quarta-feira, maio 27, 2009

Sempre na mente, de vez em quando corre na face. Talvez um sonho, um pensamento...sei lá. Outra vida.O sangue, as lágrimas...gota a gota vão desenhando no tempo o que nunca pude viver.Os gritos chegam a me emudecer, os sorrisos doloridos, entristecer.A dor do sentir, do nao viver cega.Como quem sofre pelo que o coração nao nega.O orvalho que a face goteja.Orvalho vertente da pupila que se mantém inerte, riscando um sorriso na mascara de cera.

domingo, maio 24, 2009


Esse sentimento pode até ter vindo de poesia, a tudo acrescenta alegria, enquanto só me esvazia.Despercebida, contudo, julgo que tudo isso tenha conteúdo para poder analisar a miúdo.De tanto racionalizar, vou adquirindo o medo de amar, medo do amor. Mas me deixo levar pelas duvidas que ainda pairam.Perco-me em teorias infundadas, quase sempre sem sal, frias... assim paro os meus longos dias.Criatura cheia de conjecturas,todavia carente de ternuras.
O que me fará se um dia me sobrar 'saber' ?Se eu não puder embeber a minha alma na de outro ser?

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The Fray - Never say Never♪
Não consigo ser quem fui, não consigo fazer com que sejas quem foste!Não posso mudar o passado.Essas coisas não passam de lembranças cheias de afetos, mas nenhum afeto solto.
Esse futuro pode ser ilusório, mesmo que já tenhamos planejado o bastante,não seremos o futuro que viamos ontem...As coisas sofreram e sofrerão mudanças, os valores podem até mudar.Será que ainda sentiremos desejo, amor...?
É, não sei!
Presente, só mais uma ilusão.É dificil aprender que as coisas vão e vem, vão e ficam...causa tanta angústia esse medo de perda. Preciso compreender que ganho quando perco. As coisas, o tempo, as pessoas passam por mim e eu por elas, mas nada, nada nos une senão as ilusões que um dia foram partilhadas.
Hoje, eu posso ter soluções, amanhã, apenas os soluços!

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E não, isso não é uma confissão de um ser derrotado... nao cuspiria meu âmago assim. Vez ou outra ele passeia na superfície, mas nem sempre tem vez. Não aqui, aos olhos de um qualquer.
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Sonata Arctica - Paid in Full♪

sexta-feira, maio 22, 2009

Dentro do léxico etimológico semântico, posso sem medo, usar a sintaxe morfológica, subentendo a conotação de algo pirético e efêmero.Nitidamente contemplo uma cosmovisão sob uma égide nilística e exacerbada de um ser 'idílio'... Uma relação profunda, todavia com pouca importância somada.


Marisa Monte - Não é fácil♪
A noite parece não querer ter fim, as dores sentem necessidade de estarem acentuadas mesmo quando tudo é claro. Preciso saber o que é certo e agir em consonância com essa crença. Mas sem hipocrisia! A ânsia e a avidez por mudanças nesses mecanismos sentimentais. Inovando a brilhante idéia 'pactuária' de sentimentalismo, repensando sobre a competência de quem diz não sentir. Não me envergonhando de mudar de idéia uma vez, de pensar talvez. Ou então restará o silêncio da incapacidade.
Não é tão seguro investir, mas é preciso esquecer as antigas lições, mudar os velhos conceitos, apostando numa reciclagem sentimental. Abolindo os atrasos que engulo indigestos por meses, promissores de esperanças nunca realizadas!
Devolve o que ainda está contigo, mas que me pertence...o que tu nao cuidaste, nem nunca irás cuidar. Devolve o amor latente ao corpo vazio.
Deixe-me com o aparente morango com sabor de limão;ainda há quem não queria viver em vão.
"Às vezes nunca te vi antes
Às vezes nunca amantes
Nunca além
As vezes nunca te quis
As vezes nunca infeliz
Nunca ninguém

Não te reconheço mais
Tuas roupas são outras
E soltas de mim
As palavras da tua boca

Te vejo e pareço louca
Sem memória sem história
Até que alguma canção
Algum cheiro ou expressão
Me faça te ver de novo
Mas é rápido é quase pouco...
E nem dói nada...
Nossa paixão congelada"

