quarta-feira, abril 29, 2009


Num mundo perfeito, deveria haver alguém ou alguma força superior que disparasse uma campainha para avisar aos daqui da terra quando um relacionamento amoroso está no começo, no meio ou no fim.
É, muitas tolices são cometidas apenas porque , do lado de dentro, não conseguimos vislumbrar esse importantíssimo dado temporal.
Muitas vezes pensamos estar no começo, aparências indicam, mas os fatos não confirmam.
Ter sensação de um tempo perdido diante de todos os "não me toques" usados para preservar o inicio de uma relação. Não perder tempo sendo ‘incubadeira’ de um amor sem futuro. Racionalizar não é verbo que combine com apaixonar. Não é fácil deixar ir algo que um dia foi bom demais.
Mas, para evitar dor descartável...
O amor acabado toca tão alto que quase não nos deixa dormir. Num "tique-taque" feroz que nos faz acordar no meio da noite, o coração acompanhando o compasso que tem data marcada para parar de vez. O tempo extra, que teimosamente insistimos em dar. É o seu marcapasso.A campainha toca, irritantemente, nas pequenas desatenções, e nos esquecimentos que prenunciam o ponto final.
E também toca na falta, de uma coisa que esteve ali, dias atrás, quando amava e achava que era amada.

Faço silêncio, ouço a campainha, o barulho que atormenta, por vezes os 'atores' voltam, se desculpam, mas não há outra vez... A vida não tem ensaios. Dia de estréia, todos os dias. Acolho apenas a consciência da saudade. E só.

terça-feira, abril 28, 2009

   


Em todos os segmentos da nossa realidade, foram sendo quebrados os espelhos que refletiam a imagem ideal. Não foram construídos outros personagens a partir dos quais tínhamos como referência nos nossos projetos de vida. E eu não conheço momento na história, sem que tivéssemos referenciais a serem seguidos.
Procuro, em diferentes e amplos campos, algo que seja incomum em todos esses 'nomes' que são usados como referenciais, que construíram e que ainda constroem os nossos sonhos mais utópicos, talvez...
Que não se sentiram satisfeitos em viver a história, nem narrá-la: construí-la. Ai não resta qualquer duvida. Pessoas que alinham as suas condutas pela coerência, e principalmente, pela ética.
Posso acrescentar outro sentimento à minha 'comoção' e à indignação: a tal frustração, talvez. Quem sabe, em muitos casos, a terceira, como causa das primeiras. Ou seria conseqüência?Sei lá!
Depositei as minhas melhores expectativas nas 'novas' referências que foram aparecendo no decorrer desses últimos anos...
Mas elas, infelizmente, não pautaram as condutas pela coerência e muito menos pela sensatez. E eu não sei por que me decepciono ainda com coisas corriqueiras... Fico subestimando a capacidade de algum ser me decepcionar, burrice.
Se desejar outra realidade, a do "ser", e se quiser manter os valores preciosos, é preciso, urgentemente, haja uma recuperação dos fundamentos básicos: coerência e sensatez.

Como pode se formar um caráter de uma geração futura, se a família, que deveria exercer o papel de proteção, mata?
Se a escola que deveria ter um papel enorme na educação, destrói por muitas vezes? Se a igreja vende indulgências?
Se o resultado do 'suor', não é repartido?Como construir um íntegro cidadão, se, desde muito cedo, ele pode perceber que os escolhidos para prover, coletivamente, a proteção, educação, saúde, própria cidadania, tiram o que é de todos, para proveito individual? Que diferente do que deveria, ele também pode ser dar conta que a vida pode ser construída com a contribuição de cada ser, para beneficiar todos? Que acontece, exatamente, o contrário?
Francamente e infelizmente, aquela duvida que eu alimentei por tanto tempo, se era noticiário que influenciava a novela, ou se era o contrario...a duvida tendeu a dissipação.
Fico cada vez mais convicta de que a realidade alimenta a ficção. São tão poucos os dramaturgos em relação aos tantos personagens da vida, mudar o enredo das novelas bastaria. Mas qualquer mudança não parece fácil.
A realidade não se muda trocando, ou camuflando a noticia.
E o noticiário, nos últimos anos, se o assunto é com relação às nossas referências, não tem sido alvíssaras. O que mais se vê são desvios de coerência, ética, sensatez...
Maus exemplos, pobres valores, péssimos referenciais...
Para a geração de hoje, e as que ainda virão, vivam na plenitude da cidadania, não há que se criar novas leis. Uma lei pode ser legalização de um costume. Mas se os costumes de possivelmente elaborou as leis, são maus, o que esperar da lei já existente?
E porque eu to falando disso? Quase ninguém se importa, mas continuam a dizer que o inferno é aqui.
É o 'senado fantástico'...
Que as portas dessa mudança, sejam forçadas de fora para dentro.
Que as histórias tomem rédeas. Que transformem o sal em mel. Se não colocarem em pratica os bons valores, os maus vão se perpetuar. Por vezes, transformados em lei. E aí, nem mesmo as outras gerações terão boas referências.

