sexta-feira, dezembro 04, 2009

Sei que sou feita de recordações. Absorvo o instante de agora para amanhã desfiá-lo num novelo de ilusões. Não sou diferente de ninguém. Uns ousam falar dos sentimentos; outros omitem as emoções por rigor de discrição, ou pelo receio da excessiva exposição. São jeitos diferentes de sentir, mas sentidos sempre. Pois é, o mundo é feio de memórias, das lembranças que nos acodem com a força das reminiscências. Há uma nível evocativa que se instala dentro de cada um, a esboçar o rosto que é meu e que é de todos. Se preservo a memória, preservo a vida. A correlação é absoluta, íntima.
E o tempo se instala naquilo que fui. Conheço cada pedaço do caminho que atravessei, transito entre fantasmas, existo porque eles me fazem latejar o sangue que corre nas veias. Gostaria de escrever sem palavras, mas o pensamento surge mediante a linguagem. Não posso dissociar a letra das formulações da mente E escrevo por necessidade visceral. Narrar é a única maneira de (às vezes) sobreviver. Entre fases e parágrafos, sinto-me viva; a mexer em intrincadas teias formadas no meu íntimo. Algumas emaranhadas em bolor, algumas tecidas sob os subterfúgios das linhas da Esfinge, linhas enigmáticas, de tradução quase impossível.
Urge desvendar enredos misteriosos, o que não posso é deixar-me engolir por mim mesma. E os volteios são nacos de uma história que ainda não contei (quiçá, não vivi.): Vagueiam lá atrás na estrada da infância, quando o tempo não se fazia tempo, corria entre os passos da menina, ingênua, pura, a selar compromissos com uma cronologia eternizante. Quem disse que contabilizava os dias? Cada minuto que passava, representava um minuto de alegria...
Os Natais me diziam épocas de encontros com os parentes que não freqüentavam a minha casa. Tudo palpitava na esperança do advir. Ser criança é ter a capacidade de visualizar o infinito, o infinito...
Depois crescemos e as idealizações modificam, mas a memória serve de alicerce à construção das utopias. Devanear corresponde a ativação da memória, a presentifica-la sob a escolta do passado. E o passado se congela numa memória seletiva, capaz de transfigurar os fatos e as lembranças. Pensar, no ofício maior da existência. Penso e medito. Introspecção me habita. Gosto de escandir essa memória, assim desfruto com maior parcimônia e, com a calma dos mansos, procuro tratar a lembrança com o máximo respeito, afagá-la com mãos abstratas, compondo a unidade de fragmentos. Conheço alguns estilhaços, de outros, nem desconfio. Ainda bem! Necessito de reservas de mim. Há dias em que o mundo me espanta; há dias que convivo com a exterioridade em harmonia; há dias em que o desgaste do corpo se dá em intensidade. O círculo da vida é assim: um rodeio permanente com altos e baixos; Mas tudo muda em movimento espiralado. A soma dos dias resulta no calendário do tempo, e como indaga “quem sou eu para saber p que é o tempo?”
Que pretensão tentar escondê-lo!
O que me cabe é a memória. Sou inquieta e ansiosa. Talvez aparente o contrário; puro engano. Trago os nervos expostos e o mundo que me cerca, se configura a partir do que eu percebo. Neste solilóquio vou edificando pedra sobre pedra, uma engenharia lenta e vagarosa. Prefiro assim...a memória reclama um trato especial, vagaroso e paciente, dotado de perenidade e delicadeza.

quarta-feira, outubro 28, 2009

Ando cansada de assistir ao que não quero, de saber-me uma ilha deserta em meio à vasta multidão. De perceber que o mundo avança sem bússola, alheio aos sentimentos de cada um. Vejo demais e ouço o que dói. O burburinho cresce em insuportáveis decibéis. Fujo pela primeira porta: vou para um lado, para o ouro, estonteio-me, o corredor acaba desaguando no mesmo destino: a banalidade das emoções. Ninguém detém o ritmo avançado do fracasso ético, os fatos bailam à nossa frente, retratando mensagens artificiais e postiças. O sentido crítico vem desaparecendo ao longo dos anos, os recuos diante dos padrões vigentes esmorecem. O medo atravessa a garganta dos homens. O que não falta, entretanto, são os fantoches por toda a parte, prontos para atacar a solidificação de um modelo vulgar, sem menor requinte de elegância. Cenas mambembes, inexpressivas, pobre de grandeza se repetem: mediocridade impera. A análise criteriosa da vida desapareceu. Esqueceram a honradez e a nobreza de atitudes. O que fazer?
Respiro fundo. Sinto coração partido, fragmentado. Guardo as lágrimas nos olhos, mas recolho-as; afinal, a festa não pode ser interrompida e o concerto de uma orquestra toca ruídos assimétricos. Pois é, a rotina perdeu a magnitude do afeto e os dias se sucedem desordenados. O importante é galgar o pódio da vitória, nada mais. Sentimentos? Que bobagem! Romantismo?Palavra em desuso. Apenas o reflexo de um sucesso arrogante. Aí sim, a glória se confunde com meras ilusões momentâneas. Trago um enorme cansaço que se mistura à sensação de impotência. As frases voam na dispersão de rostos desatentos. O fôlego do meu sopro é brando para acompanhar a velocidade dos acontecimentos; E...”tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo”, como diria Drummond, para enfrentar a avalanche de insignificâncias. Quão pouco para reverter um tempo de homens amputados. O vidro quebrou, há cacos espalhados pelo chão, com jeito a trilha se refaz... mas é preciso pisar em ovos. Ao compasso de inesperados volteios, intensa circularidade assegura minha errância.Não posso nem desejo mudar. Jamais aplaudirei atitudes histriônicas, nem excesso de exibicionismos, nem palcos soberbamente iluminados. Opto pela penumbra dos gestos conscientes, verticais, abissais.Que o pensamento me traga a lucidez da discrição, a prudência das cores leves, a virtuose do silêncio. Não aprecio riscos fáceis, tampouco a versatilidade dos áulicos. Entrego-me à introspecção do humilde. Os jorros de vulgaridade mortificam-me, apunhalam-me a alma, anulando-me por inteira.Busco a simplicidade do autêntico, a pureza dos sentimentos, o cálido aperto de mãos entre amigos que se querem bem. E brado: chega de falsos protocolos, de fingidas etiquetas, de intervalos no mundo. A vida não permite ensaios, apenas pensamentos pro ativos; existe em tempo real, aquele que se vive. Não adianta adiar o “espetáculo”. Ou nasce, cresce e fenece. Abandonar a essência das coisas em nome das banalidades correntes equivale a macular a própria historia essa biografia individual ou coletiva, comprova a nossa existência. Os ponteiros dos relógios ontológicos jamais se atrasam. Urge, portanto, que a dignidade represente o único e poderoso valor da imanente aos espíritos superiores.
Estou cansada de ruínas morais de fragmentos de afeto. É hora de reconstruir o mundo, com pressa e sem tergiversações, pois não há o que esperar. Coloco o primeiro tijolo...

sexta-feira, outubro 23, 2009



Os ponteiros se movem no bojo circular do relógio antigo. Há um ritmo lento, gradual, persistente. Tento apreender os átimos de segundo; Enrosco-me em agudas subjetivações. Fecho as pálpebras. Ouço o imponderável. Faz de conta que o "tiquetaque" é um brinquedo de infância, uma melodia adicional que se junta às artes da criança em épocas de assombração. Invento uma nova cena. De olhos vedados, recrio espaços e tempos em pura simultaneidade, Nunca me arrependo das faxinas interiores. Os ponteiros, plenos de adereços barrocos, avançam. O instante se esvai alheio à minha determinação, quero tocá-lo, sou impotente diante da tua feroz indiferença. Por enquanto, o tempo equivale ao menor intervalo do pensamento. Estou a meio de uma circularidade irrefutável. A terra parece com o relógio, ambos detêm o poder de orbitar em si mesmos. Passageiros invisíveis que me amedontram (soberanos, autônomos, déspotas). Há um movimento a extrapolar os sentidos, e não adianta perseguir um mandala que não é abstração, embora os meus pobres recursos sejam tão frágeis que não o identifiquem. As semelhanças se irmanam; os pirilampos acendem e apagam; a mariposa é atraída pela luz, seu pó é atraído pelas minhas mãos e a as minhas mãos levadas aos olhos. Será? Whatever!
O que me serve de bussola. O instante me devora, sequer confirma o lacre da existência. Estou certa de que o relógio representa a ancestralidade que me deu origem. Quantos já o vigiaram?Ele vem de longe, muito longe, com o peso da herança consangüínea e a carga de um legado que desemboca na regularidade do pêndulo. Oscilo. Nunca sei em que fio de aço hei de andar no circo onde sou a trapezista dos nobres espetáculos. Equiblibro-me com dificuldade. O perigo me atrai, por isso recuso a rede de proteção. Deslizo sob olhos, apresentações suicidas.
O raciocínio escapa aos meandros da lucidez. Melhor não aderir à efemeridade do instante, deixar que a vida seja longe das recorrentes indagações. De que me servirão respostas vazias? Há muitas vozes clamando por amor, ainda que os abraços nao acompanhem a força do afeto. Estou cansada de repreender os meus sentimentos. Jamais perderei a esperança de ver o mundo se renovando através dos olhares em troca. Sou intensa. Não me agradam fragmentos de ternura, aspiro às totalidades. Procuro a completude dos que têm sede de vida. Quero a fonte jorrando águas de purificação, o céu transbordando azuis iria dos, o horizonte se fazendo cada vez mais longínquo. Alguma coisa há de ser inatingível para assegurar a pujança do mistério. A saudade invoca os sentimentos mais profundos. Amo os pequenos nadas, acato-me às vontades pequenas. Estou me entregando de uma forma voraz, mas às vezes não faz mal. Quantas vezes me sinto em carne viva? O relógio me cala. Sou a contingência de uma humanidade anônima. Como decifrar o enigma da esfinge? Mas o mundo se fez sozinho, independente da angústia temporal. Eu gasto os meus olhos acompanhando o balando do pêndulo....
Que horas são?
É, me perdi.

segunda-feira, outubro 05, 2009

Chuva, você, solidão. Sair à rua embaixo do temporal exige coragem, necessidade, vontade de cumprir a missão. O corpo está protegido, os pensamentos, talvez.
Como as pessoas são paupérrimas espiritualmente quando estão tentando parecer normais.
O medo da rejeição, que já começa naquela bênção chamada família, é fortalecido nas escolas, nas religiões, etc.
Com isso, você se afasta do seu "EU" e sofre de solidão.
E quando bater aquela puta tristeza, nenhum puto poderá tirá-la de dentro de você.
É tão gratificante perceber que há pessoas que fazem que sejamos nós mesmos sem medo, sem máscaras, sem rótulos... E que se fodam os que acham que estamos errados.
Eles não têm é a ousadia, a coragem de ser eles mesmos.Um bando de infelizes querendo nos passar a receita da dor, da desgraça, de todo o lixo que eles chamam de normalidade.