Confissões de lugares proibidos

Confesso que sinto-me num deserto com luzes, mas luzes bem ofuscadas.Não sei se fizeram questão de deixar esse brilho ficar menos intenso, ou eu que vejo menos cores nesse arco íris.
Confesso que essas tardes de maio, enlutadas pelo inverno antecipado me causam nostalgia...
As luzes vez ou outra voltam aos meus olhos, mas logo perdem o devido brilho...ou o brilho que eu costumo ver, o nao fatídico, o utópico.
Confesso que nao lembro ter dormido a noite passada toda, o frio era maior que as luzes pálidas.
Confesso que pior do que sentir-me triste, é perceber que ainda choro, e choro por você.
Confesso que vejo os dias, as semanas, os meses, daqui a pouco os anos passando e eu aqui. Vez ou outra, nós! Quase sempre, só eu! Eu e o meu sentimento cego, burro...Que insiste nessa faca de cortar pão que só corta de um lado.
Confesso que é difícil compreender quando há tamanha inconstância.
Confesso que dormir sem as suas palavras, me atormenta.
O teu silêncio pode me acalmar e hoje eu ainda espero esse dia chegar apara te dar o carinho prometido, os mil abraços, as noites em claro te observando...
O 'cuidar' propriamente dito.
Confesso que acordar sentindo-me inerte com relação ao que deveria ser efêmero, é constrangedor.
Pasmo com a minha capacidade em outras situações semelhantes e a minha situação agora.
Confesso que é difícil deixar-te no passado que ainda se faz presente, mesmo sem...é!
Além do 'namoro nao começado', além dos 'eu te amo' no fim da noite que me arrancavam aquele sorriso bobo que você adora.
Confesso que com o fim dessa distância eu poria um fim no meu sentimento de saudade do que nao vi.
Queria que tudo fosse tão simples como parecia ser no início...
Que as abelhas se aproximassem sempre que houvesse mel.
Confesso que queria o seu amor em troca do meu.
A reciprocidade me põe a pensar sempre nesse caso, se faz tão ausente, eu sinto medo e recolho-me ao silêncio de uma vida eterna, de um amor que ainda acredita em plenitude.

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Legião Urbana - Quase sem querer♪

quarta-feira, maio 20, 2009

Há quanto tempo não sinto aquele cheiro? Aquele afago de mimos, com caprichos de sutileza, macio, doce, especial. Ah, que saudade do gesto branco e agradável! Uma pratica requintada que se traduzia num apelo de leveza. É, nada mais singelo que um cheiro. Pulam a toda hora. Sem que desse por isso, os meses foram passando, as relações se tornando mecanizadas, a humanidade acanhando-se do jeito de sentir, os meneios solidários desapareceram, mas a Terra continua girando em torno do Sol. E os sentimentos trocaram as expressões, embora na essência sejam os mesmos.
Onde anda o romantismo? Onde anda o cheiro colorido? O aprendizado existencial me chama a atenção para os artigos corriqueiros anacrônicos, escondidos em baús fechados a sete chaves. Não desisto de perguntar: O que fizeram com os encantos?
"Perdi o bonde e a esperança, volto pálida pra casa".
Em momentos assim, lembro de você... Quando amores 'não correspondidos', logo recorro à minha 'quadrilha'; enfrento um obstáculo mais clarividente, o que encontro é uma enorme pedra no meu caminho. Diante das vulnerabilidades, coração machucado...
"Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo."
Se existe descompasso entre os meus devaneios, apego-me à rima.
"Mundo vasto mundo se eu me chamasse Raimundo seria uma rima, não seria uma solução"
Como sobreviver sem versos que trazem à superfície os mistérios do âmago?
Trago na mais recôndita porção da alma e de novo apego-me às transfigurações: "E depois das memórias vem o tempo trazer novo sortimento de memórias, até que, fatigado, te recuses e não saibas se a vida é ou foi."
A memória persevera. Atiça a consciência. Reclama espaços num mundo cheio de renovações. A vida é o que foi... Sei lá!O presente se faz breve, enquanto o passado corresponde ao tempo consistente. Os dias atuais ofuscaram a dimensão lúdica da rotina. Não há tempo para belas tradições. Ecoam apenas ressonâncias de um pretérito não tão distante assim. Todos correm em direção ao nada, os carros buzinam, o frenesi, se instala ninguém conversa na esquina, as mãos se agitam em desordem, vou e volto, não faço coisa alguma, angustio-me para chegar pontualmente em compromissos marcados...
Não sei o que se passa em mim, os sonhos esmoreceram em certa encruzilhada, e então... Então! Estou cansada, o corpo pede um mínimo de sossego. Acordo, olho o relógio, atropelam-me os atrasos.
Desperdiço horas, meses, anos... Ando a patinar em gelo, escorrego na estrada da vida, levo um tropeço; Não importa, ninguém viu. Há tanta gente nas ruas, nos mercados, nas lojas!
E tudo isso pra quê? Mas né..que seja!
A verdade é que o cheiro sumiu, pelo menos perdeu a força majestática. Outro dia me surpreendi ofertando um cheiro. Foi quando me deparei com o espanto de um impulso inopinado. Serei alguma ré de gestos à antiga? Acho que sim. Confesso que não me preocupa essa indisposição com o mundo excessivamente ocupado.
Carrego uma saudade embutida no peito, um grito de pasmo, às vezes até mesmo uma frustração por não ter defendido com mais afinco os valores que me faziam feliz e que lamentavelmente feneceram. Porque não recuperar um dedo de prosa na hora crepuscular, um ingênuo momento, o cinema à tarde, as idas a casas de 'amigos', o açaí no fim da tarde...tudo pode demorar para voltar , ou talvez ter ido embora realmente, mas não a essência tão delicada, inocente, bucólica.
O cheiro, por favor!