É a aristocracia camuflada de democracia, enfim...

Hoje, passando mais tempo em frente a televisão, do que na escola. Mais tempos na internet, do que nas salas de aula...
O ser humano, no seu período de formação, ‘plugou-se’ no mundo, paralelamente se auto-encarcerando entre quatro paredes. Desenvolveu linguagens frias e novas, confiando no lado das emoções, ou na falta delas... E quem não conhece nem corpo, nem alma.
Tornou-se um solitário na multidão.
Eu sei bem como é, e obrigada por não pensar.

quinta-feira, abril 23, 2009

O primeiro ponto de eternas reticências


Eu deveria começar a escrever agora e parar nunca mais, faltaria espaço e até palavras para expressar o que sinto, o bem que quero, o quanto me importo, enfim...
Mais um aninho de vida*-*
Meu anjo ta crescendo (como se eu fosse ‘a’ velha, ok). Não é só porque ta fazendo mais um ano, vivendo porque tem um dia e uma noite de graça...
Nunca escrevi coisas em dias de aniversario, mas você merece tudo de tão lindo e eu desejo as mais belas coisas, os melhores momentos, o que a vida reservou para ti *-*
Parabéns por mais um ano de aprendizado, pelo crescimento imensurável, mesmo que você diga que não, enfim... Por tudo. Se eu for falar todas as qualidades, coitada de você que vai ficar lendo mil aqui.
É a mais unânime das criaturas que pôde aparecer na minha vida. Agradeço tanto por tê-la. É o meu porto seguro, que merece toda a minha consideração, o melhor abraço, toda a minha preocupação, atenção e afins...
A reciprocidade que se faz presente me dá a certeza de que esse é o meu lugar... Onde eu posso fechar os olhos e contar tudo, ouvir tudo... Sem medo.
A taurina mais linda que consegue fazer bem como ninguém, que se preocupa tanto que chega até a me preocupar com isso. O melhor que alguém pode ter; o estar e querer permanecer.

Leio poesias, textos que podem causar impacto, mas nada me soa tão forte e sincero do que as tuas palavras.
Promessas ao vento se perderiam em nuvens sonoras de ar... Esse sentimento inamovível e que transcende! Que ‘feitos’ nunca venham a te entristecer, quero ver você aconchegada num colo à beira mar. Tanta prosa, tantos segredos, episódios, anseios... 'Nosso' destino ainda pousa como uma ave em alguma nuvem por aí. O tempo foi generoso comigo, como eu disse! O resto é conseqüência...
E essa saudade como se fosse depois de passar alguns dias contigo? :~~
Queria mesmo, poder usar pelo menos hoje o meu primeiro melhor abraço, talvez o meu olhar mais sincero...
Eu não costumo ver motivos para comemoração em aniversários, mas eu comemoraria duas vezes a data de hoje. Inúmeras razões. A pessoa mais linda que conheci, o coração mais puro... Admirável dentre as ruínas.
Em vários momentos as tuas palavras que me fizeram permanecer de pé. O melhor presente a vida me ofereceu.
Tua presença é uma força vital, um conforto que reconheço sempre. É o sol presente, é a noite sorrindo para mim. A tal cumplicidade pura que me sustenta e me cura.
Sintonia total e completa, a entrega predileta... é sentir a plenitude de uma união sincera.E agradecer por tudo a cada momento, ao longo de uma vida inteira.