"Não existe vento favorável para o marinheiro que não sabe aonde ir"

http://www.youtube.com/watch?v=sP4mhUZoPyk

quarta-feira, setembro 30, 2009

Lembro de tudo. Minha alma tem espaços infinitos, reserva lugar para os pequenos detalhes e para os grandes acontecimentos. Não importa a magnitude da recordação. O que vale é a marca cravada nos recônditos mais íntimos. As imagens difusas ou clarividentes estão contidas nos minúsculos feixes da memória. Apego-me a apetência das coisas findas, tanto quanto a volúpia de alcançar, lá longe, as linhas do horizonte. As forças não esmorecem diante da garimpagem das emoções. Não tenho o dom do esquecimento; ás vezes, esquecer corresponde a um recuso de sobrevivência. Não me favoreço, todavia, de tal desprendimento. Como gostaria de anular alguns fantasmas e deixá-los na coxia do abandono! No fundo, conheço-me bem: Sou uma incondicional devota de recordações. Não repudio os apelos do ego. Ando de mãos dadas com certas assombrações. E minuto a minuto, assusto-me!
Acatar deslembrança, mero esforço de uma razão intocada. A memória abriga todos os nacos, guarda-os com desvelo e, foi não foi, a lembrança involuntária vem à tona, me pega desprevenida, me invade, quase sempre, me entristece.
O ciclo se renova indo e vindo, presentificando-se a qualquer hora, como se em mim habitasse um albergue sem limites. Carrego a leveza dos sonhos ainda não granjeados e a melancolia dos devaneios porventura frustrados. Mas o tempo da recordação se estende para o passado; afasta-se do agora, e por isso, alia-se ao ato das revivências. De novo e de novo, até chegar ao desenho idealizado. E hoje é dia de reacender as possibilidades. Todas.
Estou disposta a vasculhar nos vestígios adormecidos. Amanheço com uma enorme vontade de mexer em abismos inatingíveis. São tantos os motivos para enfrentá-los que não ouso trancafiá-los em zonas de interdito.
Volverei as lembranças recapitularei o que não aconteceu, pois é no território da infância que tudo parece começar.Não importa a idade, importa o estado de espírito, sensível à mutação.
De quantos sonhos sou feita? Não quero saber! Os multiplicarei.
Acreditar que a vida só tem sentido na medida em que desdobro a potencialidade do querer, do querer mais, sempre mais, de modo a fortalecer a ambição dos desejos. Afinal tenho plena consciência do poder da minha vontade. Percorro o périplo cotidiano, ainda que as curvas sinuosas venham a retardar as pisadas no chão frio. Vou e venho, a dialética serve para auxiliar a caminhada. Nem sempre as estradas planas levam ao porto de chegada. Quem já não sentiu o seu navio à deriva?
E, no entanto, em algum momento inesperado, as águas amansam, o corpo singra o oceano calmo, o silêncio se espalha dando passagem às ondas em cadência. A alma relaxa, pronta para exalar lembranças de ontem. Piso a terra firme e construo o mapa das inspirações. De posse de uma história que é minha, escrevo a biografia romanceada porque não tenho aptidão para a racionalidade pura. Misturo sonho com realidade e me sinto relativamente feliz. Quanta coisa aconteceu apenas na minha imaginação. Será que isso é diferente? Nada, somos todos iguais. Se o real me escapa, apego-me as invenções de mim mesma. Numa mistura caleidoscópica, observo por vários ângulos. Vejo pacíficas paisagens, cruentas batalhas, vejo amor, vejo ódio, vejo-me adulta, vejo-me criança. Entre opostos, sedimento os fragmentos; sou inteira, soberbamente inteira no retrato das reminiscências. Há em mim uma gruta antiga e bolorenta, grávida de lembranças e evocações, mas firme... Construída em pedra virgem.

quarta-feira, setembro 23, 2009

O sol clareia lá fora. Ninguém me vê. Os olhos piscam insistentemente à procura de uma meia-luz, que seja.
Vou e volto na lentidão da busca. Não me satisfaz acelerar o advir. Há tanta miragem a ser recriada neste despretensioso espaço que tudo parece começar agora.
Começo. Isolada ao canto esquerdo, tateio os extremos de ausência. Espio a nudez do chão na certeza de que os tempos fervilham no ar, fortalecendo a ancestralidade. Estou só. Não quero companhia. Qualquer diálogo quebraria a lucidez do gesto. Fui até onde não devia, cabe-me agora, arcar com as possíveis conseqüências. Trago no peito a droga da emoção. Faço uso, quando perco a cabeça, nem sempre se resume a portentosos renascimentos. Desprezo o que antes se fez ali. Meu ofício não é inventar, é remoer memórias. Brinco com o espaço que se alarga pouco a pouco no infinito do que me apraz. As horas tentam me sugar, mas escapo, driblo minutos e segundos, vigio o relógio inexistente. Diante da imagem, recuo. Não posso duvidar da minha parábola. A antiguidade representa o único recurso que me valho para vigorar a seiva das coisas findas.
...o quarto cresce pra dentro. Tenho medo das distâncias interiores. Penetro nos recôncavos de um corpo frágil e débil. Encolho. Abstraio o visível. Toco no imponderável e eis-me no absurdo de um espaço sem princípio nem fim. Estou a meio, a gravitar sobre o pequeno universo que me hospeda. Que "albergue" será esse? De repente, retorno à incurável timidez. Quantos amores deixei perecer à revelia? Que faço agora? Reabro a porta do túnel de um calendário vencido? Acode-me o frenesi de aproveitar a vida. Com a firme consciência dos que abandonaram desejos ao longo da estrada. Desde que comecei a escrever, passaram cinco minutos. Aproveitei? Se me escaparam, o que direi dos outros minutos? Idealizo a imagem do que nunca quis em verdade. Traços incertos e irregulares perfilam uma figura um tanto indecifrável. Há tantos intervalos entre mim e "eu" mesma. Não importa o pontilhado de um desenho em tela assimétrica. Reduzirei a lupa invasora para evitar inelutáveis enganos. Desde muito, já nem me recordo quando, talvez em um inverno enlameado de outrora, cobicei a discrição dos anacoretas. Não obstante da inclinação aos esconderijos, represo muralhas de vontades que se vão interpondo em uma cadência voluptuosa. Não consigo deter as pulsões que me instigam. Ainda bem que assim vivo, ao modo de um turbilhão inconformado, prestes a rebentar os sentimentos que se levantam à minha frente. Ah, quem me dera a liberdade das venturas inconscientes! Se desabarem as barreiras que me sufocam, irei me refugiar nas prateleiras desérticas do meu eu. Há recantos não preenchidos, sei que há. Resta-me o garimpo do querer, torná-lo possível também. Não receio os descompassos que regulam a bússola hesitante. Peço por pontos de fuga, passagens secretas para os casulos da alma. Ando escondida do mundo. Essa é a verdadeira história de quem não tem o que narrar rs.
Encho linhas vazias, eu, a própria imensidão do vazio no quarto desabitado. Longe de qualquer apreensão da realidade, assumo a intrepidez de dizer: existo
Embora haja "apesar de".

quinta-feira, setembro 17, 2009


A esperança é apenas adiamento. Aguardar significa protelar o não feito. O que venho postergando ao longo dos tempos?
Talvez não me lembre porque a lembrança dói, ou me lembre demais e , por isso mesmo, procuro anular as reminiscências à flor da pele. A realidade mostra-se delicada; merece, pois, tratamento especial. Tudo o que me acontece é pleno de significação, não sou capaz de fugir das ebulições interiores. Machuco-me à toa. Entre o sim e o não, perseveram inúmeras ondulações que me ferem ou me alegram. A palavra atenua os conflitos. O silêncio eleva à reflexão. O meio termo é a catarse.
Vejo-me um retrato em negativo, sem foco preciso, sem linhas de contorno. Qual o reverso de mim? Os ângulos do meu eu se contrapõem ou se complementam? O inverso parece lacrar o transverso em uma equivalência quase fidedigna. Tenho medo de escandalizar os sentimentos. O fio do novelo, cuja a ponta já não enxergo mais, desemaranha, a expectativa cresce em torno das emoções intermitentes. Espreito o momento oportuno para desabafar. Recolho as dobras do passado no sótão e confio no que guardo ali. A tralha amontoada faz de conta que mimetiza ao elenco das coisas “inúteis”. E vou...
Como se os meus opostos não fizessem parte de mim. E avanço. Não tenho alternativa. A oportunidade perdida mortifica-me. Seu que os ensejos passaram, agora só debruço-me sobre a insipidez do abismo. Não me arvoro a reanimar sensações antigas. Deixo de dizer na hora certa e as delongas simbolizam batalhas perdidas. Mudaram as cenas e eu não mudei.
A quem devo ofertar-me? Qual o endereço da minha vida? Solta no espaço, imagem etérea de mulher sem nome. Na pia batismal, criaram a ficção do meu eu. A água fria, a derramar-se sobre a cabeça, dissolveu por entre as dunas do sal da terr. Chorei diante dos impactos iniciais. Hoje me ensinaram a ter lágrimas. Peregrino desde então...
E guardo o retrato em negativo. E eu, solerte nessa miragem difusa. É dela que brota a inventividade de mim. Os ícones apagados me favorecem porque me recriam na suposta ilusão do rosto fosco. Engano-me?
Claro que sim. O desenho irregular serve para aclarar os desejos em crise. Se não existo no perfil concreto, melhor assim. Que bom saber-me apenas uma aquarela esmaecida! Quero-me afogada em incertezas. Sufocar-me-iam “Ah, mesóclise! rs” as verdades de uma oca oratória. O que faria com o caldo de palavras insossas?Abate-me a enormidade de um cansaço de coisas superficiais. Cumulo-me de essências. Dois retratos se harmonizam: O que acompanha as linhas do tempo, outro que me preserva em opacidade. As escolhas recaem nas definições, incrível.
Apesar dos paradoxos, fortifico-me em pilastras de unidades. Não amo, amei, nem amarei o explícito. Sou adepta visceral das pinturas em brumas. As curvas entre sinuosas me atraem, as vivências à beira do perigo me fascinam, os fios de aço de um trapézio quase celestial me perturbam. Qual a matéria prima da existência? Nem sei mesmo quem sou como saberei de que sou feita?
E não me apetece concluir. O pensamento flui desconexo, emerge de um apelo interior que se acelera à medida que transito no imponderável. Escrevo, escrevo, escrevo e não digo nada.
Prolixidade reinando. Whatever!
O retrato em negativo beneficia-me de vez em quando. O estado mágico da imprecisão. Talvez eu seja uma indefinida reprodução de mim mesma. Em preto e branco.