terça-feira, maio 19, 2009

Em lugar onde todo mundo fala ao mesmo tempo, todo mundo ouve barulho, mas ninguém escuta, ninguém! Qual a 'nossa' palavra sobre o mundo que rodeia de forma autônoma?
Quandto mais vertiginoso o tempo e a história, maior a necessidade de produzir um silêncio interior, germninativo da criatividade. Silêncio do qual possa brotar uma palavra sobre aquela tempestade que se anuncia desconcertante.Apenas uma palavra que se abra ao diálogo consigo, ou com o outro e com os outros. Palavra semeadora de esperança e serenidade. Para encarar as crises múltiplas internas caracterizadas pelo caos, pela balbúrdia e pelo mal-estar que delas derivam, é preciso, mais que nada, serenidade.Qualquer opção está fundada numa determinada escolha moral. Melhor falar de criterios associados à dimensão da ética, ao senso de justiça, ao compromisso com a vida e a liberdade. Assinalar escolhas que passem pelo desenvolvimento da autoconfiança. Somos sujeitos, nao objetos. E, para crescermos como sujeitos, precisamos antes, crescer como éticos.Como poderemos ou deveremos adjetivar a finalidade, objeto de nossas escolhas pessoais?
Estaremos buscando o tipo de felicidade subjetiva, desenhada pelo ego de cada um, em consonância com os valores propostos pela sociedade.
Querem ditar valores que configuram a opção.Mas no oficio de pensar para agir, os 'grandes' nao nos substituem. Precisamos sedimentar as ações e partir da experiencia do silencio e da escuta. E, com serenidade, ensaiarmos algumas saidas para as graves 'guerras' que estão sendo impostas. Sejam elas com relação à opção sexual, crise ética, ecológica, política, econômica, do nosso tempo.Vale apena ressaltar opiniões isoladas, apesar de fazerem parte do contexto. Nao se constituem no sentimento da maioria, dita 'democracia'. E a liberdade de escolha ainda é a minha prioridade, com todo respeito.

domingo, maio 17, 2009

"Algumas coisas que nós não conversamos,
Melhor continuarmos sem
E simplesmente segurar o sorriso
Caindo dentro e fora do amor
Envergonhado e orgulhoso, juntos todo tempo

Você nunca pode dizer nunca
Ainda não sabemos quando
Mas de novo e de novo
Mais jovens do que éramos antes
Não me deixe ir...

Nós estamos nos separando
e voltamos sempre
nós estamos distanciando um do outro
mas nós, nos mantemos juntos
nos mantemos juntos, juntos de novo"