É sincero, vai além do brilho do olhar, da batida do coração, além do que se pode medir, da tua imaginação.

Delicada surpresa com cheiro de eternidade.

Parabéns, meu anjo!

(L) muito

Minha estrela Tay ♥

quarta-feira, abril 22, 2009


Quando a luz se apaga e o silêncio se faz notar pela penumbra da rua; quando os pássaros arribavam em respeito ao prenúncio da noite; quando os homens e mulheres retiravam as cadeiras da calçada após a prosa espontânea de final de dia; quando o ônibus diminuía a sua marcha, quase parando; quando a atmosfera recebia a aragem do agreste; quando os postigos das janelas cerravam a claridade última; quando o vizinho agradecia o 'boa noite' do amigo; quando os carros se faziam ausentes nas ruas habitadas; quando o corpo parecia reclamar do descanso do dia; quando a cozinha limpa aguardava o amanhã.
Eu me entrego aos volteios da noite insone.
Nunca sei o que fazer nessas horas. Da janela, avisto os passos se findando, a noite em plena invasão; ela jamais seguira a paciência do aguardo dos minutos, o futuro. Li a página de um livro, atirei-me no chão, já repousando em estado inerte as folhas escritas.
Sequer conseguia concentrar na leitura dos parágrafos iniciais.
Andei pelo corredor. O pensamento evocando visagens outras, delírios...
Se os anos de um querer a mais roubassem do tempo as horas que lhe foram subtraídas; se a pele ressequida se transmudasse na juventude frustrada, sem avanços, nem recuos... estática. Se o encontro com a ela durasse até hoje; se aquele 'amor' não parecesse estar dissolvido com a ‘pseudo morte’ precoce. Se a vida retomasse o seu princípio, eu não temeria as horas vagarosas. Essa chuva, as mãos geladas nas costas que causava arrepios... é, 210 dias.
Mas os minutos se arrastam. E já foram tão rápidos, céleres, enganadores na implacável cronologia!Tudo mudará. Eu fico agoniada a cada pegada percorrida, vou, venho... Perco-me nas lembranças intensas.
Sombras permanentes nas paredes, algumas fotos, outros fantasmas que habitam o porão da lembrança.
Esses pensamentos me amedontram. Conheço a trajetória de um sentir.. Choro lágrimas ocultas, tenho consciência do vagar da noite insone.
Eu vou voltar, tudo vai voltar!

terça-feira, abril 21, 2009

Conveniências idiotas


Estou coberta de reminiscências. Martirizando-me com esses devaneios. Sem o coração posso ser quase tudo. Esse sol que expira noite é só noite quando chora.
Minha vida passou a ser uma linha entre o direito e a liberdade, o saber e o humanismo, a coragem de dizer a verdade e a crença. Eu sairia da reta se eu dissesse que sinto a sua falta.
Em silêncio e inteira te fazendo companhia, te ofereço a minha mão e estou ao alcance da tua alma. Estais ao alcance do meu corpo. Calma! Posso nos ver...
Corpo e alma, Reflexos e ecos, fragmentos e pedaços inteiros: amor
Sentimentos ínvios para esse corpo vil.

sábado, abril 18, 2009


Quase todos passam uma boa parte do tempo tentando esconder quem são. Por vezes enterrando a 'essência' tão fundo, que é necessário lembrar de que ela está lá. E, às vezes, só querem esquecer quem são de verdade. É, para você, os segredos da minha vida são inexistentes. É bom perceber que estou flutuando na minha superfície, sem medo. As cicatrizes que hoje enxergo, é uma forma de perceber o quanto o passado foi doloroso e real. Com sensação de que estou curada, largo os meus medos e entrego, definitivamente aquilo que guardei de todos...
Percebendo que isso me ajuda a progredir, é a forma mais perfeita que o futuro poderia se firmar para mim. Meu silêncio nunca me causou arrependimento, eu esperei o meu tempo. Sinto-me aliviada por saber que tenho a você dessa forma. Um eu paralelo, todavia bem mais puro. De tanto arder o contato com pessoas que tinham status importante por puro descuido meu, me vi pó e cinza. É muito satisfatório saber que o tempo foi generoso comigo, ao pôr na minha vida, o que eu esperei por muito tempo.
Para me preocupar, para sentir a inacreditável reciprocidade...
Essa amizade que se faz unânime a cada dia.
Contar os medos que mais me atormentaram, pode ser bobagem (ok, é fácil filosofar quando o outro que ta fodido).
Mas que seja! Eu sinto que o vazio que se fazia presente constantemente, não teve mais vez. Franqueza, sensatez, confiança...
Tenho mesmo que agradecer por tudo o que proporciona, pelo bem que me faz, pela paz que me trouxe de volta...
Eu tive medo da escuridão, mas eu não queria uma simples luz.Eu só não queria sentir que estou só.

