quarta-feira, maio 13, 2009


Tenho consciência de que os opostos nem sempre se atraem: Sigo em uma direção, nem sempre acerto; Então, faço o caminho de retorno; Vou e venho; Há uma circunvolução que me inquieta, mas nunca me assusta. Sei o quanto necessito de enxergar por vários horizontes. Aqui ou ali existem paisagens que me tocam. Opto pela razão, mas e quando a emoção é mais forte? E o 'amor' é o clímax da grandeza que me eleva ao êxtase. O relógio me repreende: O tempo passa como um mensageiro fugaz. Não consigo reter o instante, a ciranda roda com voracidade; Em meio à encruzilhada das decisões, estou perdida. Sim, perdida, completamente, alguém que busca o impossível numa batalha de desiguais, o mundo e eu.
Às vezes corro demais e paro de repente como se o abismo estivesse à minha frente. Estanco os passos, freio os sentimentos, sinto as amarras me impedindo de avançar. Correntes me aprisionam, luto para expulsá-las, vejo-me em permanente condição de alerta. Vida, vivente, pulsação, energia, vontade de gritar, de nunca calar os profundos anseios. Momentos de reflexão. Momentos de dinamismo. Entre um e outro, nasço toda hora.
E nasço diferente, com jeito especial, quase a negar o que já fui uma tendência para equilibrar-me em pontos eqüidistantes. Rupturas se dão em uma linha de crescimento ou de retrocesso. Não sou capaz de selecionar os pequenos nadas que se acumulam ao longo do dia; Simplesmente delicio-me com os eflúvios que deles jorram. Jamais me afasto da capacidade de esvaziar-me, uma forma meditativa de existir.

O silêncio me fortalece na intensa introspecção. Porta fechada, espaço delimitado, a penumbra a trazer pensamentos em cadeia. Qual deles escolher?
O tempo não é de escolhas, é de hibernação. É hora de consolidar a minha clausura interna, deixar-me invadir um pouco pela emoção como se me dividisse em muitas partículas, que são meus 'eu’s'. Ah, apetecem-me os heterônimos de Fernando Pessoa! Quem sou, finalmente?
Aceito a hibernação como estado mais legítimo do momento reflexivo. Nada se move ao meu redor; Não quero estímulos externos. Careço do dialogo de mim para mim, uma espécie de solipsismo que não se encerra na magnitude do instante. Crio e recrio cenários. A solidão até desejada consolida a vocação de um ser que roga e que suplica por amor. O rosto sereniza enquanto a alma permanece dolorida. São tantos arranhões que a marcam. São tantas agressões indevidas. Paixões interditadas. Não momento não almejo o significado das palavras, apego-me à letargia que me induz ao poder de me ver por dentro. Descubro uma saudade que vem de longe, cravada no peito, canto esquerdo, lá no escaninho que se oculta entre os remotos emaranhados.
Sentimentos afloram. Não estou sozinha, o que seguramente me garante um bem estar.
A fatia maior do que ‘eu’ vem à superfície... Imóvel e de mãos juntas, ungida pela sensação de que existo em plenitude. Não me evito, até aceito os desafios, conheço os fantasmas que me cercam, um a um. Invento-me. Nessa invenção, capto o que de melhor posso oferecer. Com paciência e desvelo insisto: O escuro prevalece, a invisibilidade me assegura o desenho da alma, sem contornos, porém absolutamente receptiva aos apelos. Assim respiro fundo e digo: "O universo não é uma idéia minha. A minha idéia do universo que é uma idéia minha. A noite não anoitece pelos meus olhos. A minha idéia da noite que anoitece por meus olhos. Fora de eu pensar e de haver quaisquer pensamentos. A noite anoitece concretamente. E o fulgor das estrelas existe como se tivesse peso.


"A lua quando roda é nova, crescente ou meia lua; é cheia... e quando ela roda miguante, meia, depois é lua novamente, mente quem diz que a Lua é velha.."

Um comentário:

  1. nháá :]

    caraleo, tu fala umas coisas muito filosóficas. Eu imagino que tu meio que "desabafa" com isso tudo, não? Devo repetir que são textos muito interessantes...

    ResponderExcluir