quinta-feira, setembro 10, 2009

Sinto frio e calor. Sinto fé e desesperança. Medo e alívio. Euforia e depressão. Sinto tudo calar e gritar de um modo assustador. Devastando tudo sem deixar dar vazão. Coisas mudando de uma forma tão voraz e eu aqui, ao lado do abismo, tentando cuidar de mim e do outro que entende ainda menos que eu. Eu ainda tenho pilulas de consciencia enterradas. Tenho uma biografia escrita pelas pontas das agulhas. É, desse jeito é impossível não sentir medo do escuro.
E para sair disso, eu não sei se poderei pagar o pedágio que irão cobrar.
Há um tempo definido nos calendários superpostos em mesas e paredes. Antes, denominavam-se cromos. Cuidadosamente elaborados, os cromos retinham o mesmo objetivo: mensurar o ano em vigência. E a ciranda reprisava em períodos contínuos e irreversíveis.
Os calendários diminuíram, ajustaram-se aos idos da modernidade. Não perderam, todavia, a função de contar a vida. Vivo assinalando, a priori, os acontecimentos futuros. E os espero com a ansiedade dos inocentes. O que mudou ou eu que mudei nesse ritual alheio à vontade?
Abro janelas, fecho portas. Olho o céu, amanheceres ensolarados, excesso de exuberância, aprecio a luminosidade dos astros, a ondulante cintilação, o brilho azul da abóbada estelar. Naufrago, volto a respirar. Afogo-me de novo, e assim vai. Não importa. Se não me esforço por praticar a agudeza da consciência, transformo-me num brinquedo de papel, a voar sem propósito algum.
O espírito de querer ir além do que vejo, me persegue.
E o que é tempo?
Um simples cromo na parede?Uma mudança numerologica? Ou uma liturgia de renovação?
:~~

Quem somos nós, de fato? Freud diria que somos ego, superego e id. Eu diria que somos isso tudo e mais uma mala de viagem perdida. Não há nada mais humilhante, porém revelador, do que se obrigada a desvendar o conteúdo da sua bagagem. Partindo do pressuposto que uma mala está no ápice do sentido metafórico. Parte do nosso cérebro que esconde todas as imperfeições, então mais que justificada a sentença: "mostra-me o que carregas na mala e eu te direi quem és".
Uma variação mais do que satisfatória daquela outra frase que diz ser possível saber quem nós somos pela companhia que escolhemos.
À medida que vamos tornando a nossa 'persona' pública mais complexa, menos queremos que os outros olhem dentro do que há de mais fidedigno em termos de representação pessoal: a nossa mala de viagem.
E toda aquela velha história, desde que o mundo é mundo.
Os ventos de agosto empurraram as nuvens, empurraram as chuvas e as águas, desapartando a briga do inverno com o verão, pare que este chegasse, pontualmente, no lugar da primavera. Em uma lua cheia, cheíssima, quase que um sol de sangue, apareceu setembro.
As velas voltaram ao mar, o povo correu às praias e o sol caiu de vez, despregado do alto, aceso como uma bola de fogo da aurora. A primavera está antecipada. Os animais, as arvores e até as pedras, muito mais que os homens, perceberam a mudança. Os pássaros começaram a cantar uma ninância à nova estação. As abelhas que esperavam flores, sonharam o mel.
O arco-íris pós-diluviano espedaçou as suas sete cores em asas de borboletas. Tudo voa. Tudo canta. Os peixes saíram das águas cegas e profundas. Tudo desliza. As nuvens ficaram mais brancas, as gaivotas mais alvas. As andorinhas saem negras do inverno e cada uma faz o seu verão. Os ares adquiriram uma transparência de vidro, uma visibilidade de cristal. Tudo brilha. Há um leite espargido sobre as coisas. O homem, se não consegue enxergar Deus, consegue vê-lo mais longe e, paradoxalmente, mais próximo dos seus olhos. A primavera puxada a saca-rolha, grassa pelo gargalho da garrafa. Tudo borbulha. Afinal, restando apenas empurram com um sopro de ingratidão, os ventos que trouxeram os sete dias de "7tembro" sopram uma frase de Sören Kierkegaard: "O gênio, como uma tempestade, vai contra o vento".
Eis setembro, o nono mês do ano civil, nos calendários, nos cromos, nas folhinhas, com seus trinta dias consagrados a Vulcano, o coxo deus que atiça as suas forjas. Os signos do mês (“virgem e libra”, parecem designar... se me permitem os astrólogos. A permanência da oscilação. No dia da mudança é o equinócio: a noite tem o dia por medida. Mais do que um mês, setembro é gestação, ele nos dá luz, nos dá à luz.
Despidos de casacos de julho e agosto, já ficamos vestidos de setembro.
O sol acende a sombra, os coqueiros estão tontos de imitar as ondas e as casuarinas roucas de imitar o silêncio. Do mar, a cor é um verde tão azul, que o espelho parece ser o céu. Se Narciso, um dingue vermelho de vela alvirrubra, vive inquieto para entrar na água, continuo achando o tempo bom para ver tudo e não fazer nada. Enfim, um dia de férias em vez de um mês. Ou melhor, um mês de férias em um dia.
Na rede tripla, não consigo dormir durante o dia, mal consigo dormir durante a noite, mas posso dividi-la em setembro.
Janeiro rima com fevereiro, assim como novembro com dezembro, mas setembro não tem rima, quero dizer, a sua rima está isolada por outubro. Setembro mão é só, setembro é sol. Setembro não é um, setembro é único.

sexta-feira, agosto 21, 2009

Costumo trancar afetos, cheiros, memórias. Se ainda fosse o caso de pedir silêncio, como seria fácil...eu me deitaria, fingindo de doente e teria paz, mas meu silêncio é a minha lâmina.

"Ainda tem o seu perfume pela casa, ainda tem você na sala.Porque meu coração dispara?
Quando tem o seu cheiro dentro de um livro, dentro da noite veloz..."

segunda-feira, agosto 10, 2009

Olho o relógio, mais uma vez me atraso. Os ponteiros indicam a cronologia perdida. As horas me devoram como um leão faminto à caça de uma boa presa. Vou para um lado, vou para outro, perco-me no emaranhado das linhas soltas. Nem sei por onde começar, o dia está cheio, a agenda repleta de compromissos, homens e mulheres transitam apressados, não há tempo para uma conversa descontraída, inquietações giram ao redor, cansaços aumentam, a fadiga se instala, absolutamente exaurida.
“Em vão tento me explicar, os muros são surdos”
Ligo, falo com um, com outro, aceno para desconhecidos, brota uma superficialidade que se traduz em atos mecânicos, os murmúrios nem sempre contradizem com o que almejo, a respiração ofega, o transito não avança, tenho hora marcada. Para onde vou realmente? ‘O que desatou num só momento, não cabe no infinito, e é fuga e vento’
O vazio me invade, carrego o peso inexorável das insignificâncias. Mas a jornada ainda exige esforço físico e mental. Enredo-me nos cruzamentos, já nem me reconheço. O anoitecer inicia, a nuvem pesada deságua, o corpo se molha, o velho hábito de não levar guarda chuva. Desisto do dia, volto. ‘“Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase”.
Entro em casa, jogo as roupas no chão do quarto e tomo uma ducha, entrego-me à beatificação da água, refestelo-me na cama, fecho os olhos...
Recapitulo a azafama dos momentos anteriores, a cabeça se atordoa o labirinto dos volteios me enlouquece. Não guardei o seu destino, então me perdi o caminho de volta.
“Porém meus olhos não perguntam nada”
O silêncio me acalma à semelhança de uma ducha de paz. Mas ainda escuto o burburinho da rua. E, sobretudo, assisto à desenfreada competição da humanidade.
Os valores inexistem, a corrida pelo pódio se acelera, todos aclamam os vencedores, só há lugar para troféus; aos perdedores, a melancolia da derrota. O corpo se retrai em repúdio ao desmantelo do cotidiano. A roda-viva fortalece o desgaste diário, a sensação é de tédio. O ambiente escuro me agrada e associa-se ao silêncio numa cumplicidade inatingível e, no entanto, absorvo a aliança bendita.
Clamo por afagos: quase pareceram no afã dos acontecimentos. Vulnerável, frágil, um vidro fino que se arranha à toa. E o palco da vida reclama personagens hercúleos, valentes, prontos para batalhas. “Tudo é possível, só eu impossível”
Acendo a luz num ato de bravura. Soergo-me do dia estafante. Passo uma esponja nos inevitáveis atropelos. Respiro fundo, sou outra mulher, amiga da noite e da serenidade. Entre luzes e sombras penso melhor. Reinvento as circunstâncias, descubro lembranças na mansidão da penumbra. “Estou escura, estou rigorosamente noturna, estou vazia”.
Trago, contudo, forças que me impelem a vigiar fotos. Aquela, é..me chama atenção. Olha-me com doçura, os lábios balbuciam. “Mas as coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão”.
E a noite me acalanta, trazendo-me o afeto. E mais uma vez eu deixo passear na superfície.

De vez em quando, nós!

.Ciclo vicioso doentio.

quarta-feira, julho 29, 2009

Dias avulsos

Um frio estranho espalhou-se pelo corpo, as mãos afagavam os labios silenciosos, alguma coisa precisava ser dita. O que falar? A cena voltava nos minimos detalhes, frases cortadas, desprezo, ódio, raiva. E agora o vazio invadia, tal qual um saco plastico cheio de ar que acabara de ser alfinetado. Havia apenas vulnerabilidades, nada mais. O medo embaçava as ideias, não queria voltar. Como enfrentar as ruinas de um sentimento tão vivo quanto o sangue que pulsa nas suas veias?
O amor pode unificar, o ódio mais ainda, todavia, ligaçoes de odio possuem mais intensidade, as de amor, talvez uma essência da eternidade. Talvez uma força motriz, fluindo como um todo em elos indestrutíveis, em ciclos intermináveis.Em alguns momentos, cheguei ao ápice do egoísmo, até que levei tudo para o abismo.A vida vai tecendo a teia, nos deixa proximos de alguns, afastando de outros. Pode nos levar a compreensão de algumas verdades não ditas.
Morri!
Dividi-me em duas partes, faço questão de habitar o inferno particular e sorrindo, posso esconder dos 'meus' demônios, as minhas verdades.
É, o dia nasceu melancólico, o céu meio turvo, mas não chovera.