(L)muito, muito.

quarta-feira, abril 15, 2009

Claustro


Percebo que quando entro no meu quarto de estudo, me torno atemporal.
Talvez eu esteja certíssima, conheço-me bem o suficiente para apreender a ciranda da minha introspecção.
Em meio aos livros, anotações e impressões pessoais, permito que os pensamentos transcendam sem limites cronológicos ou espaciais.
Dá-me uma sensação de um distanciamento dos fatos comuns pela “escória”, então, esqueço os ruídos do mundo exterior, encasulo-me, sou alguém em permanente solilóquio.
Quero atingir latitudes inesperadas, no ambiente côncavo, meu pequeno-grande claustro, um quadrilátero.
Há em mim, tendências conventuais. Gosto da solidão opcional, do silêncio que me convida ao mergulho vertical, capaz de juntar cacos e fotografar no caleidoscópio da vida.
Não me amedrontam os duendes que adejam sobre a cabeça de um ato de soberania. Tudo que invento é real. E bem sei da capacidade de imaginar. A melhor forma de saber-me parte da humanidade. Não quero amarras nem grilhões que venham a sufocar os gritos de alerta. As pulsações dizem da vontade de ser livre. A cada instante, sinto o balando do ir e vir, as circularidades acontecem, os pontos de interrogação se agigantam, as exclamações, as vírgulas, e, sobretudo o parágrafo inacabado inserem-se na minha biografia.
Não quero pensamentos finalizados; que a linguagem receba sempre a renovação dos momentos: do ontem, da forma que fui; agora, a receber os eflúvios do passado; amanhã, a recriar-me sob a influência de dias atemporais.
Há uma quietude que me agrada na gruta do “oráculo”. Na poltrona, leio Freud.
Suas palavras me confortam porque nelas existe o afago das memórias. Memórias involuntárias que visitam a alma sem pedir licença, chegando de repente, instalando-se, tornando-se companheiras inseparáveis.
Todos nós conservamos nossas metafóricas estradas, afuniladas, largas...
As circunstâncias elaboram o trajeto... Eu sou eu e minha circunstância e se não salvo à ela, não salvo à mim.
Alcançar metas do destino depende do ritmo e da perseverança. Há atalhos que apresenta o andar, outros atrasam a cadência dos passos. É uma questão de escolhas ou de impulsos individuais. Não basta querer ou lembrar. Urge a obstinação no reviver ou num viver diferente.
As bussolas orientam, jamais legitimam as decisões.
Não há fronteiras no meu claustro porque o pensamento atravessa qualquer demarcação. Leio, releio sonho; Situo-me em lugar algum. Nada de limitações.
Estou absolutamente desnuda de qualquer idéia preconcebida. Há uma fera indomada dentro de mim. E, no entanto, sou a mais pacifica das criaturas, aclamo os lençóis.
Qual o tamanho do meu universo? Que importa a materialidade do contorno se ele cabe dentro do meu imo e não há brechas indecisas na imaginação. As asas me servem para sobrevoar mares e territórios, continentes e oceanos, lugarejos ou aldeias. Sou universal e atemporal.
O relógio do corredor tilinta horas, minutos e segundos. E eu sequer o escuto na minha viagem existencial.

segunda-feira, abril 13, 2009

Pacto implícito rompido


Ao descerrar minhas já pesadas pálpebras, observei que estava encarcerada num quarto frio, escuro, com janelas e portas fechadas. Não há saída nem entrada. Estou encaixotada num cômodo 'vazio'. Já não posso mais falar...Os trompetes e as cornetas da natureza, os trovões revoltados, que anunciavam a presença do meu pai, silenciaram-se.
Sinto meu corpo estático, em êxtase, vulnerável. Todavia esse temor também tem um outro lado, não menos devastador porque só nessas condições que sinto o meu pai mais vivo do que nunca, doando seu amor.
Pareco consumida por alguma perturbação ou temor...
Mas o que há para temer? Só há eu nesta cela.
Pai ausente, filho doente(?)

