sábado, março 06, 2010

Que idade tem os meus desejos? Sei que percebo adolescentes, plenos de energia no fundo, quase infantis, mais jovens que o corpo. Há uma miríade de vontades que não corresponde à versão cronológica. O hiato cresce à medida que os dias fluem. E entre conflitos, a alma se expande, transbordando-me. A vida linear seria insípida sem altos e os baixos das emoções.
A rotina, ela por s, já garante o movimento interno de cada um. O que vale é esse balanço de uma intinerância que oscila do sim para o não. Do não para o sim em compasso pendular. O equilíbrio dos contrários traz a harmonia da vida: ora de um lado; ora de outro. E a caminhada persegue linhas centrais do pensamento.
O paradoxo sustenta a unidade. Somos feitos de partes desiguais, fragmentos que se espalham por aí, pequenos estilhaços e grandes pedras rochosas, ainda virgens de lapidação. Trago a sensação de que preservo gavetas no consciente, todas interconectadas. Por uma medida pragmática, procuro fechar uma e abrir outra, como se fossem independentes, com identidade própria e domínio igualmente próprio. Ainda que o exercício das gavetas favoreça atos de objetividade e subjetividade, os elos não são atingidos. A cadeia permanece.Sou um todo constituído de somas, dividendos, multiplicações e subtrações. Busco adição como o elemento mais favorável á construção do meu ser, e a passagem dos dias, meses e anos impele-me o esbanjamento da constelação de mim.
Quero as veias a latejar pulsantemente, a sentir os fluxos e refluxos nos seus ápices, sem restrições, numa doação completa e prazerosa. Viver é experenciar intensos sentimentos. Do zero ao infinito, as sensações variam dentro de uma cadência cotidiana. Os meus êxtases se desdobram nas fantasias do possível..
Pode parecer estranho, mas faço do pensamento, um ato de lazer. Nele me descubro, me invento, me reinvento, me isolo ou interajo com vividez . E não importa o tempo de duração: no pensamento, tudo é eterno. Vou longe, atravesso os oceanos que me habitam, desembarco em portos distantes, sigo em direção incerta e acabo me confundindo numa geografia que não tem lugar.
Do que se conclui que pensar é um ato solitário tanto quanto pleno de multidões.
Multidões silenciosas que ajudam a fortalecer o eu pessoal.
Será possível deixar de pensar?

No paradoxo que sou eu, o pensamento consigna o meu ponto de fuga e de realidade. Brinco com as palavras mudas, e também com as palavras escritas, na tentativa de torná-las partitura de mim. Assim, deambulo entre sendas as mais diversas e me apreendo cúmplice das palavras, palavras que formam pensamento ou apenas revelam o âmago da existência.
Palavras e pensamentos, caleidoscópio perfeito.

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