Pior do que a tua voz que cala, é o meu silêncio que fala.

quarta-feira, julho 22, 2009

O virtuoso invade os sentidos, numa simbiose entre a arte e o jeito de amar a rotina. Jeito singular, um tanto nietzschiano: todos os momentos devem ser transformados em obra de arte.
A vida está aqui a palpitar, a latejar, a pulsar em veias inquietas, buliçosas.
Já carrego uma biografia longa.Páginas e páginas de um diário não escrito;calmamente me assegura a garantia do instante.
No recanto de paz, percebo os gestos sinceros, os laços visíveis, alguma amizade reforçada por uma cadeia ascendente.
Nada de novo nas narrativas. E, no entanto, o lacre das "antiguidades" confirmava pactos anteriores...
Minutos eternizantes e eternizados que nao se esvaem com a voragem do calendário.
A memória encarrega de armazenar o que de belo se conserva na trajetória existencial; As ternas sensações vão se superpondo nas gavetas perras do inconsciente.
Então, sinto-me mais rica de lembranças.

quarta-feira, julho 01, 2009

Estou sempre em briga com o tempo. Os ponteiros do relógio disparam na direção conhecida, a mesma, a meeesma; a circularidade não se modifica, os segundos são absolutamente únicos, as minhas pegadas não escoltam o ritmo frenético. Há um descompasso entre o tempo e a cadência que se move. Sou devagar. Tenho necessidade de refletir sobre o mínimo acontecimento, não gosto de me aturdir com os barulhos exteriores, nem com as festanças retumbantes, nem com o vozerio alheio; meus embalos são lentos, vagarosos, sumarentos, gota a gota. Talvez esta seja a razão de uma vida em permanente susto. De repente, o instante se esvai...vão-se as intenções de uma nova tecelagem. E, eu, pasma diante da célere roleta. Porque o mundo me assusta?
Lembro-me que em criança os olhos se arregalavam com freqüência. Foi não foi, o ar de admiração me tomava. Pronunciava uma tempestade de interjeições fora de lugar. Estive à margem de episódios comuns, corriqueiros, até prosaicos, tão cotidianos que ninguém se alterava, rosto algum se aborrecia diante de partituras desafinadas; Afinal, faziam parte da rotina e, no entanto, a mim me pareciam estranhas.
Insatisfeita com acenos desatinados.
De pouco serviram, entretanto, os meus espantos.
A acelerada competição entre os homens me apavora. A vaidade, a inveja e a soberba me afastam dos 'palcos iluminados'.
Indignação é grito de desabafo, toda vida, ninguém escuta.
E o medo medra, o corpo fala; Reage; Não é assim, como será?
Retraio-me.
Continuo pasma, atônita...paralisada.
Sentir transformou-se num verbo que não conjugo a toda hora.
Não importa a latitude nem a distância geográfica. Venho de longe: emoções nem sempre me paramentam, quero-me assim, vendo, ouvindo, perscrutanto, deixando que os volteios me emudeçam; Vou e volto; Conheço alguns esconderijos; Refugio-me ou sigo: Os atalhos me ajudam...
Há ruas estreitas e largas.
Não me canso de perder-me. Nunca sei onde estou e para onde vou.
Carrego um enigmático traçado dentro de mim, recolho mapas quase arqueológicos, ainda que não perceba as rotas de orientação.
No meu estado de permanente espanto, vivo em busca de alguma coisa que nem sei bem o que é.
Apraz-me esta errática sensação. Prossigo para alcançar operdido, nunca o encontro.
O 'afã' de querer dá sentindo à vida.
Ninguém pode aceitar o desejo enfraquecido, dele depende a corrente sangüínea da vontade.
As veias latejam pulsões antigas e esquecidas.
Todo amanhecer aponta para horizontes que nem sempre alcançamos, mas a bússola serve de norte paraaproximar ou afastaros passos do dia-a-dia. Pela manhã, a alvorada; À noite, o crepusculo. Ao meio...a construção do tempo.
Se tivesse que escrever a minha historia, necessitaria dos fios da meada daquilo que não fiz; São as interrupçoes que me preocupam, as rupturas também. Arrependo-me de algumas desistências; Abdicar representa um fracasso irreversível.
Enquanto retornar revela a força de uma hercúlea coragem. Quem disse que voltar é retrocesso? Pode ser uma grande saída. Às vezes, a única. Quantas vezes me perdi no caminho de volta? Inúmeras...
E, assim, pasma!
O tempo é a minha matéria. Não sou capaz de mensurá-lo porque o relógio se adianta para alguém da lerda senda, entretanto urge distribuí-lo com eqüilíbrio, pdaços iguais ou diferentes, a depender da intensidade dos apelos.
Tenho tantas dívidas afetivas que nem me sinto apta a saldá-las.
Ora, debruço-me sobre uma, ora, sobre outra; E, no vagar das horas, resolvo o que há de mais importante.
O ócio fortalece o pensamento, agasalhando divagações imprescindívéis ao inventário da vida. Buscando, buscando...deparo-me com vários sobressaltos.
Não pretendo transmudar-me numa coisa oca, protegida por falsas armadilhas. Prefiro continuar hesitante. A tergiversar, sem definições.

quarta-feira, junho 17, 2009

Silêncios, o silêncio!


Movida a ritmos ou falta deles. Gosto de andar por aí, despida de qualquer compromisso, olhar o mar, sentir aquele cheiro, apreciar a lua, apontar para as estrelas, pisar em areia virgem. Mas gosto, sobretudo, de recolher-me ao claustro, vigiar a chama da vela acesa, transformando-se, transformando-me..., deixar que pensamentos me invadam; Então sou pura imaginação, sequer sei o que se passa fora do meu quadrilátero de aconchego. Ouço música, permito inventar-me do jeito que eu quero.
Sobre a fina epiderme, assalta-me uma sensação de felicidade quase orgânica. Estou livre do mundo exterior ou ligada a ele pelo universo dos sentidos.
Fabrico e refabrico os desejos perdidos lá atrás.O prazer pelo silêncio é imenso, pela mansidão das palavras não ditas, por lábios que sibilam o inaudível. A essência não precisa ser pronunciada. Escuto-me, digo-me tantas vezes o que não devo, que calo-me em susto. Ouço as palpitações, um turbilhão interior agasalha o espírito, confortando-me. Conheço um mínimo da minha alma, que seja! E, no entanto, como ela me engana com as suas imprevistas ciladas. Antes assim...as linearidades não favorecem o crescimento individual. Estou convicta que as pulsações representam a semente de qualquer maturidade. Multiplico-me em sentido côncavo e, a cada movimento intimista, converto-me em um baobá de raízes seculares.
Neste momento, perscruto o relógio: são onze horas da noite e vinte e um minutos, chove, o vento uiva pela fresta da janela, os homens dormem, as árvores balançam, faz frio. O corpo, o meu, alberga-se em tecido mais espesso, encolhido ao seu canto, já rogou por amparo, mas existem apenas os ruídos da natureza, os ecos sonoros da chuva e do vento que acalantam o silêncio que me habita. Nada macula o estado de recolhimento.
Entre a menina andeja que visita a cidade, deambulando por ruas e mais ruas, indo e voltando, vigiando os lugares mais ermos, e a menina que esconde intencionalmente entre quatro paredes, em absoluto repouso do dia, pausa necessária à existência, luz apagada, somente a vela mostrando a chama ardente, mutação, fogo vibrante, não se apontam divisões, sim laços interativos.É preciso fugir para regressar ao epicentro do ser. Vontades díspares enriquecem o advir.Há o partir e o chegar. Na balança pendular, constato, entretanto, a forte propensão à condição de...sei lá!
Sou outra em retraimento. O oxigênio da quietude aumenta as forças, renovo-me, acato os fantasmas que me acalmam, nenhuma estranheza emerge desse estágio letárgico. E a alma no êxtase da serenidade.

Porque gosto tanto da reclusão? Por temperamento, cativam-me visões profundas, assíduas, indagnações, uma espécie de vivência introspectiva, o imo à procura de grutas ocultas, secretas, desérticas. Nunca almejei atender aos anseios, há que se manter uma parte de si encoberta pela fumaça dos mistérios, alguns mais próximos, outros mais distantes, todos pertencentes ao mesmo tronco identitário. Não quero simplificações!Tampouco acreditar em retratos apressados, nem sei definir-me.
Bastam-me os elos enredados entre si, como uma teia de aranha bem tecida.Só, no silência monástico, guardo-me em fortalezas que ainda entrontro em pilares destroçados.
A muralha não é de pedra, mas é de uma invisível "solidão" que se constói. Edifico dia após dia a malha de bilros, clarividências, desenhos indecifráveis ( O dadaísmo me salva nessas horas, ok).
Nem sempre o resultado é compatível com a esperança depositada na laboriosa fabricação. Todo trabalho de construção interior possui valor em si mesmo.
Que esforço desprendo para ser completamente inteira. Esforço talvez inútil. Por isso, caminho em estradas e estradas, acabo me refugiando em prolongados 'retiros', ora mais meditativa que andeja, ou vice-versa.
De qualquer forma, o pensamento me acompanha na agudeza da introspecção, no que é percebido pelo sentimento, no que o coração fisga com mais vigor. Faço da minha vida um exercício perene de autoconhecimento. E eu nunca sei quem sou.


"Tenho fases como a lua, dases de andar escondida, fases de vir pra rua"

quinta-feira, junho 04, 2009

Em tempos aparentemente intensos a místicas transcendências, cujo obsessivo racionalismo fere no nascedouro o próprio conceito de sobrenatural. Onde estão, onde estais?
Como a neve (ou açúcar), dissolveu-se. Já não ousam abrir as portas do visível vir e habitar, ou pelo menos passear aqui, dentro de mim. É como se vivos e mortos, cada um com o seu lado, já não soubessem se imaginar: uns e outros atrelados à radicalidade do ser e do não ser ou ao visgo da 'esterilidade', não da duvida, mas das certezas que impedem a 'poesia' de um convívio.
É no discurso do mundo invisível que vai se tornar visível quando eu permitir, que insiste em negar os relógios. Que as assombrações tragam aos meus olhos a poesia e a sabedoria de escolha.

quarta-feira, maio 27, 2009

Sempre na mente, de vez em quando corre na face. Talvez um sonho, um pensamento...sei lá. Outra vida.O sangue, as lágrimas...gota a gota vão desenhando no tempo o que nunca pude viver.Os gritos chegam a me emudecer, os sorrisos doloridos, entristecer.A dor do sentir, do nao viver cega.Como quem sofre pelo que o coração nao nega.O orvalho que a face goteja.Orvalho vertente da pupila que se mantém inerte, riscando um sorriso na mascara de cera.

domingo, maio 24, 2009


Esse sentimento pode até ter vindo de poesia, a tudo acrescenta alegria, enquanto só me esvazia.Despercebida, contudo, julgo que tudo isso tenha conteúdo para poder analisar a miúdo.De tanto racionalizar, vou adquirindo o medo de amar, medo do amor. Mas me deixo levar pelas duvidas que ainda pairam.Perco-me em teorias infundadas, quase sempre sem sal, frias... assim paro os meus longos dias.Criatura cheia de conjecturas,todavia carente de ternuras.
O que me fará se um dia me sobrar 'saber' ?Se eu não puder embeber a minha alma na de outro ser?