domingo, abril 12, 2009


"Uma andorinha só não faz primavera, nao faz verão"
Aristóteles quis dizer, sobretudo, que por mais significativo seja o ato, para que o mesmo produza efeitos concretos, faz-se necessária, além da pluralidade de sua autoria, uma execução permanente no tempo.Nenhum ato isolado, portanto, sem que haja convivência ou assunção pela sociedade diz seus propósitos e uma execução permanente, terá qualquer capacidade transformadora. Uma preocupação, além de autoral, temporal...do filósofo.
Tal expressão com o caminhar do tempo, foi se aperfeiçoando...e hoje, aqui, acolá, é comum escutá-la com o singelo sentido de que uma pessoa só nao é capaz de resolver os problemas impostos...
Essa dependência fodida.E eu aqui, um parafuso solto na máquina do mundo.

Se nao souber os próximos lances desse jogo de xadrez, meu amigo...check mate!

sábado, abril 11, 2009


Tem dias que tudo é dúvida na vida.Tem dias em que a vida duvida da nossa existência. A vida insiste em ser duvidosa. A dúvida insiste em tornar nossas vidas. É preciso construir os meios que nos transformam, destruindo as duvidas que imobilizam.
Eu preciso do sorriso profundo, que vem da alma, que clareia o obscuro.
O teu sorriso. O que ele fala? Sorri para o mundo, ou para ti...
O que traz o teu sorriso? O mar, o céu, o vento?E entre muitas gargalhadas, sorri para o tempo.

Enquanto houver coragem..."start over, start over"

quinta-feira, abril 09, 2009

Volta sem cheiro de mar.


Sabe quando só diante do mar é possível dizer algo sobre sereias? Devo ter escutado alguma voz, algum som, algum eco do seu canto. Aqui, ou lá... Não sei.. Posso ter esquecido o lápis de duas pontas e uma folha dobrada em quatro (me lembra analise comportamental) eu não estenderia, não nesta tarde, o meu corpo ao acalento de uma rede, para fugir, não do perigo das sereias, mas de uma possível analise precipitada...
Nunca escrevo em pé, a não ser quando a insônia reivindica. Uma rede elastece o meu pensamento.
É um modo de misturar razão com sonho. A utopia do ontem...
O sonho.. Ah, pra mim é horizontal! Todavia a idéia sempre é vertical. Quando cumpro a proposta e uso dez dedos no computador, utilizo uma espécie de bóia, um acento anatômico, recomendado pela medicina para os sedentários, não propriamente para evitar escaras, porém para não sentir, fisicamente e sentimentalmente, as conseqüências apontadas por outro alguém...
Para escrever ou viajar, já que atravesso o meu tempo, olho um pouco a tristeza. O fim do dia está meio chuvoso e o mar é mais um som do que uma cor. Ou cor no som e vice versa...
Deve ser menos difícil imaginar uma sereia com um ser híbrido...
Essa proeza inusitada mata, eu sei! Não quero argumentar que o silêncio seja o som sem som, a voz insonora, a palma de uma mão só...
Prefiro imaginá-lo feito um vidro, uma lente de contato sobre o olho do mar. O próprio céu, quem sabe?Quase cinzento, ou debruçando o extinto azul no verde extinto...
Posso ser só força, só sabedoria, só voz... Um único eco dos meus átomos.

quarta-feira, abril 08, 2009


A intensidade das horas nao me permite subtrair pedaços de alegria, nem de tristeza. Tudo guarda o seu lugar no palco da vida. No claustro mediativo do quarto de estudo, recobro emoções. Saudo a menor parte que integra a totalidade do meu rosto. Entre o fervor das lembranças e a fotografia do presente, habita-me a intensidade das experiências acumuladas.
Tempos cruzados, emoções igualmente cruzadas...uma ida de volta de recordações.
De olhos abertos, coração mexido e um instante novo.