sábado, maio 16, 2009


Em inúmeras ocasiões, me senti como uma jogadora que perde o pênalti. Uma sensação de derrota por antecipação em algum sentido. Uma sensação que toma de assalto depois que cumprimos, com êxito, uma tarefa até então considerada impossível. Incontáveis vezes lutei contra todas as improbabilidades, movida unicamente por sangue, suor, lagrima e vontade, consigo equilibrar o placar aos 43 minutos do segundo tempo. E aí, tudo o que me separa da vitória completa, é um punhado de chutes a gol.Direto, sem obstáculos nem de longe comparáveis com àqueles que já havia enfrentado, e que superei quando todo mundo já se levantava para propagar a derrota.
E é exatamente nesse ponto que me invade o sentimento que eu chamo de sabotagem. Involuntária, misteriosa, destruidora autossabotagem. Uma espécie de punição que me faz perder o jogo. A autossabotagem pode ser a minha companheira fiel em várias esferas da vida pessoal: no trabalho, na amizade, nos estudos...e muito, mas muito mesmo, no amor.A autossabotagem é um estado mórbido caracterizado por um conjunto de sinais e sintomas, e que pode ser produzido por mais de uma causa. O medo de nao conseguir, de não ser merecedora, de ser inferior, de nao estar à altura da 'missão', é o principal combustível. O medo que é matador de mentes, que se assemelha a uma pequena morte, o medo que quando passa sobre a gente deixa um centenário de devastação para trás. A autossabotagem que de vez em quandou, ou de vez em muito, atrapalha a minha ou as nossas vidas, traço e trilho com garras de leão. É como se dentro de mim, houvesse duas forças: uma que garante um destino brilhante, e outra dizendo que este tipo de glória só acontece com os outros. E eu nunca sou os outros. Por isso que quando acometida com a 'síndrome' da autossabotagem, entrego a vitória praticamente certa a esses mesmos outros. Sob um ponto de vista distorcido e achatado seriam os verdadeiros merecedores de um mundo melhor.
Ninguém nasce sabendo das artes da autossabotagem. Aprendo isso como quem aprende a falar uma palavra de cada vez.Um ser graduado na autossabotagem, é muito difícil se livrar do padrão.O exercício dela transforma a autoestima em pó, e é nesse estado, aos caquinhos, que me vejo paralisada, quando tudo o que precisava para selar o destino de ser e estar, era dar o ultimo e definitivo passo.

sexta-feira, maio 15, 2009


Transcendi da noite para o dia. Por vezes sem horror à morte, mas sempre com medo da vida, que para tantos é tão querida. Mera fantasia...
Nostálgica e cética, descendo dos altos píncaros andinos, onde visei à minha utopia. Vendo a amplitude da agonia, com coração rígido.
Dos mitos, vejo a arquitetura cósmica. Da falsidade, o ideal mundano. O coração que parecia fraterno, não tardará curtir desprezo cruel. Sorrir dos longos gemidos do inferno alheio. De quem soube ser amigo muito fiel. Na paz do Éden, na confusão de Babel.
O olhar que sumulou paz e ternura. Oculta o mal, a voracidade da fera. A volúpia incontida da tortura. Guardando ódio terrível que desespera. A felicidade que parecia perto, era a utopia que no interior se desfaz. Seus labirínticos caminhos não acerto. De alcançá-la, considero-me incapaz.

quinta-feira, maio 14, 2009


Receio que me mantém inerte. Receio que fascina fremente da curiosidade que me faz seguir em frente, sentindo a brisa ao tentar sair, me recolhendo quando sinto a sua falta.
Medo ofuscante: Luz!
O tempo conta-me segredos velhos como o mundo.
O tempo é novo! A vida ainda é nova e anda despida. Vestindo-se apenas quando há saudade e vontade.
Bons amigos dos tempos fogueiros. Consolo ideal das nossas vidas. Que a saudade te traga vez ou outra. Longe da nossa amizade, longe de tudo. Acredito que sentes falta do que ainda há dentro de nós.
Procurando espaço para o desenho da vida. Se volto sobre o meu passo, já é distância perdida. Coração ainda não é de aço. Animo-me até com um breve traço. Saudosa do que não faço. Do que faço arrependida.