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The Fray - Never say Never♪
Não consigo ser quem fui, não consigo fazer com que sejas quem foste!Não posso mudar o passado.Essas coisas não passam de lembranças cheias de afetos, mas nenhum afeto solto.
Esse futuro pode ser ilusório, mesmo que já tenhamos planejado o bastante,não seremos o futuro que viamos ontem...As coisas sofreram e sofrerão mudanças, os valores podem até mudar.Será que ainda sentiremos desejo, amor...?
É, não sei!
Presente, só mais uma ilusão.É dificil aprender que as coisas vão e vem, vão e ficam...causa tanta angústia esse medo de perda. Preciso compreender que ganho quando perco. As coisas, o tempo, as pessoas passam por mim e eu por elas, mas nada, nada nos une senão as ilusões que um dia foram partilhadas.
Hoje, eu posso ter soluções, amanhã, apenas os soluços!

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E não, isso não é uma confissão de um ser derrotado... nao cuspiria meu âmago assim. Vez ou outra ele passeia na superfície, mas nem sempre tem vez. Não aqui, aos olhos de um qualquer.
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Sonata Arctica - Paid in Full♪

sexta-feira, maio 22, 2009

Dentro do léxico etimológico semântico, posso sem medo, usar a sintaxe morfológica, subentendo a conotação de algo pirético e efêmero.Nitidamente contemplo uma cosmovisão sob uma égide nilística e exacerbada de um ser 'idílio'... Uma relação profunda, todavia com pouca importância somada.


Marisa Monte - Não é fácil♪
A noite parece não querer ter fim, as dores sentem necessidade de estarem acentuadas mesmo quando tudo é claro. Preciso saber o que é certo e agir em consonância com essa crença. Mas sem hipocrisia! A ânsia e a avidez por mudanças nesses mecanismos sentimentais. Inovando a brilhante idéia 'pactuária' de sentimentalismo, repensando sobre a competência de quem diz não sentir. Não me envergonhando de mudar de idéia uma vez, de pensar talvez. Ou então restará o silêncio da incapacidade.
Não é tão seguro investir, mas é preciso esquecer as antigas lições, mudar os velhos conceitos, apostando numa reciclagem sentimental. Abolindo os atrasos que engulo indigestos por meses, promissores de esperanças nunca realizadas!
Devolve o que ainda está contigo, mas que me pertence...o que tu nao cuidaste, nem nunca irás cuidar. Devolve o amor latente ao corpo vazio.
Deixe-me com o aparente morango com sabor de limão;ainda há quem não queria viver em vão.
"Às vezes nunca te vi antes
Às vezes nunca amantes
Nunca além
As vezes nunca te quis
As vezes nunca infeliz
Nunca ninguém

Não te reconheço mais
Tuas roupas são outras
E soltas de mim
As palavras da tua boca

Te vejo e pareço louca
Sem memória sem história
Até que alguma canção
Algum cheiro ou expressão
Me faça te ver de novo
Mas é rápido é quase pouco...
E nem dói nada...
Nossa paixão congelada"

Confissões de lugares proibidos

Confesso que sinto-me num deserto com luzes, mas luzes bem ofuscadas.Não sei se fizeram questão de deixar esse brilho ficar menos intenso, ou eu que vejo menos cores nesse arco íris.
Confesso que essas tardes de maio, enlutadas pelo inverno antecipado me causam nostalgia...
As luzes vez ou outra voltam aos meus olhos, mas logo perdem o devido brilho...ou o brilho que eu costumo ver, o nao fatídico, o utópico.
Confesso que nao lembro ter dormido a noite passada toda, o frio era maior que as luzes pálidas.
Confesso que pior do que sentir-me triste, é perceber que ainda choro, e choro por você.
Confesso que vejo os dias, as semanas, os meses, daqui a pouco os anos passando e eu aqui. Vez ou outra, nós! Quase sempre, só eu! Eu e o meu sentimento cego, burro...Que insiste nessa faca de cortar pão que só corta de um lado.
Confesso que é difícil compreender quando há tamanha inconstância.
Confesso que dormir sem as suas palavras, me atormenta.
O teu silêncio pode me acalmar e hoje eu ainda espero esse dia chegar apara te dar o carinho prometido, os mil abraços, as noites em claro te observando...
O 'cuidar' propriamente dito.
Confesso que acordar sentindo-me inerte com relação ao que deveria ser efêmero, é constrangedor.
Pasmo com a minha capacidade em outras situações semelhantes e a minha situação agora.
Confesso que é difícil deixar-te no passado que ainda se faz presente, mesmo sem...é!
Além do 'namoro nao começado', além dos 'eu te amo' no fim da noite que me arrancavam aquele sorriso bobo que você adora.
Confesso que com o fim dessa distância eu poria um fim no meu sentimento de saudade do que nao vi.
Queria que tudo fosse tão simples como parecia ser no início...
Que as abelhas se aproximassem sempre que houvesse mel.
Confesso que queria o seu amor em troca do meu.
A reciprocidade me põe a pensar sempre nesse caso, se faz tão ausente, eu sinto medo e recolho-me ao silêncio de uma vida eterna, de um amor que ainda acredita em plenitude.

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Legião Urbana - Quase sem querer♪

quarta-feira, maio 20, 2009

Há quanto tempo não sinto aquele cheiro? Aquele afago de mimos, com caprichos de sutileza, macio, doce, especial. Ah, que saudade do gesto branco e agradável! Uma pratica requintada que se traduzia num apelo de leveza. É, nada mais singelo que um cheiro. Pulam a toda hora. Sem que desse por isso, os meses foram passando, as relações se tornando mecanizadas, a humanidade acanhando-se do jeito de sentir, os meneios solidários desapareceram, mas a Terra continua girando em torno do Sol. E os sentimentos trocaram as expressões, embora na essência sejam os mesmos.
Onde anda o romantismo? Onde anda o cheiro colorido? O aprendizado existencial me chama a atenção para os artigos corriqueiros anacrônicos, escondidos em baús fechados a sete chaves. Não desisto de perguntar: O que fizeram com os encantos?
"Perdi o bonde e a esperança, volto pálida pra casa".
Em momentos assim, lembro de você... Quando amores 'não correspondidos', logo recorro à minha 'quadrilha'; enfrento um obstáculo mais clarividente, o que encontro é uma enorme pedra no meu caminho. Diante das vulnerabilidades, coração machucado...
"Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo."
Se existe descompasso entre os meus devaneios, apego-me à rima.
"Mundo vasto mundo se eu me chamasse Raimundo seria uma rima, não seria uma solução"
Como sobreviver sem versos que trazem à superfície os mistérios do âmago?
Trago na mais recôndita porção da alma e de novo apego-me às transfigurações: "E depois das memórias vem o tempo trazer novo sortimento de memórias, até que, fatigado, te recuses e não saibas se a vida é ou foi."
A memória persevera. Atiça a consciência. Reclama espaços num mundo cheio de renovações. A vida é o que foi... Sei lá!O presente se faz breve, enquanto o passado corresponde ao tempo consistente. Os dias atuais ofuscaram a dimensão lúdica da rotina. Não há tempo para belas tradições. Ecoam apenas ressonâncias de um pretérito não tão distante assim. Todos correm em direção ao nada, os carros buzinam, o frenesi, se instala ninguém conversa na esquina, as mãos se agitam em desordem, vou e volto, não faço coisa alguma, angustio-me para chegar pontualmente em compromissos marcados...
Não sei o que se passa em mim, os sonhos esmoreceram em certa encruzilhada, e então... Então! Estou cansada, o corpo pede um mínimo de sossego. Acordo, olho o relógio, atropelam-me os atrasos.
Desperdiço horas, meses, anos... Ando a patinar em gelo, escorrego na estrada da vida, levo um tropeço; Não importa, ninguém viu. Há tanta gente nas ruas, nos mercados, nas lojas!
E tudo isso pra quê? Mas né..que seja!
A verdade é que o cheiro sumiu, pelo menos perdeu a força majestática. Outro dia me surpreendi ofertando um cheiro. Foi quando me deparei com o espanto de um impulso inopinado. Serei alguma ré de gestos à antiga? Acho que sim. Confesso que não me preocupa essa indisposição com o mundo excessivamente ocupado.
Carrego uma saudade embutida no peito, um grito de pasmo, às vezes até mesmo uma frustração por não ter defendido com mais afinco os valores que me faziam feliz e que lamentavelmente feneceram. Porque não recuperar um dedo de prosa na hora crepuscular, um ingênuo momento, o cinema à tarde, as idas a casas de 'amigos', o açaí no fim da tarde...tudo pode demorar para voltar , ou talvez ter ido embora realmente, mas não a essência tão delicada, inocente, bucólica.
O cheiro, por favor!

terça-feira, maio 19, 2009

Em lugar onde todo mundo fala ao mesmo tempo, todo mundo ouve barulho, mas ninguém escuta, ninguém! Qual a 'nossa' palavra sobre o mundo que rodeia de forma autônoma?
Quandto mais vertiginoso o tempo e a história, maior a necessidade de produzir um silêncio interior, germninativo da criatividade. Silêncio do qual possa brotar uma palavra sobre aquela tempestade que se anuncia desconcertante.Apenas uma palavra que se abra ao diálogo consigo, ou com o outro e com os outros. Palavra semeadora de esperança e serenidade. Para encarar as crises múltiplas internas caracterizadas pelo caos, pela balbúrdia e pelo mal-estar que delas derivam, é preciso, mais que nada, serenidade.Qualquer opção está fundada numa determinada escolha moral. Melhor falar de criterios associados à dimensão da ética, ao senso de justiça, ao compromisso com a vida e a liberdade. Assinalar escolhas que passem pelo desenvolvimento da autoconfiança. Somos sujeitos, nao objetos. E, para crescermos como sujeitos, precisamos antes, crescer como éticos.Como poderemos ou deveremos adjetivar a finalidade, objeto de nossas escolhas pessoais?
Estaremos buscando o tipo de felicidade subjetiva, desenhada pelo ego de cada um, em consonância com os valores propostos pela sociedade.
Querem ditar valores que configuram a opção.Mas no oficio de pensar para agir, os 'grandes' nao nos substituem. Precisamos sedimentar as ações e partir da experiencia do silencio e da escuta. E, com serenidade, ensaiarmos algumas saidas para as graves 'guerras' que estão sendo impostas. Sejam elas com relação à opção sexual, crise ética, ecológica, política, econômica, do nosso tempo.Vale apena ressaltar opiniões isoladas, apesar de fazerem parte do contexto. Nao se constituem no sentimento da maioria, dita 'democracia'. E a liberdade de escolha ainda é a minha prioridade, com todo respeito.

domingo, maio 17, 2009

"Algumas coisas que nós não conversamos,
Melhor continuarmos sem
E simplesmente segurar o sorriso
Caindo dentro e fora do amor
Envergonhado e orgulhoso, juntos todo tempo

Você nunca pode dizer nunca
Ainda não sabemos quando
Mas de novo e de novo
Mais jovens do que éramos antes
Não me deixe ir...