Memórias de uma viagem


Recolhida no quarto de estudos, começo a divagar sobre os acontecimentos dos anos que foram passando.
Tantos afazeres!Uma série de compromissos inadiáveis, fui e voltei, logo ali...João Pessoa. Encantou-me com sua receptividade amorosa, lá estive dois dias, que me fizeram recrudescer os afetos pela cidade.Os sentimentos um tanto exteriorizados. Encantei-me prematuramente, deixando um enorme vazio. As nuvens ainda acinzentadas no horizonte crepuscular ainda choravam a perda irreparável.
Andei pelas ruas, apreciei a orla marítima. No caminho de regresso, a vigiar a natureza, percebi o quanto me enternece a miragem da terra; Então me descubro cada vez mais apegada aos estímulos atávicos. E, no entanto, sou tão urbana!Mas há em mim uma menina que não conheceu a vida rural, ainda que dela se nutra razão das fantasias do inconsciente. Escutei histórias que me fixaram em outras 'glebas', existem saudades que se desvelam ao sopro das 'antigüidades'. Enquanto o carro deslizava, as lembranças me invadiam, uma forma de refrigério para um corpo cansado. A manhã estava linda...
Anos transcorreram; seria a mesma pessoa a de ontem e a de hoje? Ou tudo não passava de uma imaginação fecunda? Realidade ou ficção? Pouco importa. O fato é que em mim moram mundos opostos, “eus” diferentes. Ainda bem que sou capaz de me transformar a cada dia, de vivenciar fragmentos escondidos em algum lugar, de recolher os pedaços que andam por aí; A multiplicidade me faz una, basta-me um caleidoscópio com vários ângulos. Preciso estimular a harmoniosa convivência entre meus personagens; Afinal, conheço-me tão pouco! Talvez o desejo de mudança alimente a devoção pelos longes. Tudo é novo e me induz a aplaudir a cerimônia do agora, a que já se esvaiu a que vem a ser...
Jamais suportaria traços inflexíveis. Crio veredas, estou sempre pronta para enriquecer o cenário da festa. Junto aos cálices; celebro o momento. Em cada taça, há um tempo que tem seu tempo.

segunda-feira, abril 06, 2009

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Estamos a viver, neste momento, a fase mais ativa dos feromônios dos influentes. Acontece em todas as realidades ou espaços geográficos. É tempo, portanto, de alimento da criatividade. Falo, naturalmente, do pequeno amor. O grande já possui imaginação em abundância.
Confusão com todo esse sentimentalismo. Com fusão de ternura e racionalismo.Só corro se for apaixonada, socorro esse coração dilacerado.

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Enfim, só!

♪Creep

sábado, abril 04, 2009

Tu queres, tu fazes e outras bobagens.


De repente, em cada roda de papo, em cada esquina, cada mesa de bar ou ante-sala de consultório, pelo menos um “Zé alguém”.
A gramática, que no conceito clássico nada mais é que a sistematização dos fatos de uma língua, de um momento para o outro passou a ser o mote de todas as análises. De uma para outra hora, a cidade foi tomada por cultores das normas eruditas. Pura hipocrisia ou exibicionismo desvairado.
A presença inútil de tremas, hífens e algumas letrinhas, nada altera a vida dos cidadãos. Que falta fazem dois pontinhos? Os tracinhos, mais reveladores de ignorância que aglutinadores de expressões? E a oficial volta dos Y, K e W, que jamais deixaram de ser usados?
De certo que as alterações tão comentadas atingiram se foi o caso, a ortografia, a própria língua, pouco ou quase nada o seu estudo. A analfabeta gramatical que sempre fui, permanecerei. Com cautela, não faz mal a ninguém, continuarei a cometer meus textos, driblando as vacilações sempre que possível.
Difícil é enfrentar ou conviver com a barbárie que assola mais intensamente a conversação da juventude, embora não só dela. E isso dói o ouvido. E o ouvido, é tudo, ou quase, nesse caso. Não é estranhável, pois, que se fale com o ouvido. Atentos a ele. Afinal, é corriqueira a existência de pessoas que não sabendo “música”, tocam de ouvido.
Menos mal, se bem que igualmente execrável é a importância de vocábulos inusuais em nossa linguagem e, acima de tudo, erroneamente, utilizados, tipo RG e CIC.
Se não cuidarmos em tempo, daqui a pouco estaremos adotando o nefando holerite.
Não é demais notar que mesmo praticantes do “tu faz, tu gosta”, por vezes escreve corretamente. É conhecida a observação de que escreve bem aquele que escreve o mais próximo do que fala.
Seria bom, mas imagino os desastres por aí....
Pega bem e se evita a constatação de Macunaíma de que o brasileiro branco fala uma língua e escreve outra.
Neste caso, sou conservadora. Eu cuido, afinal, que ‘tu fazes, tu queres’. Progresso, não é?