quarta-feira, maio 13, 2009


Tenho consciência de que os opostos nem sempre se atraem: Sigo em uma direção, nem sempre acerto; Então, faço o caminho de retorno; Vou e venho; Há uma circunvolução que me inquieta, mas nunca me assusta. Sei o quanto necessito de enxergar por vários horizontes. Aqui ou ali existem paisagens que me tocam. Opto pela razão, mas e quando a emoção é mais forte? E o 'amor' é o clímax da grandeza que me eleva ao êxtase. O relógio me repreende: O tempo passa como um mensageiro fugaz. Não consigo reter o instante, a ciranda roda com voracidade; Em meio à encruzilhada das decisões, estou perdida. Sim, perdida, completamente, alguém que busca o impossível numa batalha de desiguais, o mundo e eu.
Às vezes corro demais e paro de repente como se o abismo estivesse à minha frente. Estanco os passos, freio os sentimentos, sinto as amarras me impedindo de avançar. Correntes me aprisionam, luto para expulsá-las, vejo-me em permanente condição de alerta. Vida, vivente, pulsação, energia, vontade de gritar, de nunca calar os profundos anseios. Momentos de reflexão. Momentos de dinamismo. Entre um e outro, nasço toda hora.
E nasço diferente, com jeito especial, quase a negar o que já fui uma tendência para equilibrar-me em pontos eqüidistantes. Rupturas se dão em uma linha de crescimento ou de retrocesso. Não sou capaz de selecionar os pequenos nadas que se acumulam ao longo do dia; Simplesmente delicio-me com os eflúvios que deles jorram. Jamais me afasto da capacidade de esvaziar-me, uma forma meditativa de existir.

O silêncio me fortalece na intensa introspecção. Porta fechada, espaço delimitado, a penumbra a trazer pensamentos em cadeia. Qual deles escolher?
O tempo não é de escolhas, é de hibernação. É hora de consolidar a minha clausura interna, deixar-me invadir um pouco pela emoção como se me dividisse em muitas partículas, que são meus 'eu’s'. Ah, apetecem-me os heterônimos de Fernando Pessoa! Quem sou, finalmente?
Aceito a hibernação como estado mais legítimo do momento reflexivo. Nada se move ao meu redor; Não quero estímulos externos. Careço do dialogo de mim para mim, uma espécie de solipsismo que não se encerra na magnitude do instante. Crio e recrio cenários. A solidão até desejada consolida a vocação de um ser que roga e que suplica por amor. O rosto sereniza enquanto a alma permanece dolorida. São tantos arranhões que a marcam. São tantas agressões indevidas. Paixões interditadas. Não momento não almejo o significado das palavras, apego-me à letargia que me induz ao poder de me ver por dentro. Descubro uma saudade que vem de longe, cravada no peito, canto esquerdo, lá no escaninho que se oculta entre os remotos emaranhados.
Sentimentos afloram. Não estou sozinha, o que seguramente me garante um bem estar.
A fatia maior do que ‘eu’ vem à superfície... Imóvel e de mãos juntas, ungida pela sensação de que existo em plenitude. Não me evito, até aceito os desafios, conheço os fantasmas que me cercam, um a um. Invento-me. Nessa invenção, capto o que de melhor posso oferecer. Com paciência e desvelo insisto: O escuro prevalece, a invisibilidade me assegura o desenho da alma, sem contornos, porém absolutamente receptiva aos apelos. Assim respiro fundo e digo: "O universo não é uma idéia minha. A minha idéia do universo que é uma idéia minha. A noite não anoitece pelos meus olhos. A minha idéia da noite que anoitece por meus olhos. Fora de eu pensar e de haver quaisquer pensamentos. A noite anoitece concretamente. E o fulgor das estrelas existe como se tivesse peso.


"A lua quando roda é nova, crescente ou meia lua; é cheia... e quando ela roda miguante, meia, depois é lua novamente, mente quem diz que a Lua é velha.."

Ninguém nasce livre, torna-se livre: a liberdade não é algo dado, mas resulta de um projeto em ação. Dessa árdua tarefa cujos desafios nem sempre são bem suportados é que decorrem os riscos para a conquista da liberdade. Os descaminhos surgem quando ela é sufocada à revelia do sujeito. Casos de escravidão, prisão injusta, exploração do trabalho, aristocracia, até mesmo quando abdicamos dela, seja por comodismo, medo ou insegurança. Construir a liberdade, porém, não se reduz ao trabalho solitário, de indivíduos isolados.
Os grupos da sociedade civil são importantes como formadores de consciência para instigar a ação coletiva no sentido de garantir a expressão dos diversos tipos de liberdade. Cabe ao olhar atento das pessoas em duas vidas social, pessoal e profissional... Identificar e denunciar as formas de prepotência bem como a ação silenciosa da alienação e da ideologia.
A vida moral nao resulta de automatismo, mas do demorado e difícil descentramento do indivíduo que supera o egocentrismo infantil, seguindo em direção ao meu reconhecimento, talvez.Garantia da experiência evoluida de reciprocidade.
Há tantos que da liberdade renunciam, para se acomodar na segurança de verdades dadas.
E assim, mesmo tendo conquistado a 'liberdade', presos.