Nós estamos nos separando
e voltamos sempre
nós estamos distanciando um do outro
mas nós, nos mantemos juntos
nos mantemos juntos, juntos de novo"

sábado, maio 16, 2009


Em inúmeras ocasiões, me senti como uma jogadora que perde o pênalti. Uma sensação de derrota por antecipação em algum sentido. Uma sensação que toma de assalto depois que cumprimos, com êxito, uma tarefa até então considerada impossível. Incontáveis vezes lutei contra todas as improbabilidades, movida unicamente por sangue, suor, lagrima e vontade, consigo equilibrar o placar aos 43 minutos do segundo tempo. E aí, tudo o que me separa da vitória completa, é um punhado de chutes a gol.Direto, sem obstáculos nem de longe comparáveis com àqueles que já havia enfrentado, e que superei quando todo mundo já se levantava para propagar a derrota.
E é exatamente nesse ponto que me invade o sentimento que eu chamo de sabotagem. Involuntária, misteriosa, destruidora autossabotagem. Uma espécie de punição que me faz perder o jogo. A autossabotagem pode ser a minha companheira fiel em várias esferas da vida pessoal: no trabalho, na amizade, nos estudos...e muito, mas muito mesmo, no amor.A autossabotagem é um estado mórbido caracterizado por um conjunto de sinais e sintomas, e que pode ser produzido por mais de uma causa. O medo de nao conseguir, de não ser merecedora, de ser inferior, de nao estar à altura da 'missão', é o principal combustível. O medo que é matador de mentes, que se assemelha a uma pequena morte, o medo que quando passa sobre a gente deixa um centenário de devastação para trás. A autossabotagem que de vez em quandou, ou de vez em muito, atrapalha a minha ou as nossas vidas, traço e trilho com garras de leão. É como se dentro de mim, houvesse duas forças: uma que garante um destino brilhante, e outra dizendo que este tipo de glória só acontece com os outros. E eu nunca sou os outros. Por isso que quando acometida com a 'síndrome' da autossabotagem, entrego a vitória praticamente certa a esses mesmos outros. Sob um ponto de vista distorcido e achatado seriam os verdadeiros merecedores de um mundo melhor.
Ninguém nasce sabendo das artes da autossabotagem. Aprendo isso como quem aprende a falar uma palavra de cada vez.Um ser graduado na autossabotagem, é muito difícil se livrar do padrão.O exercício dela transforma a autoestima em pó, e é nesse estado, aos caquinhos, que me vejo paralisada, quando tudo o que precisava para selar o destino de ser e estar, era dar o ultimo e definitivo passo.

sexta-feira, maio 15, 2009


Transcendi da noite para o dia. Por vezes sem horror à morte, mas sempre com medo da vida, que para tantos é tão querida. Mera fantasia...
Nostálgica e cética, descendo dos altos píncaros andinos, onde visei à minha utopia. Vendo a amplitude da agonia, com coração rígido.
Dos mitos, vejo a arquitetura cósmica. Da falsidade, o ideal mundano. O coração que parecia fraterno, não tardará curtir desprezo cruel. Sorrir dos longos gemidos do inferno alheio. De quem soube ser amigo muito fiel. Na paz do Éden, na confusão de Babel.
O olhar que sumulou paz e ternura. Oculta o mal, a voracidade da fera. A volúpia incontida da tortura. Guardando ódio terrível que desespera. A felicidade que parecia perto, era a utopia que no interior se desfaz. Seus labirínticos caminhos não acerto. De alcançá-la, considero-me incapaz.

quinta-feira, maio 14, 2009


Receio que me mantém inerte. Receio que fascina fremente da curiosidade que me faz seguir em frente, sentindo a brisa ao tentar sair, me recolhendo quando sinto a sua falta.
Medo ofuscante: Luz!
O tempo conta-me segredos velhos como o mundo.
O tempo é novo! A vida ainda é nova e anda despida. Vestindo-se apenas quando há saudade e vontade.
Bons amigos dos tempos fogueiros. Consolo ideal das nossas vidas. Que a saudade te traga vez ou outra. Longe da nossa amizade, longe de tudo. Acredito que sentes falta do que ainda há dentro de nós.
Procurando espaço para o desenho da vida. Se volto sobre o meu passo, já é distância perdida. Coração ainda não é de aço. Animo-me até com um breve traço. Saudosa do que não faço. Do que faço arrependida.

quarta-feira, maio 13, 2009


Tenho consciência de que os opostos nem sempre se atraem: Sigo em uma direção, nem sempre acerto; Então, faço o caminho de retorno; Vou e venho; Há uma circunvolução que me inquieta, mas nunca me assusta. Sei o quanto necessito de enxergar por vários horizontes. Aqui ou ali existem paisagens que me tocam. Opto pela razão, mas e quando a emoção é mais forte? E o 'amor' é o clímax da grandeza que me eleva ao êxtase. O relógio me repreende: O tempo passa como um mensageiro fugaz. Não consigo reter o instante, a ciranda roda com voracidade; Em meio à encruzilhada das decisões, estou perdida. Sim, perdida, completamente, alguém que busca o impossível numa batalha de desiguais, o mundo e eu.
Às vezes corro demais e paro de repente como se o abismo estivesse à minha frente. Estanco os passos, freio os sentimentos, sinto as amarras me impedindo de avançar. Correntes me aprisionam, luto para expulsá-las, vejo-me em permanente condição de alerta. Vida, vivente, pulsação, energia, vontade de gritar, de nunca calar os profundos anseios. Momentos de reflexão. Momentos de dinamismo. Entre um e outro, nasço toda hora.
E nasço diferente, com jeito especial, quase a negar o que já fui uma tendência para equilibrar-me em pontos eqüidistantes. Rupturas se dão em uma linha de crescimento ou de retrocesso. Não sou capaz de selecionar os pequenos nadas que se acumulam ao longo do dia; Simplesmente delicio-me com os eflúvios que deles jorram. Jamais me afasto da capacidade de esvaziar-me, uma forma meditativa de existir.

O silêncio me fortalece na intensa introspecção. Porta fechada, espaço delimitado, a penumbra a trazer pensamentos em cadeia. Qual deles escolher?
O tempo não é de escolhas, é de hibernação. É hora de consolidar a minha clausura interna, deixar-me invadir um pouco pela emoção como se me dividisse em muitas partículas, que são meus 'eu’s'. Ah, apetecem-me os heterônimos de Fernando Pessoa! Quem sou, finalmente?
Aceito a hibernação como estado mais legítimo do momento reflexivo. Nada se move ao meu redor; Não quero estímulos externos. Careço do dialogo de mim para mim, uma espécie de solipsismo que não se encerra na magnitude do instante. Crio e recrio cenários. A solidão até desejada consolida a vocação de um ser que roga e que suplica por amor. O rosto sereniza enquanto a alma permanece dolorida. São tantos arranhões que a marcam. São tantas agressões indevidas. Paixões interditadas. Não momento não almejo o significado das palavras, apego-me à letargia que me induz ao poder de me ver por dentro. Descubro uma saudade que vem de longe, cravada no peito, canto esquerdo, lá no escaninho que se oculta entre os remotos emaranhados.
Sentimentos afloram. Não estou sozinha, o que seguramente me garante um bem estar.
A fatia maior do que ‘eu’ vem à superfície... Imóvel e de mãos juntas, ungida pela sensação de que existo em plenitude. Não me evito, até aceito os desafios, conheço os fantasmas que me cercam, um a um. Invento-me. Nessa invenção, capto o que de melhor posso oferecer. Com paciência e desvelo insisto: O escuro prevalece, a invisibilidade me assegura o desenho da alma, sem contornos, porém absolutamente receptiva aos apelos. Assim respiro fundo e digo: "O universo não é uma idéia minha. A minha idéia do universo que é uma idéia minha. A noite não anoitece pelos meus olhos. A minha idéia da noite que anoitece por meus olhos. Fora de eu pensar e de haver quaisquer pensamentos. A noite anoitece concretamente. E o fulgor das estrelas existe como se tivesse peso.


"A lua quando roda é nova, crescente ou meia lua; é cheia... e quando ela roda miguante, meia, depois é lua novamente, mente quem diz que a Lua é velha.."

Ninguém nasce livre, torna-se livre: a liberdade não é algo dado, mas resulta de um projeto em ação. Dessa árdua tarefa cujos desafios nem sempre são bem suportados é que decorrem os riscos para a conquista da liberdade. Os descaminhos surgem quando ela é sufocada à revelia do sujeito. Casos de escravidão, prisão injusta, exploração do trabalho, aristocracia, até mesmo quando abdicamos dela, seja por comodismo, medo ou insegurança. Construir a liberdade, porém, não se reduz ao trabalho solitário, de indivíduos isolados.
Os grupos da sociedade civil são importantes como formadores de consciência para instigar a ação coletiva no sentido de garantir a expressão dos diversos tipos de liberdade. Cabe ao olhar atento das pessoas em duas vidas social, pessoal e profissional... Identificar e denunciar as formas de prepotência bem como a ação silenciosa da alienação e da ideologia.
A vida moral nao resulta de automatismo, mas do demorado e difícil descentramento do indivíduo que supera o egocentrismo infantil, seguindo em direção ao meu reconhecimento, talvez.Garantia da experiência evoluida de reciprocidade.
Há tantos que da liberdade renunciam, para se acomodar na segurança de verdades dadas.
E assim, mesmo tendo conquistado a 'liberdade', presos.

