continua discordando de Rubem Braga “O maior amigo do homem é o cão”. E, conseqüentemente, o do próprio Vinicius. “O maior amigo do homem é o uísque”, ou, “O uísque é o cão engarrafado”. Porque, em vez do cão engarrafado, para você: “A aguardente é a melhor amiga do homem” Dizendo assim é uma banalização. Todavia, fragmentando a bela palavra – aguardente - em água e ardente, logo se chega a Charles Baudelaire, “E quem comunicou fogo à água?”
Você em vez da crise escolheu o fogo, Severino, vive nele, com fototropismo da borboleta.Volta para o fogo apesar de tudo, não compreende o fogo e a metade de uma asa já queimada, volta, uma vez mais, mas é o fogo, borboleta infeliz, é fogo.Com o excesso do tempo e a escassez das noticias, fui ficando séria a seu respeito, através de uma espécie de dialogo, que virou monólogo ou solilóquio: “e o Biu?” “Nada”. Cada poeta é um livro de poemas, quando ele se perde, como é o seu caso, os poemas também se perdem, os versos voltam ao pó do seu silêncio e não é possível mais reencarná-lo.Quando os escritores morrem, eles se transformam em seus livros. O que, pensando bem, é uma forma interessante de reencarnação. Reencarnação ou reencadernação? (ta, viajei).
Ah, de um poeta desencadernado, somente Deus pode lhe juntar as paginas.Segundo algum ser pensante, a Mao de Deus está presente em todas as traduções, e é sua mão que reencadernará todas as nossas folhas dispersas para aquela biblioteca onde cada livro deverá jazer aberto para o outro, Onde eu falava sozinha, mas você me respondia vez ou outra.Você, Severino, anda precisando de reencarnação e reencadernação, digo, a sua lagarta que já foi borboleta, deve voltar a ser borboleta e o seu livro, que já foi inteiro, deve voltar da própria dispersão.Que falta você faz, Severino. A pronúncia veemente do seu substantivo e adjetivo de dois gêneros lançada na cara do dito-cujo: Imbecil!
Que falta faz sua crítica, sua poesia, que falta faz sua falta! A escória multiplica-se como gafanhotos, ou para ser mais atual, mosquito da dengue, sanguessugas.A máquina está desvairada, está pervertida de insetos monstruosos.Sei que você pode deixar de ter lido jornal e só vê uma antiga revista fútil que ainda paga seu onanismo com as poses alheias. Portanto, a não ser que alguém lhe encontre e diga, não me lerá. Você, se dos outros vivia escondido, anda tão escondido de si mesmo que, nem lendo “Morte e vida Severina”, dirá a João Cabral de Melo Neto: ‘O meu nome é Severino.
Mesmo que seja difícil defender a vida apenas com palavras, a resposta é a falta da sua ausência. A melhor resposta pode ser o impacto da vida, mesmo que seja uma vida ‘severina’.
Esse é aqueli di aplaudiir di péee..
ResponderExcluirperfeitoo Brunaaa!
Parabéns, vc é um talentooo!
by:Bianca