Manhã de quarta-feira. Céu tão límpido que o azul inviolado insinua a morada dos deuses. Inalando a atmosfera em vibração. A natureza me confidencia certezas que eu nunca admitiria. Que as obrigações não sumam, esbanjando satisfação nesse mês com prenúncios de chuva. Por mais que as palavras jorrem significados, nenhuma traduz a 'satisfação' interior que marca o 'sopro da vida'. A tirania do calendário ao périplo existencial.Não, não é a data do aniversário! u.u
Alguns murmúrios, meio silêncio. E a minha alma repleta de segredos. Remontando pedra por pedra, os meus devaneios. Lembrando da ausência como sempre, sendo capaz de descrever os sonhos em sombra, ela sabe de tudo...tudo.
Perscrutando os imbés. Abrindo os braços num gesto de redenção. Dizendo em paz algumas palavras do poeta: "O presente nem é tão grande, não nos afastemos. Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas. O tempo é minha matéria, o tempo presente, as pessoas presentes, a vida presente."

terça-feira, maio 12, 2009


Nem a metafísica, nem a teologia teriam dado a devida ênfase ao medo que habita as mentes por aí.
Medo de fraquezas, pecados, medo da morte, do sofrimento, da solidão...
Toda aventura humana sobre a terra não é senão uma permanente e não resolvida tensão entre o medo e a esperança.
Há, antes de mais nada, o medo existencial, medo fundamental, direta decorrência da radical contingência, a não necessidade de todos os seres visíveis, como Sartre percebeu melhor do que ninguém, a dramática evidência de que tudo que aí está, e, portanto nós mesmos poderíamos não estar. Nada exige a existência de coisa alguma que se encontra posta neste mundo. Estamos na existência, não somos a existência. E do mesmo modo como estou, poderia não estar. E se nada exige a nossa existência pessoal, se nada exige que eu haja começado, porque esse 'eu' não poderia também ter um fim absoluto, porque deveria continuar para sempre, indefinida eternamente?
Viemos literalmente do nada, frase que já é em si mesma, meio absurda, porque dá a entender que antes já seríamos alguma coisa, e, no entanto, rigorosamente não éramos coisa alguma. Fomos criados. Nada éramos antes. Porque então o nada absoluto não pode ser também nosso destino final?
Medo, portanto do retorno ao nada inicial. Medo da vida, da morte, do fim, do dia seguinte... Medo do que nos aguarda no próximo minuto. Medo do total aniquilamento. Medo da não existência, do 'não ser'. Somente as crianças que ainda não têm consciência da insegurança do dia de amanhã, podem viver felizes. O que não será o homem capaz de fazer por conta desse medo ontológico? Quem sabe não estará aí, como por um processo de compensação, a raiz daquela pretensão de ser. A auto valorização exacerbada, dar ênfase à si mesmo, o orgulho, a soberba... Talvez a origem de todos os pecados.
Depois de tantos outros medos específicos, pontuais; medo das privações, enfim...
Medo das canseiras, do esforço incessante, do suor inerente ao dia de amanhã... Origem da tentação da preguiça.
Medo da dor, do sofrimento, do choro, e a compensação será a atração pelo prazer desvairado que de nada vale.
Medo dos outros, da força, da simples presença...
Em meio ao acaso, muitos medos. Por mais graves que sejam, e são, podem de algum modo resultar de nossas debilidades essenciais. Serão muito mais pecados na linha da fraqueza do que na linha da maldade. No fundo, aqueles que clamam aos céus e pedem a vingança, segundo a antiqüíssima tradição jurídica: o homicídio voluntário, o pecado contra a natureza em matéria sexual, a opressão aos pequeninos, a retenção ou privação do salário devido ao trabalhador, pecados em geral praticados pelo poder e pela prepotência.
O que há no fundo das nossas quedas que bem podem ser manifestações de angustias, medos fundamentais... Há quem conheça o meu coração e saiba dos medos existentes. A consciência, 'a' pessoa.

segunda-feira, maio 04, 2009

 
Em tempo real, muitas vezes, eu não sei se já estou vivendo uma realidade do final do século XXI, ou se a humanidade ainda não saiu dos tempos das cavernas. Visitar, mesmo que virtualmente, outro planeta me encanta. Ser visitada pela barbárie, que nada tem de virtual, me espanta.