Manhã de quarta-feira. Céu tão límpido que o azul inviolado insinua a morada dos deuses. Inalando a atmosfera em vibração. A natureza me confidencia certezas que eu nunca admitiria. Que as obrigações não sumam, esbanjando satisfação nesse mês com prenúncios de chuva. Por mais que as palavras jorrem significados, nenhuma traduz a 'satisfação' interior que marca o 'sopro da vida'. A tirania do calendário ao périplo existencial.Não, não é a data do aniversário! u.u
Alguns murmúrios, meio silêncio. E a minha alma repleta de segredos. Remontando pedra por pedra, os meus devaneios. Lembrando da ausência como sempre, sendo capaz de descrever os sonhos em sombra, ela sabe de tudo...tudo.
Perscrutando os imbés. Abrindo os braços num gesto de redenção. Dizendo em paz algumas palavras do poeta: "O presente nem é tão grande, não nos afastemos. Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas. O tempo é minha matéria, o tempo presente, as pessoas presentes, a vida presente."

terça-feira, maio 12, 2009


Nem a metafísica, nem a teologia teriam dado a devida ênfase ao medo que habita as mentes por aí.
Medo de fraquezas, pecados, medo da morte, do sofrimento, da solidão...
Toda aventura humana sobre a terra não é senão uma permanente e não resolvida tensão entre o medo e a esperança.
Há, antes de mais nada, o medo existencial, medo fundamental, direta decorrência da radical contingência, a não necessidade de todos os seres visíveis, como Sartre percebeu melhor do que ninguém, a dramática evidência de que tudo que aí está, e, portanto nós mesmos poderíamos não estar. Nada exige a existência de coisa alguma que se encontra posta neste mundo. Estamos na existência, não somos a existência. E do mesmo modo como estou, poderia não estar. E se nada exige a nossa existência pessoal, se nada exige que eu haja começado, porque esse 'eu' não poderia também ter um fim absoluto, porque deveria continuar para sempre, indefinida eternamente?
Viemos literalmente do nada, frase que já é em si mesma, meio absurda, porque dá a entender que antes já seríamos alguma coisa, e, no entanto, rigorosamente não éramos coisa alguma. Fomos criados. Nada éramos antes. Porque então o nada absoluto não pode ser também nosso destino final?
Medo, portanto do retorno ao nada inicial. Medo da vida, da morte, do fim, do dia seguinte... Medo do que nos aguarda no próximo minuto. Medo do total aniquilamento. Medo da não existência, do 'não ser'. Somente as crianças que ainda não têm consciência da insegurança do dia de amanhã, podem viver felizes. O que não será o homem capaz de fazer por conta desse medo ontológico? Quem sabe não estará aí, como por um processo de compensação, a raiz daquela pretensão de ser. A auto valorização exacerbada, dar ênfase à si mesmo, o orgulho, a soberba... Talvez a origem de todos os pecados.
Depois de tantos outros medos específicos, pontuais; medo das privações, enfim...
Medo das canseiras, do esforço incessante, do suor inerente ao dia de amanhã... Origem da tentação da preguiça.
Medo da dor, do sofrimento, do choro, e a compensação será a atração pelo prazer desvairado que de nada vale.
Medo dos outros, da força, da simples presença...
Em meio ao acaso, muitos medos. Por mais graves que sejam, e são, podem de algum modo resultar de nossas debilidades essenciais. Serão muito mais pecados na linha da fraqueza do que na linha da maldade. No fundo, aqueles que clamam aos céus e pedem a vingança, segundo a antiqüíssima tradição jurídica: o homicídio voluntário, o pecado contra a natureza em matéria sexual, a opressão aos pequeninos, a retenção ou privação do salário devido ao trabalhador, pecados em geral praticados pelo poder e pela prepotência.
O que há no fundo das nossas quedas que bem podem ser manifestações de angustias, medos fundamentais... Há quem conheça o meu coração e saiba dos medos existentes. A consciência, 'a' pessoa.

segunda-feira, maio 04, 2009

 
Em tempo real, muitas vezes, eu não sei se já estou vivendo uma realidade do final do século XXI, ou se a humanidade ainda não saiu dos tempos das cavernas. Visitar, mesmo que virtualmente, outro planeta me encanta. Ser visitada pela barbárie, que nada tem de virtual, me espanta.

quarta-feira, abril 29, 2009


Num mundo perfeito, deveria haver alguém ou alguma força superior que disparasse uma campainha para avisar aos daqui da terra quando um relacionamento amoroso está no começo, no meio ou no fim.
É, muitas tolices são cometidas apenas porque , do lado de dentro, não conseguimos vislumbrar esse importantíssimo dado temporal.
Muitas vezes pensamos estar no começo, aparências indicam, mas os fatos não confirmam.
Ter sensação de um tempo perdido diante de todos os "não me toques" usados para preservar o inicio de uma relação. Não perder tempo sendo ‘incubadeira’ de um amor sem futuro. Racionalizar não é verbo que combine com apaixonar. Não é fácil deixar ir algo que um dia foi bom demais.
Mas, para evitar dor descartável...
O amor acabado toca tão alto que quase não nos deixa dormir. Num "tique-taque" feroz que nos faz acordar no meio da noite, o coração acompanhando o compasso que tem data marcada para parar de vez. O tempo extra, que teimosamente insistimos em dar. É o seu marcapasso.A campainha toca, irritantemente, nas pequenas desatenções, e nos esquecimentos que prenunciam o ponto final.
E também toca na falta, de uma coisa que esteve ali, dias atrás, quando amava e achava que era amada.

Faço silêncio, ouço a campainha, o barulho que atormenta, por vezes os 'atores' voltam, se desculpam, mas não há outra vez... A vida não tem ensaios. Dia de estréia, todos os dias. Acolho apenas a consciência da saudade. E só.

terça-feira, abril 28, 2009

   


Em todos os segmentos da nossa realidade, foram sendo quebrados os espelhos que refletiam a imagem ideal. Não foram construídos outros personagens a partir dos quais tínhamos como referência nos nossos projetos de vida. E eu não conheço momento na história, sem que tivéssemos referenciais a serem seguidos.
Procuro, em diferentes e amplos campos, algo que seja incomum em todos esses 'nomes' que são usados como referenciais, que construíram e que ainda constroem os nossos sonhos mais utópicos, talvez...
Que não se sentiram satisfeitos em viver a história, nem narrá-la: construí-la. Ai não resta qualquer duvida. Pessoas que alinham as suas condutas pela coerência, e principalmente, pela ética.
Posso acrescentar outro sentimento à minha 'comoção' e à indignação: a tal frustração, talvez. Quem sabe, em muitos casos, a terceira, como causa das primeiras. Ou seria conseqüência?Sei lá!
Depositei as minhas melhores expectativas nas 'novas' referências que foram aparecendo no decorrer desses últimos anos...
Mas elas, infelizmente, não pautaram as condutas pela coerência e muito menos pela sensatez. E eu não sei por que me decepciono ainda com coisas corriqueiras... Fico subestimando a capacidade de algum ser me decepcionar, burrice.
Se desejar outra realidade, a do "ser", e se quiser manter os valores preciosos, é preciso, urgentemente, haja uma recuperação dos fundamentos básicos: coerência e sensatez.

Como pode se formar um caráter de uma geração futura, se a família, que deveria exercer o papel de proteção, mata?
Se a escola que deveria ter um papel enorme na educação, destrói por muitas vezes? Se a igreja vende indulgências?
Se o resultado do 'suor', não é repartido?Como construir um íntegro cidadão, se, desde muito cedo, ele pode perceber que os escolhidos para prover, coletivamente, a proteção, educação, saúde, própria cidadania, tiram o que é de todos, para proveito individual? Que diferente do que deveria, ele também pode ser dar conta que a vida pode ser construída com a contribuição de cada ser, para beneficiar todos? Que acontece, exatamente, o contrário?
Francamente e infelizmente, aquela duvida que eu alimentei por tanto tempo, se era noticiário que influenciava a novela, ou se era o contrario...a duvida tendeu a dissipação.
Fico cada vez mais convicta de que a realidade alimenta a ficção. São tão poucos os dramaturgos em relação aos tantos personagens da vida, mudar o enredo das novelas bastaria. Mas qualquer mudança não parece fácil.
A realidade não se muda trocando, ou camuflando a noticia.
E o noticiário, nos últimos anos, se o assunto é com relação às nossas referências, não tem sido alvíssaras. O que mais se vê são desvios de coerência, ética, sensatez...
Maus exemplos, pobres valores, péssimos referenciais...
Para a geração de hoje, e as que ainda virão, vivam na plenitude da cidadania, não há que se criar novas leis. Uma lei pode ser legalização de um costume. Mas se os costumes de possivelmente elaborou as leis, são maus, o que esperar da lei já existente?
E porque eu to falando disso? Quase ninguém se importa, mas continuam a dizer que o inferno é aqui.
É o 'senado fantástico'...
Que as portas dessa mudança, sejam forçadas de fora para dentro.
Que as histórias tomem rédeas. Que transformem o sal em mel. Se não colocarem em pratica os bons valores, os maus vão se perpetuar. Por vezes, transformados em lei. E aí, nem mesmo as outras gerações terão boas referências.

É a aristocracia camuflada de democracia, enfim...

Hoje, passando mais tempo em frente a televisão, do que na escola. Mais tempos na internet, do que nas salas de aula...
O ser humano, no seu período de formação, ‘plugou-se’ no mundo, paralelamente se auto-encarcerando entre quatro paredes. Desenvolveu linguagens frias e novas, confiando no lado das emoções, ou na falta delas... E quem não conhece nem corpo, nem alma.
Tornou-se um solitário na multidão.
Eu sei bem como é, e obrigada por não pensar.

quinta-feira, abril 23, 2009

O primeiro ponto de eternas reticências


Eu deveria começar a escrever agora e parar nunca mais, faltaria espaço e até palavras para expressar o que sinto, o bem que quero, o quanto me importo, enfim...
Mais um aninho de vida*-*
Meu anjo ta crescendo (como se eu fosse ‘a’ velha, ok). Não é só porque ta fazendo mais um ano, vivendo porque tem um dia e uma noite de graça...
Nunca escrevi coisas em dias de aniversario, mas você merece tudo de tão lindo e eu desejo as mais belas coisas, os melhores momentos, o que a vida reservou para ti *-*
Parabéns por mais um ano de aprendizado, pelo crescimento imensurável, mesmo que você diga que não, enfim... Por tudo. Se eu for falar todas as qualidades, coitada de você que vai ficar lendo mil aqui.
É a mais unânime das criaturas que pôde aparecer na minha vida. Agradeço tanto por tê-la. É o meu porto seguro, que merece toda a minha consideração, o melhor abraço, toda a minha preocupação, atenção e afins...
A reciprocidade que se faz presente me dá a certeza de que esse é o meu lugar... Onde eu posso fechar os olhos e contar tudo, ouvir tudo... Sem medo.
A taurina mais linda que consegue fazer bem como ninguém, que se preocupa tanto que chega até a me preocupar com isso. O melhor que alguém pode ter; o estar e querer permanecer.

Leio poesias, textos que podem causar impacto, mas nada me soa tão forte e sincero do que as tuas palavras.
Promessas ao vento se perderiam em nuvens sonoras de ar... Esse sentimento inamovível e que transcende! Que ‘feitos’ nunca venham a te entristecer, quero ver você aconchegada num colo à beira mar. Tanta prosa, tantos segredos, episódios, anseios... 'Nosso' destino ainda pousa como uma ave em alguma nuvem por aí. O tempo foi generoso comigo, como eu disse! O resto é conseqüência...
E essa saudade como se fosse depois de passar alguns dias contigo? :~~
Queria mesmo, poder usar pelo menos hoje o meu primeiro melhor abraço, talvez o meu olhar mais sincero...
Eu não costumo ver motivos para comemoração em aniversários, mas eu comemoraria duas vezes a data de hoje. Inúmeras razões. A pessoa mais linda que conheci, o coração mais puro... Admirável dentre as ruínas.
Em vários momentos as tuas palavras que me fizeram permanecer de pé. O melhor presente a vida me ofereceu.
Tua presença é uma força vital, um conforto que reconheço sempre. É o sol presente, é a noite sorrindo para mim. A tal cumplicidade pura que me sustenta e me cura.
Sintonia total e completa, a entrega predileta... é sentir a plenitude de uma união sincera.E agradecer por tudo a cada momento, ao longo de uma vida inteira.