sexta-feira, abril 03, 2009


Percebo em minha volta.Percebo seus olhos molhados,avermelhados,todavia as lágrimas insistem em não cair.Fita o turbilhão das avenidas cheias do nada e pergunto para que tudo aquilo, qual o sentido daquilo?
Demônios antigos me atormentam, o mundo gira no ritmo da minha mente.Não encontro uma resposta, mas divago horas no vácuo da pergunta.Começo a tremer e a tentar balbuciar algumas palavras inúteis.Olho em volta, num pedido de socorro...quando vão parar para pensar e ver?Não se sabe, sabe-se apenas que permanece lá, quase todos os dias, durante anos.Anos a fio, almejando a resposta, refletindo em meio ao turbilhão.

Se estiver esperando que eu complete frases para que tenham sentido, suma! O sentido está no seu outro lado, na sua capacidade de compreensão.

quinta-feira, abril 02, 2009

Quase parou,


...mas és metade do inteiro que eu sinto.Eterno retorno, sempre voltas...sempre estou aqui.
Para você, por você, por nós; interte! Para outros, tabernáculo.
Entre um grito mudo e um olhar súplice, muitas vezes sinto o seu sorriso nascer úmido e ir, aos poucos...mas deixando a certeza de que voltarás.
Sim, o nosso tempo!

02/03


"Se você ponderou as suas últimas atitudes não há motivos para se sentir culpado: você fez o melhor que podia. O importante é estar de acordo com o que você sabe e acredita. Siga em frente tendo sempre claro que, independente de tudo, as consequencias serão ao seu favor."

Meu signo é foda*-*
Tay, pisciana só por hoje. (?)

Fantástico


Parece que não vai parar. A sucessão de escândalos que enche de constrangimento o Senado Federal. E pasma de indignação a oposição pública. Não é pouca coisa.
Esse Cenário de falta de ética lembra o Realismo fantástico. Há três conceitos bem distinguidos por um professor búlgaro: o estranho, o fantástico e o maravilhoso. Se ocorrem fatos que são explicados pela realidade e esta permanece intacta, sem modificação, estática, estamos diante do estranho. Se novas leis naturais se sobrepõem à realidade e em conseqüência surgem fatos sobrenaturais, ficamos de frente para o maravilhoso. E se há dúvidas quanto à existência da natureza de fatos que acontecem na realidade, causando incredulidade, então temos o fantástico.
Após tufo quanto ficamos conhecendo do que ocorreu e ocorre no Senado Federal, a pergunta é inevitável e fatal: estamos diante do estranho, estamos imersos no maravilhoso ou ficamos paralisados no fantástico? Certamente nos defrontamos com o estranho. Porque se trata de realidade que permanece intocada beneficiando grupos fechados individualistas. Também não confrontamos com o maravilhoso se a realidade for vista na perspectiva sobrenatural dos que se promovem (na penumbra) APROPRIAÇÃO DE BENS PÚBLICOS. Mas estamos principalmente diante do fantástico. Porque se trata de uma realidade indizível. São fatos que, te tão amorais, passam incredulidade ao cidadão comum que cumpre a lei. É um universo diferente do mundo ordinário, envolto em sua fantasia.
A América Latina é berço, na literatura mundial, do realismo fantástico. A realidade é transformada em invenções extraordinárias fora do alcance dos fazeres factuais. Fruto da imaginação de alguns romancistas. O Brasil senatorial, em seu inefável devaneio, está à altura das melhores peças de realismo fantástico.

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Minha necessidade de falar de amor foi a puta que pariu, espero que volte um dia, quem sabe.