sábado, maio 16, 2009


Em inúmeras ocasiões, me senti como uma jogadora que perde o pênalti. Uma sensação de derrota por antecipação em algum sentido. Uma sensação que toma de assalto depois que cumprimos, com êxito, uma tarefa até então considerada impossível. Incontáveis vezes lutei contra todas as improbabilidades, movida unicamente por sangue, suor, lagrima e vontade, consigo equilibrar o placar aos 43 minutos do segundo tempo. E aí, tudo o que me separa da vitória completa, é um punhado de chutes a gol.Direto, sem obstáculos nem de longe comparáveis com àqueles que já havia enfrentado, e que superei quando todo mundo já se levantava para propagar a derrota.
E é exatamente nesse ponto que me invade o sentimento que eu chamo de sabotagem. Involuntária, misteriosa, destruidora autossabotagem. Uma espécie de punição que me faz perder o jogo. A autossabotagem pode ser a minha companheira fiel em várias esferas da vida pessoal: no trabalho, na amizade, nos estudos...e muito, mas muito mesmo, no amor.A autossabotagem é um estado mórbido caracterizado por um conjunto de sinais e sintomas, e que pode ser produzido por mais de uma causa. O medo de nao conseguir, de não ser merecedora, de ser inferior, de nao estar à altura da 'missão', é o principal combustível. O medo que é matador de mentes, que se assemelha a uma pequena morte, o medo que quando passa sobre a gente deixa um centenário de devastação para trás. A autossabotagem que de vez em quandou, ou de vez em muito, atrapalha a minha ou as nossas vidas, traço e trilho com garras de leão. É como se dentro de mim, houvesse duas forças: uma que garante um destino brilhante, e outra dizendo que este tipo de glória só acontece com os outros. E eu nunca sou os outros. Por isso que quando acometida com a 'síndrome' da autossabotagem, entrego a vitória praticamente certa a esses mesmos outros. Sob um ponto de vista distorcido e achatado seriam os verdadeiros merecedores de um mundo melhor.
Ninguém nasce sabendo das artes da autossabotagem. Aprendo isso como quem aprende a falar uma palavra de cada vez.Um ser graduado na autossabotagem, é muito difícil se livrar do padrão.O exercício dela transforma a autoestima em pó, e é nesse estado, aos caquinhos, que me vejo paralisada, quando tudo o que precisava para selar o destino de ser e estar, era dar o ultimo e definitivo passo.

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