É sincero, vai além do brilho do olhar, da batida do coração, além do que se pode medir, da tua imaginação.

Delicada surpresa com cheiro de eternidade.

Parabéns, meu anjo!

(L) muito

Minha estrela Tay ♥

quarta-feira, abril 22, 2009


Quando a luz se apaga e o silêncio se faz notar pela penumbra da rua; quando os pássaros arribavam em respeito ao prenúncio da noite; quando os homens e mulheres retiravam as cadeiras da calçada após a prosa espontânea de final de dia; quando o ônibus diminuía a sua marcha, quase parando; quando a atmosfera recebia a aragem do agreste; quando os postigos das janelas cerravam a claridade última; quando o vizinho agradecia o 'boa noite' do amigo; quando os carros se faziam ausentes nas ruas habitadas; quando o corpo parecia reclamar do descanso do dia; quando a cozinha limpa aguardava o amanhã.
Eu me entrego aos volteios da noite insone.
Nunca sei o que fazer nessas horas. Da janela, avisto os passos se findando, a noite em plena invasão; ela jamais seguira a paciência do aguardo dos minutos, o futuro. Li a página de um livro, atirei-me no chão, já repousando em estado inerte as folhas escritas.
Sequer conseguia concentrar na leitura dos parágrafos iniciais.
Andei pelo corredor. O pensamento evocando visagens outras, delírios...
Se os anos de um querer a mais roubassem do tempo as horas que lhe foram subtraídas; se a pele ressequida se transmudasse na juventude frustrada, sem avanços, nem recuos... estática. Se o encontro com a ela durasse até hoje; se aquele 'amor' não parecesse estar dissolvido com a ‘pseudo morte’ precoce. Se a vida retomasse o seu princípio, eu não temeria as horas vagarosas. Essa chuva, as mãos geladas nas costas que causava arrepios... é, 210 dias.
Mas os minutos se arrastam. E já foram tão rápidos, céleres, enganadores na implacável cronologia!Tudo mudará. Eu fico agoniada a cada pegada percorrida, vou, venho... Perco-me nas lembranças intensas.
Sombras permanentes nas paredes, algumas fotos, outros fantasmas que habitam o porão da lembrança.
Esses pensamentos me amedontram. Conheço a trajetória de um sentir.. Choro lágrimas ocultas, tenho consciência do vagar da noite insone.
Eu vou voltar, tudo vai voltar!

terça-feira, abril 21, 2009

Conveniências idiotas


Estou coberta de reminiscências. Martirizando-me com esses devaneios. Sem o coração posso ser quase tudo. Esse sol que expira noite é só noite quando chora.
Minha vida passou a ser uma linha entre o direito e a liberdade, o saber e o humanismo, a coragem de dizer a verdade e a crença. Eu sairia da reta se eu dissesse que sinto a sua falta.
Em silêncio e inteira te fazendo companhia, te ofereço a minha mão e estou ao alcance da tua alma. Estais ao alcance do meu corpo. Calma! Posso nos ver...
Corpo e alma, Reflexos e ecos, fragmentos e pedaços inteiros: amor
Sentimentos ínvios para esse corpo vil.

sábado, abril 18, 2009


Quase todos passam uma boa parte do tempo tentando esconder quem são. Por vezes enterrando a 'essência' tão fundo, que é necessário lembrar de que ela está lá. E, às vezes, só querem esquecer quem são de verdade. É, para você, os segredos da minha vida são inexistentes. É bom perceber que estou flutuando na minha superfície, sem medo. As cicatrizes que hoje enxergo, é uma forma de perceber o quanto o passado foi doloroso e real. Com sensação de que estou curada, largo os meus medos e entrego, definitivamente aquilo que guardei de todos...
Percebendo que isso me ajuda a progredir, é a forma mais perfeita que o futuro poderia se firmar para mim. Meu silêncio nunca me causou arrependimento, eu esperei o meu tempo. Sinto-me aliviada por saber que tenho a você dessa forma. Um eu paralelo, todavia bem mais puro. De tanto arder o contato com pessoas que tinham status importante por puro descuido meu, me vi pó e cinza. É muito satisfatório saber que o tempo foi generoso comigo, ao pôr na minha vida, o que eu esperei por muito tempo.
Para me preocupar, para sentir a inacreditável reciprocidade...
Essa amizade que se faz unânime a cada dia.
Contar os medos que mais me atormentaram, pode ser bobagem (ok, é fácil filosofar quando o outro que ta fodido).
Mas que seja! Eu sinto que o vazio que se fazia presente constantemente, não teve mais vez. Franqueza, sensatez, confiança...
Tenho mesmo que agradecer por tudo o que proporciona, pelo bem que me faz, pela paz que me trouxe de volta...
Eu tive medo da escuridão, mas eu não queria uma simples luz.Eu só não queria sentir que estou só.

(L)muito, muito.

quarta-feira, abril 15, 2009

Claustro


Percebo que quando entro no meu quarto de estudo, me torno atemporal.
Talvez eu esteja certíssima, conheço-me bem o suficiente para apreender a ciranda da minha introspecção.
Em meio aos livros, anotações e impressões pessoais, permito que os pensamentos transcendam sem limites cronológicos ou espaciais.
Dá-me uma sensação de um distanciamento dos fatos comuns pela “escória”, então, esqueço os ruídos do mundo exterior, encasulo-me, sou alguém em permanente solilóquio.
Quero atingir latitudes inesperadas, no ambiente côncavo, meu pequeno-grande claustro, um quadrilátero.
Há em mim, tendências conventuais. Gosto da solidão opcional, do silêncio que me convida ao mergulho vertical, capaz de juntar cacos e fotografar no caleidoscópio da vida.
Não me amedrontam os duendes que adejam sobre a cabeça de um ato de soberania. Tudo que invento é real. E bem sei da capacidade de imaginar. A melhor forma de saber-me parte da humanidade. Não quero amarras nem grilhões que venham a sufocar os gritos de alerta. As pulsações dizem da vontade de ser livre. A cada instante, sinto o balando do ir e vir, as circularidades acontecem, os pontos de interrogação se agigantam, as exclamações, as vírgulas, e, sobretudo o parágrafo inacabado inserem-se na minha biografia.
Não quero pensamentos finalizados; que a linguagem receba sempre a renovação dos momentos: do ontem, da forma que fui; agora, a receber os eflúvios do passado; amanhã, a recriar-me sob a influência de dias atemporais.
Há uma quietude que me agrada na gruta do “oráculo”. Na poltrona, leio Freud.
Suas palavras me confortam porque nelas existe o afago das memórias. Memórias involuntárias que visitam a alma sem pedir licença, chegando de repente, instalando-se, tornando-se companheiras inseparáveis.
Todos nós conservamos nossas metafóricas estradas, afuniladas, largas...
As circunstâncias elaboram o trajeto... Eu sou eu e minha circunstância e se não salvo à ela, não salvo à mim.
Alcançar metas do destino depende do ritmo e da perseverança. Há atalhos que apresenta o andar, outros atrasam a cadência dos passos. É uma questão de escolhas ou de impulsos individuais. Não basta querer ou lembrar. Urge a obstinação no reviver ou num viver diferente.
As bussolas orientam, jamais legitimam as decisões.
Não há fronteiras no meu claustro porque o pensamento atravessa qualquer demarcação. Leio, releio sonho; Situo-me em lugar algum. Nada de limitações.
Estou absolutamente desnuda de qualquer idéia preconcebida. Há uma fera indomada dentro de mim. E, no entanto, sou a mais pacifica das criaturas, aclamo os lençóis.
Qual o tamanho do meu universo? Que importa a materialidade do contorno se ele cabe dentro do meu imo e não há brechas indecisas na imaginação. As asas me servem para sobrevoar mares e territórios, continentes e oceanos, lugarejos ou aldeias. Sou universal e atemporal.
O relógio do corredor tilinta horas, minutos e segundos. E eu sequer o escuto na minha viagem existencial.

segunda-feira, abril 13, 2009

Pacto implícito rompido


Ao descerrar minhas já pesadas pálpebras, observei que estava encarcerada num quarto frio, escuro, com janelas e portas fechadas. Não há saída nem entrada. Estou encaixotada num cômodo 'vazio'. Já não posso mais falar...Os trompetes e as cornetas da natureza, os trovões revoltados, que anunciavam a presença do meu pai, silenciaram-se.
Sinto meu corpo estático, em êxtase, vulnerável. Todavia esse temor também tem um outro lado, não menos devastador porque só nessas condições que sinto o meu pai mais vivo do que nunca, doando seu amor.
Pareco consumida por alguma perturbação ou temor...
Mas o que há para temer? Só há eu nesta cela.
Pai ausente, filho doente(?)

domingo, abril 12, 2009


"Uma andorinha só não faz primavera, nao faz verão"
Aristóteles quis dizer, sobretudo, que por mais significativo seja o ato, para que o mesmo produza efeitos concretos, faz-se necessária, além da pluralidade de sua autoria, uma execução permanente no tempo.Nenhum ato isolado, portanto, sem que haja convivência ou assunção pela sociedade diz seus propósitos e uma execução permanente, terá qualquer capacidade transformadora. Uma preocupação, além de autoral, temporal...do filósofo.
Tal expressão com o caminhar do tempo, foi se aperfeiçoando...e hoje, aqui, acolá, é comum escutá-la com o singelo sentido de que uma pessoa só nao é capaz de resolver os problemas impostos...
Essa dependência fodida.E eu aqui, um parafuso solto na máquina do mundo.

Se nao souber os próximos lances desse jogo de xadrez, meu amigo...check mate!

sábado, abril 11, 2009


Tem dias que tudo é dúvida na vida.Tem dias em que a vida duvida da nossa existência. A vida insiste em ser duvidosa. A dúvida insiste em tornar nossas vidas. É preciso construir os meios que nos transformam, destruindo as duvidas que imobilizam.
Eu preciso do sorriso profundo, que vem da alma, que clareia o obscuro.
O teu sorriso. O que ele fala? Sorri para o mundo, ou para ti...
O que traz o teu sorriso? O mar, o céu, o vento?E entre muitas gargalhadas, sorri para o tempo.

Enquanto houver coragem..."start over, start over"