sábado, abril 18, 2009


Quase todos passam uma boa parte do tempo tentando esconder quem são. Por vezes enterrando a 'essência' tão fundo, que é necessário lembrar de que ela está lá. E, às vezes, só querem esquecer quem são de verdade. É, para você, os segredos da minha vida são inexistentes. É bom perceber que estou flutuando na minha superfície, sem medo. As cicatrizes que hoje enxergo, é uma forma de perceber o quanto o passado foi doloroso e real. Com sensação de que estou curada, largo os meus medos e entrego, definitivamente aquilo que guardei de todos...
Percebendo que isso me ajuda a progredir, é a forma mais perfeita que o futuro poderia se firmar para mim. Meu silêncio nunca me causou arrependimento, eu esperei o meu tempo. Sinto-me aliviada por saber que tenho a você dessa forma. Um eu paralelo, todavia bem mais puro. De tanto arder o contato com pessoas que tinham status importante por puro descuido meu, me vi pó e cinza. É muito satisfatório saber que o tempo foi generoso comigo, ao pôr na minha vida, o que eu esperei por muito tempo.
Para me preocupar, para sentir a inacreditável reciprocidade...
Essa amizade que se faz unânime a cada dia.
Contar os medos que mais me atormentaram, pode ser bobagem (ok, é fácil filosofar quando o outro que ta fodido).
Mas que seja! Eu sinto que o vazio que se fazia presente constantemente, não teve mais vez. Franqueza, sensatez, confiança...
Tenho mesmo que agradecer por tudo o que proporciona, pelo bem que me faz, pela paz que me trouxe de volta...
Eu tive medo da escuridão, mas eu não queria uma simples luz.Eu só não queria sentir que estou só.

(L)muito, muito.

quarta-feira, abril 15, 2009

Claustro


Percebo que quando entro no meu quarto de estudo, me torno atemporal.
Talvez eu esteja certíssima, conheço-me bem o suficiente para apreender a ciranda da minha introspecção.
Em meio aos livros, anotações e impressões pessoais, permito que os pensamentos transcendam sem limites cronológicos ou espaciais.
Dá-me uma sensação de um distanciamento dos fatos comuns pela “escória”, então, esqueço os ruídos do mundo exterior, encasulo-me, sou alguém em permanente solilóquio.
Quero atingir latitudes inesperadas, no ambiente côncavo, meu pequeno-grande claustro, um quadrilátero.
Há em mim, tendências conventuais. Gosto da solidão opcional, do silêncio que me convida ao mergulho vertical, capaz de juntar cacos e fotografar no caleidoscópio da vida.
Não me amedrontam os duendes que adejam sobre a cabeça de um ato de soberania. Tudo que invento é real. E bem sei da capacidade de imaginar. A melhor forma de saber-me parte da humanidade. Não quero amarras nem grilhões que venham a sufocar os gritos de alerta. As pulsações dizem da vontade de ser livre. A cada instante, sinto o balando do ir e vir, as circularidades acontecem, os pontos de interrogação se agigantam, as exclamações, as vírgulas, e, sobretudo o parágrafo inacabado inserem-se na minha biografia.
Não quero pensamentos finalizados; que a linguagem receba sempre a renovação dos momentos: do ontem, da forma que fui; agora, a receber os eflúvios do passado; amanhã, a recriar-me sob a influência de dias atemporais.
Há uma quietude que me agrada na gruta do “oráculo”. Na poltrona, leio Freud.
Suas palavras me confortam porque nelas existe o afago das memórias. Memórias involuntárias que visitam a alma sem pedir licença, chegando de repente, instalando-se, tornando-se companheiras inseparáveis.
Todos nós conservamos nossas metafóricas estradas, afuniladas, largas...
As circunstâncias elaboram o trajeto... Eu sou eu e minha circunstância e se não salvo à ela, não salvo à mim.
Alcançar metas do destino depende do ritmo e da perseverança. Há atalhos que apresenta o andar, outros atrasam a cadência dos passos. É uma questão de escolhas ou de impulsos individuais. Não basta querer ou lembrar. Urge a obstinação no reviver ou num viver diferente.
As bussolas orientam, jamais legitimam as decisões.
Não há fronteiras no meu claustro porque o pensamento atravessa qualquer demarcação. Leio, releio sonho; Situo-me em lugar algum. Nada de limitações.
Estou absolutamente desnuda de qualquer idéia preconcebida. Há uma fera indomada dentro de mim. E, no entanto, sou a mais pacifica das criaturas, aclamo os lençóis.
Qual o tamanho do meu universo? Que importa a materialidade do contorno se ele cabe dentro do meu imo e não há brechas indecisas na imaginação. As asas me servem para sobrevoar mares e territórios, continentes e oceanos, lugarejos ou aldeias. Sou universal e atemporal.
O relógio do corredor tilinta horas, minutos e segundos. E eu sequer o escuto na minha viagem existencial.

segunda-feira, abril 13, 2009

Pacto implícito rompido


Ao descerrar minhas já pesadas pálpebras, observei que estava encarcerada num quarto frio, escuro, com janelas e portas fechadas. Não há saída nem entrada. Estou encaixotada num cômodo 'vazio'. Já não posso mais falar...Os trompetes e as cornetas da natureza, os trovões revoltados, que anunciavam a presença do meu pai, silenciaram-se.
Sinto meu corpo estático, em êxtase, vulnerável. Todavia esse temor também tem um outro lado, não menos devastador porque só nessas condições que sinto o meu pai mais vivo do que nunca, doando seu amor.
Pareco consumida por alguma perturbação ou temor...
Mas o que há para temer? Só há eu nesta cela.
Pai ausente, filho doente(?)

domingo, abril 12, 2009


"Uma andorinha só não faz primavera, nao faz verão"
Aristóteles quis dizer, sobretudo, que por mais significativo seja o ato, para que o mesmo produza efeitos concretos, faz-se necessária, além da pluralidade de sua autoria, uma execução permanente no tempo.Nenhum ato isolado, portanto, sem que haja convivência ou assunção pela sociedade diz seus propósitos e uma execução permanente, terá qualquer capacidade transformadora. Uma preocupação, além de autoral, temporal...do filósofo.
Tal expressão com o caminhar do tempo, foi se aperfeiçoando...e hoje, aqui, acolá, é comum escutá-la com o singelo sentido de que uma pessoa só nao é capaz de resolver os problemas impostos...
Essa dependência fodida.E eu aqui, um parafuso solto na máquina do mundo.

Se nao souber os próximos lances desse jogo de xadrez, meu amigo...check mate!

sábado, abril 11, 2009


Tem dias que tudo é dúvida na vida.Tem dias em que a vida duvida da nossa existência. A vida insiste em ser duvidosa. A dúvida insiste em tornar nossas vidas. É preciso construir os meios que nos transformam, destruindo as duvidas que imobilizam.
Eu preciso do sorriso profundo, que vem da alma, que clareia o obscuro.
O teu sorriso. O que ele fala? Sorri para o mundo, ou para ti...
O que traz o teu sorriso? O mar, o céu, o vento?E entre muitas gargalhadas, sorri para o tempo.

Enquanto houver coragem..."start over, start over"

quinta-feira, abril 09, 2009

Volta sem cheiro de mar.


Sabe quando só diante do mar é possível dizer algo sobre sereias? Devo ter escutado alguma voz, algum som, algum eco do seu canto. Aqui, ou lá... Não sei.. Posso ter esquecido o lápis de duas pontas e uma folha dobrada em quatro (me lembra analise comportamental) eu não estenderia, não nesta tarde, o meu corpo ao acalento de uma rede, para fugir, não do perigo das sereias, mas de uma possível analise precipitada...
Nunca escrevo em pé, a não ser quando a insônia reivindica. Uma rede elastece o meu pensamento.
É um modo de misturar razão com sonho. A utopia do ontem...
O sonho.. Ah, pra mim é horizontal! Todavia a idéia sempre é vertical. Quando cumpro a proposta e uso dez dedos no computador, utilizo uma espécie de bóia, um acento anatômico, recomendado pela medicina para os sedentários, não propriamente para evitar escaras, porém para não sentir, fisicamente e sentimentalmente, as conseqüências apontadas por outro alguém...
Para escrever ou viajar, já que atravesso o meu tempo, olho um pouco a tristeza. O fim do dia está meio chuvoso e o mar é mais um som do que uma cor. Ou cor no som e vice versa...
Deve ser menos difícil imaginar uma sereia com um ser híbrido...
Essa proeza inusitada mata, eu sei! Não quero argumentar que o silêncio seja o som sem som, a voz insonora, a palma de uma mão só...
Prefiro imaginá-lo feito um vidro, uma lente de contato sobre o olho do mar. O próprio céu, quem sabe?Quase cinzento, ou debruçando o extinto azul no verde extinto...
Posso ser só força, só sabedoria, só voz... Um único eco dos meus átomos.

quarta-feira, abril 08, 2009


A intensidade das horas nao me permite subtrair pedaços de alegria, nem de tristeza. Tudo guarda o seu lugar no palco da vida. No claustro mediativo do quarto de estudo, recobro emoções. Saudo a menor parte que integra a totalidade do meu rosto. Entre o fervor das lembranças e a fotografia do presente, habita-me a intensidade das experiências acumuladas.
Tempos cruzados, emoções igualmente cruzadas...uma ida de volta de recordações.
De olhos abertos, coração mexido e um instante novo.